Lições de Física

| segunda-feira, 13 de setembro de 2010 | |
O dia em que Abrenúncio perdeu o pivô estava cinzento e ameaçava chuva. É sempre nestes dias que tudo acontece; um céu escurecido, umas nuvens carregadas, o diabo à espreita e pronto, temos os ingredientes necessários para cozinhar uma desgraça.
Neste dia em particular o diabo escondia-se por detrás de um poste. Abrenúncio já atrasado para o emprego, a correr desvairado pela calçada, não conseguiu evitar olhar para uma bela moça loira de pernas até ao pescoço e saia pelo umbigo que se cruzou com ele. A uma determinada velocidade quando duas forças se confrontam, uma delas é forçada a ceder. Neste caso singular em que a boca de Abrenúncio se dispôs a medir forças com o poste da luz, o poste da luz levou a melhor. E como dois corpos não podem ocupar um mesmo espaço ao mesmo tempo, o pivô cedeu o seu lugar à pedra dura do poste e abandonou a boca de Abrenúncio. Como uma desgraça nunca vem só e o diabo nunca está contente, a moçoila calhou olhar para trás no exacto momento em que Abrenúncio abria a boca desdentado com o sangue a escorrer-lhe copioso pelo queixo. Depois começou a chover.
O trauma foi tal que no espaço de tempo que mediou entre o acidente e o ir ao dentista, Abrenúncio foi assaltado pelos mais assombrosos pesadelos. Uma noite sonhou com a loira sentada na sua sala de jantar rodeada dos outros dentes. Tomavam chá e comiam bolinhos. De semblante carregado exigiam de Abrenúncio a informação. Qual informação? A informação! Abrenúncio afundava-se no cadeirão e não encontrava respostas, não sabia de nada, estava completamente a leste do paraíso artificial. Encolhia os ombros e abanava a cabeça coberta por uma fina camada de suor frio. Não sabia de nada. A falta que o dente lhe fazia. Era o pivô que costumava ler as notícias lá em casa.

12 comentários:

Tulipa Says:
13 de setembro de 2010 às 14:44

lol, é duro! A culpa é sempre do tempo ...

Abrenuncio Says:
13 de setembro de 2010 às 14:54

O mais chato é este assssobio irritante que me sssai da boca cada vez que falo.

Tulipa Negra Says:
13 de setembro de 2010 às 18:17

Pobre Abrenúncio... Não só está de chuva, como perde o dente, não consegue a loira e ainda tem pesadelos. Além de que pôr um pivô novo é caro e nunca se sabe se terá boa dicção para continuar a ler as notícias. :)

Brown Eyes Says:
13 de setembro de 2010 às 18:26

Também eu estou completamente a leste do paraíso artificial só espero não esbarrar com um post. Uma desgraça nunca vem só mesmo. Beijinhos

El Matador Says:
13 de setembro de 2010 às 21:15

@Tulipa Negra - Não há mal que lhe não venha.

@Brown Eyes -Pior que esbarrares num post é esbarrares num post como este (ehehehe).

luisa Says:
14 de setembro de 2010 às 22:38

É mesmo azarado este Abrenúncio... mas que tem uns sonhos (ou pesadelos) jeitosos...ah isso tem! A Loira e os dentes a comer bolinhos é do melhor... lol...

El Matador Says:
14 de setembro de 2010 às 22:43

ehehe

MZ Says:
16 de setembro de 2010 às 23:50

O raio do tempo prega-nos cada partida...

Abrenúncio... uma loira com pernas até ao pescoço?
Isso é um monstro!
Continuando com o terror, olha Abrenúncio, na minha terra sonhar com dentes é morte nos parentes.
E pronto!

MZ Says:
16 de setembro de 2010 às 23:55

Voltei...
El Matador, peço desculpa é que a última frase do meu comentário,(o ditado popular) foi sem intenção.

El Matador Says:
16 de setembro de 2010 às 23:58

E que belo monstro que era, ouvi dizer.

Diz que sim, que cada dente corresponde a um familiar.

Tulipa Says:
17 de setembro de 2010 às 17:20

Vi agora a foto do Abrenuncio!! Bom demais!! :)

El Matador Says:
17 de setembro de 2010 às 19:48

:D