
Começou a sonhar todas as noites com a senhora gorda. A principio ela aparecia só como figurante ou em pequenos papeis, e por isso ele pensou que fosse mais uma daquelas personagens vulgares que habitam a lixeira do insconsciente. Mas, pouco a pouco, a gorda senhora foi tomando um protagonismo inesperado nas suas perfomances oníricas. Aparecia como sua colega de trabalho e depois como sua supervisora. Outras vezes era a mulher engraçada e bem disposta que conta anedotas aos amigos no café. O círculo encolhia e a senhora gorda estava cada vez mais presente; no cinema, nas aulas de dança de salão, nos concertos de jazz (aqui diga-se que até cantava bem), e por fim na sua cama. A partir de certa altura, já só tinha sonhos eróticos com a senhora gorda, depois começou a sentir um certo afecto por ela, e por fim já lhe era difícil separar-se dela quando chegava a altura de acordar. Deu por si apaixonado pela senhora gorda e todos dias não via a hora de estar com ela. Um dia tomou todos os barbitúricos e soporíferos que tinha lá por casa e deitou-se. Encontrou-se com a senhora gorda numa catedral majestosa onde se casaram. Como nunca mais acordou, desconfia-se que tenham vivido felizes para sempre.
Para a Fábrica de Letras - Sonhos
10 comentários:
17 de março de 2009 às 20:37
E ela continuou a cantar.
17 de março de 2009 às 21:18
E ninguém sai antes de ela cantar.
18 de março de 2009 às 12:29
Muito, muito bonito
beijos
18 de março de 2009 às 14:53
Joaninha, obrigado.
14 de novembro de 2011 às 16:20
Que ternura! Qual Romeu e Julieta qual quê??! ...e lá diz o povo que "quem gordo ama, elegante lhe parece"... =)
14 de novembro de 2011 às 16:23
Diz que sim.
14 de novembro de 2011 às 16:46
Gostei. Amor original :D
14 de novembro de 2011 às 17:05
;)
17 de novembro de 2011 às 17:54
Remate inusitado, como sempre,que já é uma marca do estilo próprio e talentoso.
17 de novembro de 2011 às 18:15
Obrigado Eduardina
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