
Zeferino chegou à praia e estendeu a toalha no sítio que lhe era preferido: o bar. Ficava sobranceiro ao areal e tinha uma vista privilegiada sobre o oceano. Pediu um Mojito. Não que gostasse muito da bebida, mas vira o James Bond a fazer o mesmo num filme. Era domingo; o dia da semana que (de tão estúpido)foi reservado a Deus. Rezou para que uma Halle Berry lhe caísse no colo. Caíu-lhe o Mojito ao invés. Pediu outro, aquela história da hortelã era interessante.
Às 10h30 certas, começaram a chegar as famílias. Perante a imensidão do areal e a difícil escolha entre a esquerda e a direita, iam optando por ficar todas logo ali, em frente à passadeira. Assim dava menos trabalho a sair. À direita ficavam os surfistas, à esquerda as nudistas. As famílias ficavam ao centro para manter a moral e os bons costumes. As mães retiravam a trela aos filhos e deixavam-nos ir para beira-mar, ladrar às ondas. Os pais, alegavam um passeio para esticar as pernas e sub-repticiamente todos os seus membros viravam à esquerda. Os mais velhos arregaçavam as calças cinzentas e iam molhar os pés. Quando voltavam já a melancia rodava por entre sombrinhas. À direita os surfistas comiam croissants e suspiravam por tsunamis que nunca mais chegavam. Mais à esquerda, as nudistas giravam como sardinhas na brasa, e isso enchia de água, a boca dos paizinhos que esticavam as pernas.
Eram 12h00 e Zeferino perdera a conta aos Mojitos. Agora mastigava as folhas de hortelã lembrando um qualquer animal ruminante. Estava calor e Zeferino sentia-se com aquela felicidade que só o rum proporciona. Apetecia-lhe fazer surf montado num croissant, nadar por entre as sombrinhas e tirar as pevides às nudistas. Era ainda domingo, o dia que vem antes de segunda-feira.


