Quando Abrenuncio saiu da sala de espectáculos ia completamente jazzeado da cabeça. Acelerou o passo e desceu a rua ainda sob o efeito do martelar, aparentemente descoordenado, dos instrumentos de percussão. Inspirou e expirou como se preparasse para encetar um solo. A noite estendia-se pela frente como uma escala pronta a ser percorrida com os dedos e ele estava com o beat todo em cima, eléctrico e pronto para o concerto. Quando chegou ao Bar da Desgraça estavam lá todos; ninguém consegue escapar ao som das trombetas do demónio quando estas procedem à chamada. Pediu de beber e juntou-se à confusão, a jam estava ainda no início mas a estroinice já se tinha instalado. “Gosto disto” pensou consigo. Gostava de facto do inebriante vaivém das multidões, da vertigem e do desequilibrio. Com o canto do olho reservado às ramelas matinais descortinou-a no meio da multidão. Sóbria e elegantemente vestida como sempre, acompanhava-se da já habitual gente bonita. «Ah! Gente bonita...» Gritou Abrenuncio para dentro «Vocês são mais bonitos mas nós somos menos parvos» e nesse momento estalou um contrabaixo num walking febril como que a confirmar o seu juízo. Os trombones e os tambores juntaram-se à festa e criou-se ali um inferno jeitoso.
8 comentários:
15 de dezembro de 2009 às 20:43
wellcome back to hell
15 de dezembro de 2009 às 21:27
thanks.
15 de dezembro de 2009 às 21:58
He he he... trombetas
Ganda Matador e grande ambiente sonoro aqui criado!
Abraço
15 de dezembro de 2009 às 22:08
Só faltas tu na mesa de som ó Pierrot.
16 de dezembro de 2009 às 18:44
Abrenuncio isso é nome satânico, não?
16 de dezembro de 2009 às 18:53
Ahahahaha. Não,não, é uma das personagens recorrentes aqui nestas paragens.
17 de dezembro de 2009 às 20:09
Ok obrigado. Fiquei mais descansada. Já tinha mandado benzer um crucifixo. rssssssss
17 de dezembro de 2009 às 22:10
Não havia necessidade, hoje em dia até os vampiros são bonzinhos e parece que vão à escola e tudo.
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