<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308</id><updated>2012-02-17T01:09:44.982Z</updated><category term='Talking Heads - Fear of Music'/><category term='Trilogia Pascal - Parte I'/><category term='Sketches of Spain - Miles Davis'/><category term='Trilogia Pascal - Parte III'/><category term='Trilogia Pascal - Parte II'/><title type='text'>El Matador</title><subtitle type='html'>em busca do unicórnio cor-de-rosa invisível</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>277</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-2798753613678285793</id><published>2012-02-07T12:01:00.001Z</published><updated>2012-02-07T22:38:07.353Z</updated><title type='text'>A Automotora</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Em dias soalheiros de calor primaveril, Romualdo sente-se em baixo. Não lhe agradam as pessoas na rua que passeiam em manga curta como se não fosse Inverno. É um insulto à Natureza, pensa ele. O Inverno é uma estação de tragédia e calamidade; vai bem com trovoadas ribombantes e enxurradas devastadoras. Deve ser cinzento e frio, e escuro. Que vem a ser isto de passear no jardim e preguiçar nos bancos à beira ria.&amp;nbsp; Até os pescadores se desfazem em rasgados sorrisos para as objectivas dos turistas. E os turistas que fazem eles aqui? Vão-se embora, invectiva mentalmente Romualdo. Não há poesia nenhuma nas ruas cheias e luminosas deste Inverno. As vielas têm que estar desertas, como as folhas caídas que se movem num bailado fantasmagórico, embaladas pela ventania que ecoa nas paredes dos prédios. Que é isto de fazer piqueniques ao domingo como se não houvesse frio? Gostavam que nevasse na praia em pleno Agosto? Como é que uma pessoa pode trabalhar nestas condições?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Romualdo sente-se como um urso bipolar; e nisto chega à estação dos comboios, a única estação que o compreende. Junto à linha, um maquinista olha embevecido a sua automotora, que reflecte dourada o sólinho da manhã.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-2798753613678285793?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/2798753613678285793/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=2798753613678285793' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2798753613678285793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2798753613678285793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2012/02/automotora.html' title='A Automotora'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-4521837904918891447</id><published>2012-01-16T20:03:00.001Z</published><updated>2012-02-07T12:02:34.201Z</updated><title type='text'>Uma Questão de Nervos</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O homem tem uma reunião importante e já está atrasado, muito atrasado. A senhora idosa, munida de umas andas de quatro pernas, está parada no meio da passadeira exibindo um ar introspectivo. Há uns bons dois minutos que a cena dura;  o homem aperta o volante com as duas mãos como se este fosse o pescoço da velha; sua em bica e morde o lábio de nervosismo «não pode ser, isto não me está a acontecer» - rumina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A senhora no meio da estrada mostra-se indecisa, tenta lembrar-se de algo, parece ter-se esquecido do que a levou ali, como chegou e até de como se ir embora. Dá dois passos à frente, estaca, tenta fazer meia volta e queda-se pensativa. «Seria à farmácia que eu queria ir? Não, já fui ontem, deve ser à mercearia...P'ra que lado fica a mercearia?» O homem dentro do carro já tirou a gravata e agora apita como se estivesse num engarrafamento, mas não lhe vai servir de nada porque a senhora esqueceu-se do aparelho em casa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;«Espera lá...,Da mercearia não preciso de nada que eles levam-me tudo a casa, eu devo ir é à cabeleireira...» outra meia volta e mais dois passos em frente. Pára outra vez.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O homem puxa o cabelo para trás e desabafa ansioso «&lt;b&gt;velha do caralho nunca mais morre!&lt;/b&gt;» E nisto surge-lhe uma ideia luminosa: olha para a esquerda e para a direita e novamente para a esquerda, mira de soslaio o retrovisor, mete a primeira e arranca a patinar numa chiadeira de pneus estrondosa. A senhora é que não ouviu nada, nem o arrancar do motor, nem a barulheira dos pneus: esqueceu-se do aparelho em casa, já se disse.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-4521837904918891447?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/4521837904918891447/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=4521837904918891447' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4521837904918891447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4521837904918891447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2012/01/uma-questao-de-nervos.html' title='Uma Questão de Nervos'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-8376629281701273977</id><published>2012-01-13T18:48:00.000Z</published><updated>2012-01-13T18:48:03.618Z</updated><title type='text'>Uma Questão de Comércio</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-KDWZUEZgcAc/TxB6q42Ds0I/AAAAAAAAAWM/P5hW9VxpxBU/s1600/IMG_5181.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="256" src="http://4.bp.blogspot.com/-KDWZUEZgcAc/TxB6q42Ds0I/AAAAAAAAAWM/P5hW9VxpxBU/s400/IMG_5181.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O homem bêbado está apaixonado pela mulher do café. Então todos os dias vai ao estabelecimento e encosta-se ao balcão a beber &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;mines&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; e a suspirar. Passa os dias inteiros nisto: a beber e a admirar a apaixonada, com os olhos melosos de amor e bebedeira. Ela, uma vez por outra, sorri-lhe; pisca-lhe o olho, roça a mão na dele quando lhe entrega uma cerveja, incentiva-o. Não que goste dele, não, odeia bêbados; mas o homem é um bom cliente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-8376629281701273977?