#341

| terça-feira, 29 de janeiro de 2013 | |

- O que deus me deu em beleza retirou-me em talento!
- Achas? Por outro lado compensou-te em modéstia.
- Como assim?
- Não penses mais nisso.
- Podia ser tudo o que quisesse se tudo o que eu quisesse não fosse: nada.
- Sendo assim já és tudo o que queres.
- Explica.
- Se tudo o que queres é nada e se não és nada, és tudo o que queres.
- Parece-me confuso, mas sinto que há um pouco de verdade nisso tudo. O que eu queria mesmo era ser feio.
- Feio e optimista ou feio e realista?
- Feio como as pessoas feias que não têm nada e padecem os horrores de nascerem feias e pobres, sem ninguém que goste delas, sem sorte, sem nada percebes? Horríveis, angustiantes, sem graça, gordas, asquerosas, daquelas que uma pessoa primeira controla-se e depois não aguenta mais e tem que dizer: Caraças! Que pessoa tão feia.
- E tu querias ser uma dessas pessoas porquê?
- Queria sentir o que a maioria das pessoas neste mundo sente. Queria saber como é.
- O quê?
- A angústia. A dor de viver. Aquilo de que é feito a Arte. Mas, helas, sou belo e mágico e bom…
- …E humilde.
- Exacto.

5 comentários:

nAnonima Says:
29 de janeiro de 2013 às 23:36

essa ironia em força. ou honestidade em frente ao espelho, enquanto falavas com o teu amigo imaginário?

El Matador Says:
29 de janeiro de 2013 às 23:41

diálogos apenas

Olinda P. Gil © Says:
30 de janeiro de 2013 às 08:53

Às vezes a beleza também não serve de nada

Briseis Says:
30 de janeiro de 2013 às 12:21

que perolazinha... =)

Mz Says:
1 de fevereiro de 2013 às 20:35

Ninguém está contente com o que tem...