No Quarto

| segunda-feira, 6 de abril de 2009 | |
Romualdo gostava de ficar longas temporadas no seu quarto, a descomprimir, depois de mais uma viagem intergaláctica. Era bom voltar à matemática desarrumação, ao aparente caos das formas, às variáveis intensidades de luz, entre a penumbra e o meio claro. Gostava de estar à vontade consigo e com os seus objectos, alguns já o acompanhavam havia décadas e tinham combatido ao seu lado longas e cansativas batalhas. Outros serviam-lhe de consolo, e de conselho, como os livros por exemplo. Antes de se deitar, às vezes quedava-se a olhar para os livros, que estavam arrumados nas estantes ou simplesmente deitados ao calhas por todo o quarto. De vez em quando encontrava um que nem se lembrava de ter comprado e começava a lê-lo de pé junto à cama. Outras vezes, sentava-se simplesmente no chão com uma almofada e esquecia-se das horas de deitar. A música que também a havia em quantidade, arrumava-se alegremente com os livros em qualquer lado. Gostava de ouvir música como se esta fosse uma banda sonora do que quer que estivesse a fazer. Como não tinha animais de estimação, fazia-lhe sempre companhia uma garrafa de vodka; a melhor amiga do homem, depois do cão.

2 comentários:

Joaninha Says:
6 de abril de 2009 às 19:30

"Como não tinha animais de estimação, fazia-lhe sempre companhia uma garrafa de vodka; a melhor amiga do homem, depois do cão."

esta é de génio :)

beijos

El Matador Says:
6 de abril de 2009 às 19:38

Ehehehe