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/8376629281701273977/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=8376629281701273977' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8376629281701273977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8376629281701273977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2012/01/uma-questao-de-comercio.html' title='Uma Questão de Comércio'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-KDWZUEZgcAc/TxB6q42Ds0I/AAAAAAAAAWM/P5hW9VxpxBU/s72-c/IMG_5181.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-8657255827565746778</id><published>2012-01-12T20:51:00.000Z</published><updated>2012-01-12T20:51:00.755Z</updated><title type='text'>Uma Questão de Tempo</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;«Um poema por dia, não sabe o bem que lhe fazia» disse-lhe o médico. «Mas...é para ler ou  para escrever, doutor?» Questionou o homem. «Tanto faz!»&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O homem foi para casa, sentou-se à escrivaninha e desatou a escrever poemas. Primeiro foram-se-lhe as dores de cabeça, depois as dos ossos, a seguir as insónias e ao fim duma semana já nem sequer fumava. A notícia espalhou-se rápida pelo bairro, havia um poeta milagroso ali mesmo à mão de semear. Não durou muito tempo para que longas filas de enfermos se formassem à sua porta. O homem escreveu poemas a torto e a direito: alexandrinos, de verso livre, sonetos, o que melhor se adequasse à condição do doente. Dia e noite era só que fazia, escrever e escrever e escrever.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Os patos, os gansos e as galinhas que os clientes lhe deixavam em forma de pagamento não serviram de nada, e o homem um dia acabou mesmo por morrer de fadiga e à fome. Pelo bairro, no entanto, respirava-se um profundo ar  de saudável cultura e erudição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-8657255827565746778?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/8657255827565746778/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=8657255827565746778' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8657255827565746778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8657255827565746778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2012/01/uma-questao-de-tempo.html' title='Uma Questão de Tempo'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-8431496682254551941</id><published>2012-01-11T20:45:00.000Z</published><updated>2012-01-11T20:45:41.344Z</updated><title type='text'>Uma Questão de Energia</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-lpgurkn319E/Tw3zlbeCQGI/AAAAAAAAAWE/ZovwM7ruRw0/s1600/peido.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="249" src="http://3.bp.blogspot.com/-lpgurkn319E/Tw3zlbeCQGI/AAAAAAAAAWE/ZovwM7ruRw0/s320/peido.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Ora, depois de ouvir dizer que os hidratos de carbono e as leguminosas eram excelentes fontes de energia, o homem, decidiu comer uma feijoada antes de ir para o ginásio. Serviu-se de um prato generoso, enfardou como se tivesse a troika à perna e ala que lá vai ele para o ginásio. Um pouco ensonado, sim, mas sentindo realmente uma estranha energia.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Fez-se ao tapete rolante, furibundo, como quem diz «é hoje que eu te vou domar meu sacana». Pouco depois de começar a correr, em passo arrastado, notou uma estranha movimentação nos intestinos que se traduziu no comum peidar. Um, dois, três de seguida. A príncipio sentiu-se um pouco embaraçado mas depois reparou que cada vez que soltava uma ventosidade, um pequeno efeito propulsor empurrava-o para frente acrescentando um novo alento à corrida. «Eh lá! Afinal não é só quando um homem sonha que o mundo pula e avança».&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Às tantas dominou as contracções do intestino ao ponto de poder soltá-los a seu bel-prazer. Parecia uma mota a soltar rateres na Concentração de Faro. Correu desvairado, como se o vento o empurrasse. Naquele dia fez uns bons 5km, o que pare ele era um record pessoal, nunca antes havia passado da marca dos 300 metros.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Quando acabou, a sala estava vazia e a senhora da recepção apresentava um ar ligeiramente agoniado. Ele sentia-se um homem novo, mais leve, mais enérgico.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-8431496682254551941?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/8431496682254551941/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=8431496682254551941' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8431496682254551941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8431496682254551941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2012/01/uma-questao-de-energia.html' title='Uma Questão de Energia'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-lpgurkn319E/Tw3zlbeCQGI/AAAAAAAAAWE/ZovwM7ruRw0/s72-c/peido.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-4105576772906698008</id><published>2012-01-10T21:42:00.000Z</published><updated>2012-01-10T21:42:24.309Z</updated><title type='text'>Uma Questão de Código</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Se a rua está congestionada e o sinal dos peões, vermelho, o homem tenta a todo custo atravessar a estrada. Corre, atrasa o passo, desvia-se, equilibra-se em bicos de pés até conseguir por fim, chegar ao outro lado. Por outro lado, se o sinal está verde e  a estrada desocupada, o  homem queda-se estático em frente da passadeira.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; O homem não sofre de nenhuma perturbação mental e compreende perfeitamente o código da estrada. O que o homem não gosta é que lhe digam o que fazer. &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-4105576772906698008?