Septoplastia - It's a Bitch!
Há sangue e ranho por todo o lado, por isso, nos próximos tempos não contem comigo.
X
Labregoísio era um indivíduo que só compreendia o que via com os olhos, ou o que conseguia visualizar na cabeça. Só compreendia imagens, portanto. E por isso era pouco dado à poesia e às artes abstractas e à matemática, que diga-se, fora o seu terror na juventude. Quando na escola lhe pediam para descobrir X, Labregoísio, em modo de piloto automático imaginava-se logo um detective de gabardine e cachimbo na boca, qual Sherlock Holmes, à procura do tal X. Quem será este X e porque andará toda a gente à procura dele? - imaginava Labregoísio. E a partir daí, via a incessante demanda de um homem solitário em busca de um ser cruzado, que quase sempre era alvo de operações obscuras para ser encontrado. Abstraía-se muito mas nunca conseguia abstraccionar-se.
Para ele, o amor era um coração sangrento atravessado por uma seta. E quando lhe falavam da dor, dessa dor que não é física, que não se vê, daquela que sofrem os apaixonados e os lunáticos, ele à falta de melhor ia buscar a imagem do coração e da seta; e foi assim que deduziu sozinho que paixão era sinónimo de sofrimento.
Era um homem simples e não se importava de todo quando lhe gritavam: queres que te faça um desenho? Pelo contrário, mostrava-se agradecido e encantado com a gentileza de quem se dispunha a ajudá-lo.
O que não via não lhe afectava, por isso era um homem feliz; e foi assim que deduziu sozinho que o que os olhos não vêem, o coração não sente.
Também nunca chegou a encontrar o tal X.
Despertemos!
Todos os dias de manhã, duas senhoras testemunhas de Jeová pedem-me encarecidamente para lhes jogar a literatura para o lixo. Passa-se mais ou menos assim:
- Bom dia jovem (gosto), importa-se de nos fazer um favor e jogar este exemplar do Despertai! para o lixo?
- Com certeza – Respondo educadamente, e imbuído de um espírito escoteiro que nunca tive lá carrego o panfleto até ao balde de lixo mais próximo. É uma sensação boa, esta de ajudar as pessoas logo pela manhã.
Agora para algo completamente diferente; Despertai!? A sério? Para acordar já tenho dois dispositivos lá em casa: um que me assusta, outro que me deixa em pânico, ambos são irritantes. Minhas senhoras, do que eu preciso de manhã é de um balde de café forte, mas como o médico me cortou a cafeína finjo que desperto com o sucedâneo descafeinado.
Como declaração de interesses devo ainda esclarecer que a única crença que me move é a do Unicórnio Cor-de-Rosa Invisível, como é atestado no frontispício. Gosto de seres místicos e alados. Ainda não o vi porque é invisível, tenho fé no seu poder porque consegue ser cor-de-rosa ainda que invisível, acredito que criou o mundo porque ainda não me provaram o contrário.
A Escolha
O senhor Hermenegildo Bagarrão não sabia se havia de comprar o bilhete para o jogo ou de almoçar. Era uma chatice cada vez que se punha a pensar no assunto, e, como o jogo estivesse quase no início, ponderou. O que é o dinheiro se não uma mera formalidade envolvida na troca de bens e serviços; o jogo é um serviço. A comida é uma satisfação... necessária? Perguntou-se. Segurou a barriga com ambas mãos e apertou os pneus - A Zubaida passa a vida a dizer que tenho que perder isto – Posso começar agora. A ideia da mulher trouxe de arrasto a imagem dos filhos, há que pensar neles, é imperativo. - Os putos comem na escola! - Assunto arrumado. Como era um católico fervoroso às vezes, veio-lhe à ideia, à laia de alívio de consciência, frases soltas que o senhor prior proferia aos domingos - a carne é fraca, o espírito é eterno, a salvação da alma é mais importante que a do corpo – frases que o incomodaram, é certo, no passado mas que agora se revestiam de alento. Que mais poderia ele fazer se não esquecer o corpo e alimentar a alma? Que melhor colírio para o espírito do que assistir aos golos do seu clube do coração.
