Esmeraldina sugeriu (em tom de desafio) que conseguiria encontrar Romualdo, em qualquer parte do mundo, mesmo que este se escondesse no mais recôndito e inacessível dos lugares. Romualdo primeiro riu-se à gargalhada, mas depois, e como se ela não arredasse da ideia, aceitou o réptil. Esmeraldina era conhecida por esse mundo fora pelos seus dotes de investigadora. Era capaz de encontrar uma agulha num palheiro cheio de agulhas, dizia-se. Uma vez encontrou um homem perdido ainda antes de este perceber que estava perdido. O seu currículo era vasto e Romualdo sabia-o, no entanto julgava-se capaz de escapar àquele faro de raça lobo. A resposta estava no mundo virtual, mais propriamente na blogosfera. Pensava ele que ali estaria a salvo por tempo indefinido, entre poesia, fait-divers, fotografia, design, política, enfim, entre todo um mundo que, de tonitruante e sinuoso não deixava nada a dever à balbúrdia do mundo físico. Se bem o pensou, melhor o fez: com um clique rápido abriu o browser, acedeu ao blog do El Matador, escreveu a palavra passe e num estante cá estava ele, estendido ao comprido. Mal cá chegou descalçou logo os sapatos, parece que gosta de andar descalço na internet, agarrou nuns pedaços de bytes que encontrou espalhados pelo chão e com as mãos que vos escrevo deixou o seguinte recado para Esmeraldina:
Se me estás a ler é porque me encontraste.
Se não me encontraste, estou aqui.
Se me estás a ler é porque me encontraste.
Se não me encontraste, estou aqui.