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/4105576772906698008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=4105576772906698008' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4105576772906698008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4105576772906698008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2012/01/uma-questao-de-codigo.html' title='Uma Questão de Código'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7783840276545312360</id><published>2012-01-09T18:32:00.000Z</published><updated>2012-01-09T18:32:22.270Z</updated><title type='text'>Uma Questão de Espaço</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O homem passa sempre à mesma hora e assiste sempre ao mesmo filme: os arrumadores, muito juntinhos, formam um quadrado perfeito, virados uns para os outros, numa figura geométrica humana fechada em si mesmo. Ocupam somente uma pequena porção do passeio, um metro quadrado, admita-se. Entre os transeuntes que passam àquela hora, indíviduos que não têm o olhar treinado do homem, diz-se que por ali há tráfico de droga. Nada poderia estar mais longe da realidade, pensa o homem com um sorriso interno. O que o comum indivíduo não sabe; o que o cidadão cumpridor não sonha, é que é tudo uma questão de espaço. Os arrumadores são muito arrumadinhos: daí  o arrumarem-se, sempre àquela hora, uns aos outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7783840276545312360?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7783840276545312360/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7783840276545312360' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7783840276545312360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7783840276545312360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2012/01/uma-questao-de-espaco.html' title='Uma Questão de Espaço'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-1428613351924697476</id><published>2012-01-06T18:29:00.001Z</published><updated>2012-01-06T23:20:22.489Z</updated><title type='text'>Não Vai Nua</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A velha grita impropérios no meio da sala. Está senil e rabugenta, mas ainda mantém o grau superior de hierarquia e por isso respeitam-na. Não é bem respeito; é subserviência canina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; Pertencesse ela à nobreza e, talvez uma criança já lhe tivesse apontado com o dedo a nudez, que é evidente. Mas não sendo rainha, e como ninguém lhe quer ver o corpo nú: um corpo seco, engelhado, estéril; a velha grita e a escória abana o rabo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-1428613351924697476?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/1428613351924697476/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=1428613351924697476' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1428613351924697476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1428613351924697476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2012/01/nao-vai-nua.html' title='Não Vai Nua'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-4279836842704782487</id><published>2011-12-31T01:55:00.008Z</published><updated>2012-01-05T14:41:49.372Z</updated><title type='text'>Dedos que Procuram Aliviar Um Tal de Prurido Sub-Abdominal</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0wIANpoY2l0/Tv5qjxN53AI/AAAAAAAAAVc/u9C6CVsV9Kc/s1600/IMG_5357.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://2.bp.blogspot.com/-0wIANpoY2l0/Tv5qjxN53AI/AAAAAAAAAVc/u9C6CVsV9Kc/s320/IMG_5357.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Um poema senhor,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;pede o homem no  lugar da esmola;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Um poema apenas, um verso só: livre como se fosse  ruivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Das dores ninguém me cura e da morte ninguém me salva:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Um frase simples, um verbo...todas as palavras contam na vida, todas!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;As demais magoam as costelas, por isso há que contá-las...como os tostões.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Há que contá-las e rimá-las e confundi-las e acasalá-las, como se de amorzinhos se tratassem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Mas nada que rime com cordões...Nada!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Há o perigo de &amp;nbsp;induzir nas falanges mal intencionados, ruins, escabrosas, morgadas, adjectivas, veja só:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;ligações metamórficas dessa bolsa testicular, proverbial e rugosa, conhecida por:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Escroto!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-4279836842704782487?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/4279836842704782487/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=4279836842704782487' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4279836842704782487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4279836842704782487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/12/dedos-que-procuram-aliviar-um-tal-de.html' title='Dedos que Procuram Aliviar Um Tal de Prurido Sub-Abdominal'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-0wIANpoY2l0/Tv5qjxN53AI/AAAAAAAAAVc/u9C6CVsV9Kc/s72-c/IMG_5357.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-6240442650508479027</id><published>2011-12-31T01:15:00.000Z</published><updated>2011-12-31T01:15:49.950Z</updated><title type='text'>#271</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ao que parece, quando a senhora Parker levou o neto a visitar o museu de história natural de nova iorque, nunca lhe passou pela cabeça que o miúdo fosse picado por uma aranha radioactiva. Estremeceu a idosa senhora só de pensar nas consequências:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ai  mê deus – Disse ela como quem invoca...Deus. - E se o mê néte  desata a amarinhar p'las paredes sem mai' nem ménes, feite parve,  todo vestide de vermelhe e azúle como um maulquinhe qualquer saíde  do asile? Cruz Créde, livrai-nes senhôr.