Além disso, quantos dias pode um homem passar sem comer, trinta? Quarenta? Dava para assistir a pelo menos quatro jogos. É sabido que sem bebida é que um indivíduo não pode passar, é fatal dizem eles, mas quanto a isso estava garantido: tinha o frigorífico carregado de minis.
#259
Na cidade pequena confunde-se a grandeza com prédios altos. Descaracterizada, a cidade cresce para cima. As pessoas pequenas da cidade pequena sobem ao topo dos prédios altos e julgam-se grandes; olham para baixo e para a frente, abarcam o horizonte com gestos largos e dizem: - tudo isto é meu!
As pessoas pequenas da cidade gostam de usar frases grandes para dizer pouca coisa; na sua avaliação constante da grandeza julgam-na intimamente ligada ao comprimento da gramática. É tudo uma questão de métrica dizem uns, ou mesmo quilométrica apressam-se a afirmar outros. O progresso na cidade pequena faz-se na periferia em abandono do centro. As pessoas pequenas têm horror ao centro onde toda a gente anda a pé. Andar a pé não é progressivo, dizem gramaticalmente quilométricas: - Como pode ser isso então? Se assim fosse Deus nunca teria criado os automóveis. Antigamente no centro, as casas eram pequenas e singelas e nisso residia toda a sua grandeza; depois vieram as pessoas pequenas e elevaram construções grandes para poderem lá do alto ver melhor as luzes da periferia. A periferia, que é onde está o progresso assemelha-se a uma feira. Para as pessoas pequenas o progresso, as luzes brilhantes e a algazarra andam de mãos dadas com progresso. Se Deus não quisesse ruído não tinha inventado as buzinas – dizem eles- e buzinam noite fora, cheios de progresso e grandeza.
Outro sinal de indefectível grandeza das pessoas pequenas, são as estradas. As estradas são a seiva que corre nas veias das pessoas da cidade pequena. É na estrada que comem bebem e convivem. É na estrada que riem e choram. O indivíduo pequeno na cidade pequena só se sente definitivamente grande quando está junto a uma estrada ou em cima dela, e, como se sentia incompleto por nunca ter estado debaixo de uma, foi alcatroado o cemitério.
As pessoas pequenas da cidade pequena, sentem-se orgulhosas da sua obra e dizem: somos uma cidade grande – somos uma grande cidade. Dizem isto porque não compreendem o conceito de relatividade.
...A Sul
…Tenho saudades da chuva. De andar de botas de água a chapinhar nas poças, admirar os girinos e apanhar agúidas. De patinar na lama e ver os outros atascados como se afundassem em areias movediças. Uma vez um amigo meu, cujo nome já não me lembro, num desses concursos de atolance, ficou de tal forma atolado que quando o puxámos, as botas ficaram lá, e ele teve que ir em meias para casa e da rua ouviram-se os gritos da sua mãe.
Mas aqui já não chove e agora já não há terra para fazer lama para os miúdos se poderem atolar. Há no entanto, muitos prédios que fazem sombra e carros que passam muito depressa, e jardins que nunca o foram senão em projecto, por isso os miúdos, podem não brincar na lama nem apanhar agúidas, mas podem engordar à sombra ou ser atropelados, o que é muito mais excitante.
Tenho saudades do frio. De dormir aconchegado por debaixo de mantas e edredons. Lembro-me de ir para a escola, a bater o queixo, com a roupa vestida por cima do pijama, de usar cachecol, luvas e gorro, acessórios que hoje me parecem um tanto estranhos quando me falam deles. Hoje durmo nu, o que também é divertido, mas há um tempo para tudo na vida de um indivíduo. O bafo quente que sopra do Sahara avança de dia para dia, como uma maré silenciosa de areia e mistério. Os meus olhos mudam de cor; do azul do mar para o castanho das dunas. As dunas são vagas que avançam silenciosas, áridas, desérticas, altas como tsunamis.
