Labregoísio sofria em frente do aparelho de televisão. O seu problema de prisão de ventre agravara-se de tal forma nos últimos sete dias que, os médicos foram unânimes em prescrever tão violenta mézinha. Mudava de canal à mesma velocidade que as notícias perdiam o interesse. Às vezes alternava rápido entre dois canais, só para ver as discrepâncias existentes sobre um mesmo evento. Depois, começou a premir o botão do comando com fúria, e, as histórias narradas pelas histéricas criaturas da caixa que estupidificou o mundo, começaram a deixar de fazer mais sentido ainda. Viu a mulher com uma unha encravada que deu à luz a caminho do hospital; o homem que ia atravessar a estrada e foi atropelado por uma manifestação de grevistas da aviação civil; O político corrupto que fugiu para o estrangeiro com a criança desaparecida; O avião que caiu em cima do banco falido...No auge da náusea, sentiu uma pontada forte nos intestinos. «Finalmente!», pensou «é agora». Nem teve tempo de chegar à casa de banho, a explosão deu-se mesmo no meio da sala, deixando as paredes pintalgadas de um surrealpadrão acastanhado, cor de lama.
No dia seguinte, Labregoísio chegou ao trabalho exibindo um sorriso que lhe extravasava do rosto. Os colegas não tardaram a inquiri-lo sobre tamanha demonstração de felicidade:
- Grande programa ontem à noite, hã?
- Nem por isso, fiquei a ver televisão...
- Alguma coisa que valesse a pena?
- Não. Só deu merda.
No dia seguinte, Labregoísio chegou ao trabalho exibindo um sorriso que lhe extravasava do rosto. Os colegas não tardaram a inquiri-lo sobre tamanha demonstração de felicidade:
- Grande programa ontem à noite, hã?
- Nem por isso, fiquei a ver televisão...
- Alguma coisa que valesse a pena?
- Não. Só deu merda.