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Todos os dias úteis, vigiou a senhora Parker o sacrossanto neto, filho do seu filho, neto do seu avô, primo do seu primo, irmão da sua irmã, amigo do seu amigo. Mas nada! As mutações a nível celular que a senhora Parker temia, resquícios da radiação aracnídea: o lançar das teias, o sexto sentido , o subir p'las paredes, a agilidade de portageiro; nenhuma se revelou visível em tempo útil.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A única coisa que o TAC confirmou foi um cancro nos pulmões. O que muito aliviou a senhora Parker: lá em casa ninguém fumava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=y8AWFf7EAc4&amp;amp;ob=av2e"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=y8AWFf7EAc4&amp;amp;ob=av2e&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-6240442650508479027?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/6240442650508479027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=6240442650508479027' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6240442650508479027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6240442650508479027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/12/271_31.html' title='#271'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-3560008626923282238</id><published>2011-12-30T23:46:00.004Z</published><updated>2012-01-05T14:57:17.637Z</updated><title type='text'>White Russians (agora aprendeu esta dos títulos em inglês, diz que é para agradar a troika)</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-VKjymEaMZb4/Tv6PZhPovvI/AAAAAAAAAV0/Hnll2btAqxo/s1600/IMG_5352.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="216" src="http://4.bp.blogspot.com/-VKjymEaMZb4/Tv6PZhPovvI/AAAAAAAAAV0/Hnll2btAqxo/s320/IMG_5352.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A esperança é sempre a última a morrer, dizem eles. Ora eu, uma vez quando tinha para aí seis anos, ou sete vá, fui numa excursão a Sagres pela 125, não a azul, aquela da morte de que se fala tanto agora, e nisto o autocarro dá uma guinada forte para esquerda, seguido de uma para a direita, perde o controlo e  capota por uma ribanceira abaixo. Só parou por que havia lá embaixo umas rochas enormes que lhe serviram de travão. A minha colega de turma, a Esperança, moça  que eu gostava secretamente com afinco desde que tinha começado a gostar de pessoas, para aí aos cinco anos, foi a primeira a morrer. Eu sei porque os contei. Primeiro foi a Esperança, que foi cuspida pelo vidro da frente indo abrir o crânio de encontro a uma das rochas supracitadas. Depois foi o Gustavo que morreu esgasgado com o gelado que lhe entrou de supetão pela garganta adentro. A Adelaide, que era amiga da Esperança e tinha apostado que esta seria a última a morrer, também espatifou a fronte no granito. O Diogo e o Tiago morreram espezinhados quando toda a gente fugiu em debandada, e, como eram gémeos, quando um morreu o outro ressentiu-se morrendo também e vice-versa. Eu só não morri porque estava a dormir e, como cantou o bardo uma vez: &lt;i&gt;you are innocent when you dream.&lt;/i&gt; Além de que a morte é uma coisa séria; diga-se de passagem que eu, com seis anos, não estava nada preparado para morrer, por isso acho que tomei a opção correcta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ao que parece tudo aconteceu porque uma abelha entrou pela janela do motorista - é motorista ou condutor? Uma abelha, dizia eu, entrou pela janela do &lt;i&gt;chauffeur&lt;/i&gt; a zunir para a frente e para trás, tipo abelha Maia (lá está) mas sem a permanente, e o pobre homem, o desgraçado moço digo eu, olha-me para a abelha e  pensa: abelhas-flores-rosas. E nisto desata a invocar anos de outrora em que ofereceu pelo aniversário um ramo de rosas, a uma tia sua, mulher do seu tio, ou seja, tia emprestada, mas que era muita mais nova que o tio, muito bonita a magana,  que por coincidência era mais ou menos da sua idade, e que, também por coincidência era portadora de umas protuberâncias mamárias dignas de registo mental, ou até mesmo de registo físico, se é que existem actas para tal, e que ele sem querer, quando o tio não estava a ver, escorregou e acabou por fazer o amor com ela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A imagem da tia, que o visitava todos os anos por alturas das festas, alterou-lhe a disposição de  tal forma que, imaginem só, o sangue que normalmente irriga o cérebro e o coração e outras cenas do corpo humano, tipo, concentrou-se todo, feito parvo, no coitado do orgão do homem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ora, como todos sabemos, o efeito &lt;i&gt;erectus involuntarius, &lt;/i&gt;é uma das principais causas de morte  nas estradas deste país. Ainda o homem não tinha feito bem a ligação consciente entre a abelha e a tia mamalhuda, e já o orgão erecto estava a empecer com o volante da viatura, para a esquerda e para a direita, a torto e a direito, como se tivesse vida próprio, o bandido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Os olhos da Esperança eram verdes; verdes de Esperança, brincávamos nós quando a descreviámos ao Arnaldo que era um amigo nosso daltónico que não foi na excursão porque tinha acordado de manhã com uma diarréia por mór de comer muitos chocolates na véspera.