Na televisão, de vez em quando, falam do sul; o sul isto, o sul aquilo…Mas o sul onde eu vivo é outro: é um sul que fica a sul do sul. Para lá disto não existe mais nada, só o deserto, que é o norte de coisa nenhuma.
Queixo-me de barriga cheia. Sou um ingrato. Dormir nu não é mau. Costumo acordar e espreguiçar-me longamente na varanda aproveitando o fresquinho da manhã. Os meus vizinhos é que não gostam nada, ficam logo mal dispostos.
O Mar Cruel, O Mar Cruel...
- O que fazer quando não temos um livro para ler?
- Podes sempre escrever um.
- É uma ideia mas não saberia por onde começar.
- Começa pelo princípio, é sempre um bom começo.
- No princípio era o verbo, depois apareceram os surfistas. Eram dois. Dois mais a assistente da praxe a acompanhar. Podia ser irmã, namorada, prima, escolhe tu, o parentesco não interessa aqui. É engraçado como o idílio da maioria das pessoas reside na proverbial praia deserta, com os coqueiros a abanar ao vento e o mar azul, mas se reparares bem, as pessoas na praia gostam é de estar amontoadas em grupos enormes muito colados uns aos outros; mesmo que exista ali ao lado um areal imenso para desbravar, vão colocar a sombrinha onde estiver mais gente…
- Não respeitam a distância higiénica.
- Exacto, nem a física, nem a mental. Dizia eu que os surfistas eram dois, mais a rapariga para impressionar claro está. O mar? Estava raso. Raso digo-te eu. Parecia um tapete azul muito esticado, sem um vinco, sem uma ruga que fosse. No entanto os moços vestiram os fatos de pinguim e fizeram-se ao mar na mesma. A miúda despediu-se deles emocionada, de lágrima fácil no canto do olho, como que antecipando uma viuvez anunciada; porque isto de um homem ir para o mar já se sabe…
E eles lá foram, com a água pelos joelhos; rasinha, flat como eles dizem, porque um homem nunca não desiste, não é?
Montaram-se nas tábuas, com o elástico preso ao artelho, e ali ficaram, a mirar o horizonte. Passado um bocado remaram para a esquerda e quedaram-se a olhar para o horizonte mais um bocadinho. Depois remaram para a direita e lá estava o horizonte no mesmo sítio, e eles olharam para ele.
A rapariga também fitava o horizonte, ansiosa; quando voltariam os seus homens? E chegariam salvos? De fundo ouvia-se, não sei vinda de onde, a Canção do Mar, versão Dulce Pontes, como se fosse o vento a assobiar.
A páginas tantas, os moços saltaram das tábuas e, com a água pelos joelhos, assim como entraram, saíram do mar. Estavam estafados, moídos, que isto de olhar o horizonte também cansa, porra.
A moça, qual Penélope, ao ver chegar não um Ulisses mas dois, não se conteve mais, ajoelhou-se a beijar a areia e agradeceu a Deus e à Nossa Senhora dos Navegantes e a Poseidon e a Neptuno, que se não me engano são a mesma pessoa.
Eles, finalmente em terra firme, espetaram as tábuas na areia, abancaram de encontro às dunas e comeram croissaints. Estranhamente pareceram-me mais loiros do que quando chegaram.
- Então, o que é que achas?
- A próxima vez que fores para a praia não te esqueças do livro em casa.
