Amnésia de Uma Noite de Verão

| quarta-feira, 22 de abril de 2009 | |
Acordou, mas não tinha memória de se ter deitado. Com o canto do olho reparou que o relógio de mesa de cabeceira era diferente do seu. Perscrutou o resto do quarto e concluiu que não estava em casa. «Porra!» gritou alto dentro de si, acontecera outra vez. Quando se levantou, reparou imediatamente que ainda estava vestido, o que era mau sinal, era sinal que não tinha sido uma das suas melhores noites. Na cabeça pesava-lhe o mundo, o mundo e a dúvida: onde estaria? Olhou pela janela e não conheceu a rua. A sua última lembrança era ter saído de casa bem disposto. «Desta vez é que foi a última», garantiu a si mesmo pela enésima vez. Queria ir embora mas tinha medo de sair do quarto. Não sabia o que lhe esperava do outro lado da porta. Entreabriu-a e espreitou para um corredor que todo ele indicava que a casa estava vazia, viu ao fundo a porta de saída. Respirou fundo e sentiu uma martelada no cérebro. «Vamos ter calma, é só atravessar o corredor e estou fora». Preparou-se como se fosse arrancar numa corrida de cem metros barreiras, abriu a porta de repente e, com um passo decidido atravessou o corredor até à porta de saída. Um post-it colado à altura dos olhos exortava a vermelho «Esquece que me conheceste - Esquece que aqui estiveste», ora aí estava um conselho que não iria ser difícil de seguir. Já na rua, acendeu um cigarro e olhou em redor, confuso, sem saber para que lado ficava a sua vida.

2 comentários:

FacAfiada Says:
23 de abril de 2009 às 14:02

El Matador,
Este teu texto tem tantos reflexos, está tão bom, gostei tanto de ler ... revi-me e revivi-me por breves segundos.

"confuso, sem saber para que lado ficava a sua vida."

Gostei mesmo!

El Matador Says:
23 de abril de 2009 às 14:15

FacAfiada,Fico contente que tenhas gostado.