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Anos mais tarde tive contacto com um filme que abordava a história verídica de um escocês &lt;i&gt;highlander&lt;/i&gt;, McClaúdio de seu nome, que, esse sim seria o último a morrer. Se a Esperança o tem conhecido a tempo, talvez nunca se lhe encasquetasse na cabeça que seria a última a ir. Hoje se calhar até podíamos estar casados há trinta anos, com pequenas esperançazinhas a correr pelo jardim, a puxar as orelhas ao labrador e a cantar o &lt;i&gt;atirei o pau ao gato. &lt;/i&gt;E daí talvez não: se bem me lembro, ainda a Esperança não tinha arrefecido já eu estava vidrado nos olhos azuis da Helena, que por sinal tinha as partes todas do corpo, que como vim a descobrir mais tarde: estavam todas no sítio certo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Para a &lt;a href="http://fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/"&gt;Fábrica de Letras&lt;/a&gt;&amp;nbsp;- Crise&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Md7iv0Rg1LU&amp;amp;feature=related"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=Md7iv0Rg1LU&amp;amp;feature=related&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=IbOvre8fXks"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=IbOvre8fXks&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-3560008626923282238?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/3560008626923282238/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=3560008626923282238' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3560008626923282238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3560008626923282238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/12/white-russians-agora-aprendeu-esta-dos.html' title='White Russians (agora aprendeu esta dos títulos em inglês, diz que é para agradar a troika)'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-VKjymEaMZb4/Tv6PZhPovvI/AAAAAAAAAV0/Hnll2btAqxo/s72-c/IMG_5352.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-5190312408211800237</id><published>2011-12-29T14:22:00.001Z</published><updated>2011-12-29T14:52:13.938Z</updated><title type='text'>Charles, You Naughty Boy!</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Quando acordou já o natal tinha passado. Teria mesmo? Olhou ao relógio para confirmar: terça-feira, 11 da manhã. Uau, desta vez foi em forte. Começou a beber ainda não eram vésperas, e agora, tinham passado dois dias. Objectivo concluído, pensou, passar o natal sem dar por isso; de fininho, como quem não quer a coisa, assobiando se possível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Tinha ouvido algures que os cocktails eram constituídos por, pelo menos 3 bebidas, e por isso decidiu fazer uma experiência: misturar vodka, com vodka e vodka. Bombástico sem dúvida. Perigoso? Talvez. Quando um homem se julga um avião e quer à força atirar-se de um primeiro andar como baptismo de voo, a palavra ‘perigoso’ é sempre amparada por ditados populares que garantem a indestrutibilidade do sujeito ébrio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O natal tinha sido até então, sinónimo de angústia, hipocrisia, solidão e comércio. Naquela noite porém, havia magia no ar; magia natalícia talvez? Não! Ilusionismo etílico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Sentiu-se um outro homem, um super-homem; ansiava pela salvação das pessoas, desejou ter uma capa vermelha. Embora as ruas estivessem desertas, silenciosas, escuras até, havia sempre um ou outro sem-abrigo com quem confraternizar. Estes sujeitos são meus irmãos de circunstância, reflectiu, e então partilhou a vodka, à volta da fogueira improvisada, num postal de natal urbano onde só faltavam a vaca, o burro e o menino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Os sem-abrigo acolheram com carinho aquela alma, que tinha vestido umas cuecas vermelhas por cima das calças da ganga e que dizia ser do planeta Krypton. É muito simples, explicava-lhes, com os óculos sou o Clark Kent, sem os óculos sou o super-homem. Punha e tirava os óculos para exemplificar; os indigentes riam cada vez mais desbragados. A garrafa rodava de mão em mão no sentido dos ponteiros do relógio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Agora está acordado na cama com uma ressaca de dois dias e uma música sentada no cérebro. &lt;span lang="EN-US"&gt;Trauteou com voz de catarro e bafo-de-onça, &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;you’re a bum, you’re a punk,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;you’re an old slut on junk, &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;lying there almost dead on a drip in that bed&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;Que pena não estar em nova Iorque, a música faria bem mais sentido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Quem serei eu no presépio, interrogou-se. A vaca, o burro ou o menino?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Mais um ano, novo outra vez, como todos os outros. Bah! Os melhores anos tinham sido aqueles de que não se lembrava. 2012! Nossa senhora, parece que este é que vai ser. O mundo a acabar e mais não sei o quê. A culpa é dos Maias: aquela história do Carlos ter andado a comer a irmã tinha que dar em merda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HwHyuraau4Q"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=HwHyuraau4Q&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-5190312408211800237?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/5190312408211800237/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=5190312408211800237' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5190312408211800237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5190312408211800237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/12/charles-you-naughty-boy.html' title='Charles, You Naughty Boy!'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7085706000385029622</id><published>2011-12-23T20:14:00.002Z</published><updated>2011-12-23T21:41:34.740Z</updated><title type='text'>A Conversão</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A princípio pensou ter  passado por cima de um anúncio da coca-cola. Só depois é que viu que tinha atropelado o pai natal. Saiu do carro, coçou a cabeça embaraçado: olha que chatice, não vem nada a jeito. As renas que sobreviveram levantaram voo a coxear, deixando para trás aquele som característico de guizos desafinados. O pai natal jazia inerte na berma da estrada. O fio de sangue que lhe escorria pela boca parecia querer juntar-se ao traço contínuo. 