#256
Gervásio, o Cruel, mastigava furioso um naco de carne em sangue, o maior da travessa, porque era o chefe. Levava a comida à boca com as mãos e limpava-se com as costas das mesmas, por isso a gordura espalhava-se-lhe pela barba comprida e escorria-lhe dos pulsos. Gervásio, o cruel, era o chefe, o líder da tribo, e, por isso tudo lhe era permitido, desde o comer com as mãos ao soltar flatulências sonoras em pleno banquete. Quando isso acontecia, os convivas quedavam-se num silêncio completo, atemorizados só de pensar na ira anunciada de Gervásio, o cruel. Este no entanto começava por exibir um sorrisinho cínico que nascia no canto direito da bocarra e alastrava-se como um tremor de terra por toda a cara até se transformar numa ribombante gargalhada. Os bobos e outros saltimbancos, mais atentos às luas do líder, largavam aos saltos e pinotes cantando em falsete e batendo em latas. Era o sinal de que tudo estava bem, que a situação não era incómoda nem de terror, antes de alegria e celebração, então toda a corte largava numa saudável salva de palmas, o que muito agradava a Gervásio, o Cruel. A interpretação dos arlequins podia salvar vidas, ou acabar com elas. Um sorriso mal colocado, ou a falta dele logo a seguir a uma anedota sem piada do líder podia ser o suficiente para um indivíduo se auto-sentenciar à morte.
Gervásio, o Cruel, não era o mais forte, nem o mais inteligente, nem sequer o mais hábil membro da tribo, era sim o mais Cruel, e por isso se tornara chefe, e por isso era temido.
Um dia, um caixeiro-viajante de outro reino, ao jantar na corte com Gervásio, o Cruel, reparou que este comia com as mãos. Então lembrou-se como gesto de cortesia e de apreço pelo anfitrião oferecer-lhe um conjunto de talheres de prata.
- Para que serve isto? – Inquiriu curioso Gervásio, o Cruel.
- É para comer majestade! – E como se o outro apresentasse um ar de ignorância bovina, apressou-se a demonstrar-lhe com a faca e o garfo cortando-lhe um perfeito filete de lombo assado.
Gervásio, o Cruel, segurou o garfo com espanto, passou-o de uma mão para a outra, observou-o atentamente, e, com um gesto relâmpago espetou o utensílio no olho direito do viajante. Acto contínuo arrancou-lho da órbita e meteu-o na boca. Na sala era o vácuo, os saltimbancos há muito que se haviam escondido debaixo da mesa. Depois de mastigar vagarosamente, Gervásio, o Cruel sentenciou:
- O olho é bom! – E nisto peidou-se ruidosamente. Os bobos largaram de imediato aos saltos e aos gritos na barulheira habitual e toda a gente na corte fez o que habitualmente fazia quando o líder se peidava, bateu palmas.
2 de Agosto
Os amigos. Os amigos são as pessoas mais estranhas do mundo. Estes amigos não são os meus. Os meus amigos eu conheço de pequenino, e não são estes. Estes riem-se comigo e de mim (a maior parte das vezes), empurram-me e pregam-me partidas, fazem-me cair e aleijam-me nos joelhos. Quem são estas pessoas que tendem a seguir-me? Metem-me canecas de cerveja na mão e pagam-me whisky, e pedem que cante ou toque guitarra ou declame poemas. Mas eu não sei nenhum poema de cor, a não ser aquele do Fernando Pessoa que diz que o poeta é um fingidor e eu finjo que sei o poema mas nunca o declamo porque na realidade não o sei, como aquele do Alberto Caeiro que diz que o menino Jesus vem a descer pelas encostas do monte e que o Espirito Santo é uma pomba que suja as cadeiras; esse também não sei, pronto: há dois poemas que eu não sei de cor e são os dois do Fernando Pessoa, se bem que um seja do heterónimo; e por isso desvio a conversa e pedem-me para tocar guitarra. Mas de onde é que veio esta mania que eu sei tocar guitarra? Se fossem meus amigos sabiam que eu não sei sequer quantas cordas tem uma guitarra, a não ser que a mais grave é o mi e a mais aguda é o mi também e que pelo meio tem o lá, o ré, o sol, o si e o mi