A Espera

| quinta-feira, 26 de março de 2009 | |
«Passe por cá segunda-feira de manhã, precisamos de falar consigo sobre um assunto que o concerne», foi o que a senhora lhe disse ao telefone. Às nove da manhã de segunda-feira lá estava Zeferino, na fila, à espera de falar com alguém sobre um assunto que supostamente era do seu interesse. As filas eram o seu pior inimigo desde a proibição. Qual seria o assunto? Eles nunca dizem o assunto, se o fizessem a fila nunca o chegaria a ser. As filas são organismos vivos que precisam de alimento. Alimentam-se da paciência dos membros que a constituem. Zeferino suava por todos os poros, apetecia-lhe fumar, apetecia-lhe estar em todos os lados menos ali. Agora o seu cubículo sem janelas já não lhe parecia tão medonho, surgia-lhe simpático até. Só se lembrava de coisas boas para fazer, é sempre assim, quando estamos impossibilitados de fazer uma coisa não conseguimos pensar em mais nada. «Qual será o assunto, qual será o assunto...eu tenho andado tão calminho». Zeferino desesperava e a fila engrossava. Cada vez parecia estar mais longe. «Deve ser isto o Inferno» pensou, «morrer e ficar à porta do Céu eternamente à espera».

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