24 de dezembro à noite numa estrada deserta, as lojas todas fechadas; só existe uma solução possível, pensou Abrenúncio: enterrar o pai natal e rezar para que o menino jesus exista mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Chegou a casa com cara de caso a assobiar e a mulher pensou que estivesse bêbado. Ao longo da noite e sempre que alguem mencionava o velho lapão, Abrenúncio assobiava. Que grande camada, pensava a mulher.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;No dia seguinte, de manhãzinha cedo, ainda envolto nos restos da teia onírica, Abrenúncio acordou sem ressaca, e, qual criança ansiosa correu para a sala. Lá estava ela, a árvore de natal com as luzinhas dos chineses a piscar, repleta de embrulhos pela base. Afinal era verdade, ele existia mesmo, louvado seja, balbuciou, numa conversão relâmpago. Pouco depois já os putos gritavam alegria e excitação ligados à playstation III. A mulher, com um sorriso que lhe ia de uma orelha à mesma, pois dava a volta à cara toda, babava-se em frente da bimby ao mesmo tempo que lhe tirava fotografias com o novo iphone4. Tu não és nada um bêbado,  gritava ela para Abrenúncio, tu és é um amor, ouviste? Um AMOR!  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Abrenúncio decidiu então com um assobio, que agora já se lhe tornara num tique nervoso, que aquilo devia ser um dos tais milgares de natal que tanto ouvira falar. Sentou-se à frente do computador e foi à página do menino jesus no facebook. Carregou no botão &lt;i&gt;gosto,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;coisa a que o facebook retribuiu de imediato: &lt;i&gt;gostas disto&lt;/i&gt;. É que gosto mesmo, sublinhou Abrenúncio em voz alta. ÉS UM AMOR! Gritou-lhe a mulher, da cozinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7085706000385029622?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7085706000385029622/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7085706000385029622' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7085706000385029622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7085706000385029622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/12/conversao.html' title='A Conversão'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-353268118977024887</id><published>2011-12-16T20:49:00.001Z</published><updated>2011-12-16T21:13:54.112Z</updated><title type='text'>Pedro e o Lobo</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Pedro era um rapaz bem apresentado e muito vistoso, pelo menos se levarmos em conta o ponto de vista das raparigas, que se enchiam de sorrisos e de chiliques cada vez que Pedro se acercava delas. Raparigas estas que Pedro, em guisa de retribuição, se esforçava por impressionar cada vez que desmontava da sua bicicleta branca de freestyle, que o pai lhe comprara. Ora, sendo Pedro um moço absolutamente banal, desinteressante mesmo, sem nenhuma qualidade extraordinária a que se lhe dissesse benza-o Deus, não restava muito com que impressionar as moçoilas. E assim, sem querer, ou talvez de propósito, Pedro, ao longos dos anos acabou por desenvolver uma tendência patológica para a mentira. Quando chegava ao pé da meninas com as calças cheias de pêlo, por ter estado a brincar com o caniche de estimação, Pedro metamorfoseava a narrativa de tal forma que aquilo que lhe acabava por sair da boca, para grande espanto e excitação das raparigas, era que tinha entrado em confronto directo com o Lobo. A escolha do Lobo aqui é evidente uma vez que Pedro conhecia bem a carga sexual que as histórias com  lobos costumam acarretar, veja-se o caso do Capuchinho Vermelho que ia sendo comida por um.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Volta e meia chegava Pedro desarvorado no seu  alvo rocinante, arfante, aos gritos: é o Lobo, é o Lobo!!!  E logo as criaturinhas largavam todas num correria histérica de mãos no ar, soltando ais e uis demonstrando bem a vontade que tinham em não ser comidas (ainda).  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Passado o susto inicial e certificando-se que não havia sinais de Lobo nas redondezas, voltavam pouco a pouco ao café central apenas para encontrar Pedro, de peito cheio, numa pose garbosa de matador, a sacudir o pó dos ombros. Depois começava o fogo de artifício mitómano. Pedro desfiava um chorrilho de patranhas, de como tinha feito frente ao Lobo e lhe tinha arrancado o pêlo e lhe  tinha dado uma coça que ele nunca mais se esqueceria e por aí fora, e entretanto as miudinhas suspiravam e mordiam os lencinhos, e uma sensação agradável descia-lhes ao baixo ventre e tremiam-lhes as pernas. Pedro era um héroi...E tão bonito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ora, o problema das cidades pequenas é que toda a gente sabe tudo de todos, e a história acabou por chegar inevitavelmente aos ouvidos do Lobo.  Este cofiou a barba, num gesto de quem acaba de ouvir uma história interessante, verbalizando-o até: Hummm, que interessante!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Numa noite de sexta-feira em que Pedro se dirigia à baixa, todo preparado para se autopromover à conta do Lobo, deu de caras com o próprio numa travessa escura e pouco frequentada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O Lobo, que era de poucas palavras, sendo o animal de acção que todos conhecemos, logo ali o sodomizou à bruta. Depois acendeu um cigarro com o ar mais &lt;i&gt;cool&lt;/i&gt; alguma vez visto numa história infantil. Agora já tens uma história para contar, disse o Lobo com desprezo, e nisto virou-lhe as costas e foi-se embora, não sem antes soltar dois uivos prolongados à lua.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;No chão ficou Pedro lavado em lágrimas, chorando copiosamente baba e ranho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O que mais custava a Pedro não era o tremendo ardor que sentia subir-lhe pelo ânus;  nem sequer por não se conseguir sentar ou andar a direito, a dor de Pedro  tinha outras origens: sobrevinha de lhe ter caído a máscara. Agora já não se podia mais esconder, o Lobo sabia quem ele era.