outra vez, já tinha dito é mais aguda, e por isso disfarço, sou um artista do disfarce isso sim, disfarço que sei tocar guitarra mas nunca toco, e quando me apresentam uma, dou socos na parede e desculpo-me que com a mão dorida que não consigo tocar. E então dão-me baldes de whisky e cerveja, é para celebrar, dizem eles, e eu conto piadas, porque as celebrações dão-me vontade de rir, e as piadas agradam a uns mas desgostam a outros, mas a vida é assim, não se pode agradar toda a gente, e se eu os conhecesse ao menos, até podia tentar, mas a noite já vai longa e não me apetece, não há amor que não dê em ódio nem ódio que não dê em amor, como diz o Matador. Quando estou bêbado penso que sou ele, e disse-lhes: Sou o El Matador. Assim mesmo, de repente. Eles riram-se muito porque não fazem ideia de quem seja tal personagem, e eu também não lhes expliquei porque também não sei. Às vezes vejo-o, no reflexo das águas ou nalgum espelho mas nunca o consigo discernir e por isso esqueço-o. Recebi beijinhos de duas loiras, uma que era ruiva e passou a loira ou talvez o contrário e outra que era mesmo loira e agora tem o cabelo preto. Não me lembro da conversa mas sei que cantei porque me pediram, embora eu não saiba cantar mas tenha esta queda para palhaço. Quando me visto de palhaço gosto que me chamem de Anacleto, mas todos me chamam por outro nome, porque não me conhecem. Aos domingos visto-me de mulher e passeio de ressaca com os saltos altos que eram da minha mãe, que já não tenho. Às vezes, para dar um toque mais andrógino coloco uma gravata do meu pai, que também já não tenho. Sou orfão, como a Annie e talvez devesse pintar o cabelo de ruivo. A Annie tinha um cão e uma banda sonora do Kid Creole & the Coconuts, mas eu não tenho cão e quando é de manhã e tou de ressaca, na minha cabeça passam sempre os Einstürzende Neubauten que tocam com berbequins e cantam em alemão e que eu não percebo nada porque me baldei às aulas no segundo ano para jogar snooker. Hoje tenho um diploma de snooker que não me serve para nada. Se falasse alemão citava aos meus amigos frases célebres do Nietzsche, na lingua original, o que impressiona sempre muito, como aquela do abismo a olhar para nós. Assim não digo nada, porque não sei alemão e porque não vejo os meus amigos desde pequenino, desde a adolescência vá lá
Estranho Lugar, Aqui.
...Estranho lugar, aqui. Onde a mais singela beleza e hedionda feiura cruzam a paisagem de mãos dadas, como duas amantes. Não há bela sem senão, ensinam-nos de pequeninos.Há até contos de fadas que nos preparam para essa fatalidade. Como quem nos vai mentalizando para o que há-de vir: Olha que a vida não são só gelados de chocolate, meu menino, também tens que apanhar muita chapada nessa fronha. E os meninos crescem sem estranhar as chapadas na cara que a vida lhes dá. Não reclamam; ficam à espera dos gelados de chocolate. São os acomodados: os felizes.
Há os que se apercebem, no entanto, que a distribuição de estaladas e gelados de chocolate, não é equânime. São inconformados: infelizes.
As mulheres tem parte igual nesta tragédia, se não a pior parte. Entre a opção de felicidade e infelicidade escolhem livremente a segunda; porque foram cerebralmente lavadas desde pequeninas a se tornarem numa versão urbana da Branca de Neve; ainda que às vezes o príncipe não venha de cavalo mas sim agarrado a ele.
É esta a sensação que tenho ao ver os prédios na praia. Uma profunda tristeza na assumpção de que todo o amor vem carregado com uma generosa dose de ódio. Dose esta que alimentamos de bom grado; acarinhamo-lo, regamo-lo e falamos com ele, como se duma planta se tratasse, até que cresça forte e viçoso. Por outras palavras, o nosso olhar não recai no belo mas no horrível, é o seu ponto de fuga, é onde descansa mais sossegado, como os prédios na praia: é o preço de sermos civilizados.
