O Dia Z

| sexta-feira, 4 de setembro de 2009 | |


O dia que Zeferino temia chegara sem se fazer anunciar. O vazio enchera-lhe a mente. A sua cabeça era como um túnel onde se cruzavam ventos a mais de trezentos quilómetros horários. As ideias eram atropeladas e não conseguiam agarrar-se às paredes do cérebro. Era o fim, o branco, as reticências...
A sua carne estava amolecida e tenrinha, como se tivesse sido martelada por um bando de skinheads com tacos de baseball. Na televisão, a Manela, com a sua boca de enxarroco vomitava postas de pescada e dava azo à mais recente histeria nacional. Os porcos olhavam para os humanos e não conseguiam disfarçar um certo sorriso zombeteiro.
O espírito de Zeferino, esse eufemismo sináptico, tinha encontrado uma nova paz, um novo descanso; uma espécie de nirvana mas sem o Kurt. Sentia-se cansado, mas daquele cansaço bom. Voltou-se para o lado, de costas para a televisão, soltou uma flatulência e adormeceu.

4 comentários:

roserouge Says:
6 de setembro de 2009 às 22:47

ehehe, pois é, a nossa televisão produz o melhor efeito terapêutico na indução do sono. Qual xanax, qual carapuça! E que bom que é, roncar no sofá!

El Matador Says:
7 de setembro de 2009 às 01:59

É rápido, eficaz e saudável.

Joaninha Says:
8 de setembro de 2009 às 16:08

Como eu entendo o Zeferino, flatulência em sinal de desprezo e dormir, porque dormir faz bem ;)

Bom, bom quando se tem problemas de sono é o Xanax e a televisão na sic noticias :)

beijos

El Matador Says:
8 de setembro de 2009 às 17:42

Xanax! Os palíndromos dão-me sono.