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-353268118977024887?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/353268118977024887/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=353268118977024887' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/353268118977024887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/353268118977024887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/12/pedro-e-o-lobo.html' title='Pedro e o Lobo'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-2485382471579813512</id><published>2011-12-07T19:43:00.001Z</published><updated>2011-12-07T22:43:47.239Z</updated><title type='text'>Ali Vai o Homem</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Hermenegildo, o homem, depois de um apurado estudo sobre a sua condição socio-económica, depois de um extensivo corte nas gorduras quotidianas, de um apertar de cinto radical nos vícios, de um auto-controlo espartano na alimentação, Hermenegildo, o homem, criativo que era, sonhador de nascença, decidiu dar um passo mais à frente na corrida contra a dívida, que o senhor primeiro ministro dizia ser de todos, ainda que ele não devesse nada a ninguém.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Hermenegildo, o homem, naquela manhã de nevoeiro, tomou a decisão de poupar no oxigénio. Dali em diante não respiraria mais às terças e quintas. Dois dias por semana: um pequeno esforço para o indivíduo, mas um salto gigantesco para a Nação. Hermenegildo, o homem, seria o novo farol de Alexandria da poupança nacional e quiçá do mundo, um exemplo a seguir, uma história para se contar às criancinhas na escola primária em dias de chuva. Ali vai Hermenegildo, diriam as pessoas, o homem que deixou de respirar para ajudar o país, e aplaudiriam, e Hermenegildo, modesto que era na sua criatividade e engenho, acenaria um tanto ou quanto incomodado com a distinção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Na manhã seguinte à manhã de nevoeiro em que tomou a decisão, era uma terça-feira e também estava nevoeiro. Hermenegildo levantou-se, tomou o café sem açucar, sentou-se na cozinha e deixou de respirar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O sucesso foi imediato e superou todas as expectativas, um dia apenas e nunca mais Hermenegildo teve que repetir o sacrifício.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-2485382471579813512?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/2485382471579813512/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=2485382471579813512' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2485382471579813512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2485382471579813512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/12/ali-vai-o-homem.html' title='Ali Vai o Homem'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-3180363963936739205</id><published>2011-11-23T20:18:00.001Z</published><updated>2011-11-24T13:37:59.126Z</updated><title type='text'>Arbeit Macht Frei</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;A Formiga fartava-se de trabalhar o ano todo. Na Primavera, à soalheira do Verão, no Outono, enfim...Uma canseira daquelas de raça lobo, tudo para poder ter um Inverno no sossego do Senhor. Quando se levantava de manhã, ainda antes do sol nascer, para ir para a fábrica, assistia ao espectáculo que era a Cigarra a chegar a casa de táxi, ainda bêbada da noite. Excitada, e como gostava de dar nas vistas, a Cigarra, ao ver as formigas em fila indiana, desatava numa cantoria despegada: &lt;i&gt;&lt;b&gt;Ó GENTE DA MINHA TERRAAAAA!!!&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;- Dava uns goles no que restava da garrafa de vodka, gargalhava disparatadamente e entrava em casa, onde se punha a dormir o dia todo.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Eram da mesma a idade, a cigarra e a formiga. Tinham andado à escola juntas. Depois a formiga seguiu o seu destino de operária e a cigarra o caminho da juventude partidária. A formiga não odiava a cigarra, não, antes invejava-a.  De manhã, quando ao frio assistia à chegada da cigarra de mais uma festa glamorosa, não podia se não quedar-se a imaginar como seria ir a um evento daquela espécie, com roupas bonitas, gente alegre e comida à farta. Sobrava-lhe apenas o consolo de saber que o  trabalho esforçado, de muitas horas, muitos dias e muitos meses, o trabalho honrado como era o seu, um dia, no futuro, proporcionar-lhe-ia os momentos de descanso e de lazer que ela tanto cobiçava à Cigarra. &lt;i&gt;Talvez até ir de férias – &lt;/i&gt;sonhava a Formiga.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Um dia, depois de mais uma longa jornada de trabalho, estava a Formiga a descansar quando recebe a inusitada visita do La Fontaine. Desconfiou. De cenho carregado, mandou-o entrar.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;La Fontaine, já  à vontade na casa da Formiga, como qualquer patrão, começou a falar com  os gestos largos e abundantes, típicos das falas mansas que antecedem as más notícias.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- Tenho  boas notícias – Começou La Fontaine – Vais manter o emprego. A  Formiga suspirou de alívio.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- No  entanto... – A Formiga sabia que tinha que haver um “no  entanto”, o patrão não tinha ido a sua casa só para lhe  confirmar o posto de trabalho. E La Fontaine prosseguiu em tom de  choradinho, que a crise também tinha chegado em força ao mundo das  fábulas, que tinha havido uns investimentos mal pensados por parte  da Cigarra, que os mercados estavam chateados, enfurecidos mesmo,  blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá e que por tudo isso  vinha aí a austeridade: mais horas de trabalho, menos ordenado,  férias? Nem pensar nisso nos próximos anos, temos é que trabalhar  mais, muito mais, para que os mercados voltem a ganhar confiança na  Cigarra, sem isso, a fábula não funciona.