A Casa

| terça-feira, 7 de abril de 2009 | |
Só lhe apetecia deitar fogo à casa. Aquele era o edifício de toda a sua frustração de longos anos. Odiava as paredes, as escadas, o cheiro a vómito no elevador. Odiava as pessoas que viviam e trabalhavam lá, na casa, todos os dias. Qual era o seu objectivo? Para que tinha sido construída? A casa engolia os seus habitantes e ruminava-os, tornando-os mesquinhos e calculistas, falsos e bajuladores. A casa exercia um estranho poder sobre ele, algo que ele não gostava porque não se reconhecia quando estava sob o seu efeito. Fosse ele crente e diria que a casa era maligna. Chegou a uma altura em que teve que escolher: Ou acabava com ele, ou deitava fogo à casa. Regou-se com gasolina e acendeu um fósforo: o material tem sempre razão.