Uma nova estética. Uma nova mentalidade. Algo que não se venda, algo que não se compre. Algo parido numa explosão que nunca se apaga. Algo efémero como a eternidade. Algo que ofusque mas não cegue, algo que nos encante e nos embale; uma ternura, uma partilha na multidão. Um braço levantado no ar, uma música, um quadro.
Algo que seja de todos e não seja de ninguém; algo de que nos possamos orgulhar.
Um dia todos os políticos serão substituídos por músicos de rock'n'roll, e todos os comícios por concertos e todos os votos por aplausos. Alguém precisa de ser governado e humilhado por quem o governa? Alguém elegeu alguém para se ver privado do essencial da vida? Os eleitos não são nossos funcionários? Que parvoíce é esta de mercados para aqui e para ali? Os mercados estão chateados, os mercados estão desconfiados, os mercados estão mal dispostos, não faças barulho que acordas os mercados: mas que merda é esta? E que tal um dedo no cu dos mercados? E que tal um dedo no cu do engenheiro parvalhão; e no cu do presidente com ar de mongolóide; e no cu dos candidatos que salivam com a hipótese de ocuparem o mais alto cargo da pirâmide dos chulos. E porque que se há de resumir tudo a pirâmides? Somos egípcios ou quê? O que é feito das planícies alentejanas e dos espaços abertos? E esta inércia, meu deus! De onde saiu esta pasmaceira, este cair de braços, este bocejar de tédio, este enfado? O único milagre que verdadeiramente se deu, neste pedaço de terreno abençoado pelo demónio e desprezado por deus, foi o temo-lo arrancado à estalada aos nuestros hermanos. Não se compreende portanto este amochar: de pé ó vítimas da inércia!
Há um ovelhar geral que paira sobre as nossas convicções, sobre as nossas atitudes, sobre a falta delas. Há uma auto-mutilação intelectual que se pratica entre as hostes; uma pletora de mesquinhez, uma mediocridade constitucional, uma diarreia cívica. Nunca mais voltaremos a ser marinheiros: uma nau não se governa de cu para o ar. Nunca mais voltaremos a ser poetas: um poema não se escreve com os pés. Urge acordar. Urge criar uma nova estética, uma nova mentalidade...