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- Sabes  como é, Formiga, a fábula precisa do esforço de todos nós, somos  todos parte integrante desta imensa e generosa fábula. Temos todos  que desempenhar o nosso papel.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- E  qual é o meu papel? – perguntou a formiga com voz de olheiras.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- Bom...O  meu é escrever – Pigarreou La Fontaine -  O da Cigarra é cantar, &amp;nbsp;e o teu é trabalhar. Mas não penses que o teu papel é menos  importante que o meu ou o da Cigarra, não, não fiques com essa  ideia, cada função é essencial para a fábula. A fábula é a  soma das partes.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O importante é não irritar os mercados. Lembra-te  que da última vez que os mercados se chatearam o Lobo Mau comeu a  Avózinha. Percebeste?&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;A Formiga fez que sim com a cabeça e foi deitar-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;De manhãzinha enquanto se preparava para trabalhar, ouviu a gritaria da Cigarra: &lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Ó GENTE DA MINHA TERRAAAAA!!!&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Helvetica Neue', Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Três pensamentos assaltaram-lhe o espírito: o primeiro foi suicidar-se, o segundo foi revoltar-se nas ruas, o terceiro foi matar a Cigarra. Mas, como era uma formiga de hábitos brandos,  vestiu o casacão e saiu para trabalhar. &lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Helvetica Neue', Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;"&gt;Ao mesmo tempo, noutro canto da fábula, Abrenúncio passeava no jardim com sangue a pingar-lhe do nariz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-3180363963936739205?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/3180363963936739205/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=3180363963936739205' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3180363963936739205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3180363963936739205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/11/arbeit-macht-frei.html' title='Arbeit Macht Frei'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-5898324937185675271</id><published>2011-11-10T17:55:00.000Z</published><updated>2011-11-10T17:55:46.588Z</updated><title type='text'>Septoplastia - It's a Bitch!</title><content type='html'>Há sangue e ranho por todo o lado, por isso, nos próximos tempos não contem comigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-5898324937185675271?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/5898324937185675271/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=5898324937185675271' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5898324937185675271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5898324937185675271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/11/septoplastia-its-bitch.html' title='Septoplastia - It&apos;s a Bitch!'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-819554643045480157</id><published>2011-11-05T20:24:00.000Z</published><updated>2011-11-05T20:24:13.033Z</updated><title type='text'>X</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Labregoísio era um indivíduo que só compreendia o que via com os olhos, ou o que conseguia visualizar na cabeça. Só compreendia imagens, portanto. E por isso era pouco dado à poesia e às artes abstractas e à matemática, que diga-se, fora o seu terror na juventude. Quando na escola lhe pediam para descobrir X, Labregoísio, em modo de piloto automático imaginava-se logo um detective de gabardine e cachimbo na boca, qual  Sherlock Holmes, à procura do tal X. &lt;i&gt;Quem será este X e porque andará toda a gente à procura dele? -&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;imaginava Labregoísio. E a partir daí, via a incessante demanda de um homem solitário em busca de um ser cruzado, que quase sempre era alvo de operações obscuras para ser encontrado. Abstraía-se muito mas nunca conseguia abstraccionar-se.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Para ele, o amor era um coração sangrento atravessado por uma seta. E quando lhe falavam da dor, dessa dor que não é física, que não se vê, daquela que sofrem os apaixonados e os lunáticos, ele à falta de melhor ia buscar a imagem do coração e da seta; e foi assim que deduziu sozinho que paixão era sinónimo de sofrimento.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Era um homem simples e não se importava de todo quando lhe gritavam: &lt;i&gt;&lt;b&gt;queres que te faça um desenho?&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;Pelo contrário, mostrava-se agradecido e encantado com a gentileza de quem se dispunha a ajudá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O que não via não lhe afectava, &amp;nbsp;por isso era um homem feliz; e foi assim que deduziu sozinho que o que os olhos não vêem, o coração não sente.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Também nunca chegou a encontrar o tal X.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-819554643045480157?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/819554643045480157/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=819554643045480157' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/819554643045480157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/819554643045480157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/11/x.html' title='X'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-8296803745329021613</id><published>2011-10-21T10:59:00.001+01:00</published><updated>2011-10-31T16:16:49.537Z</updated><title type='text'>Despertemos!</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Todos os dias de manhã, duas senhoras testemunhas de Jeová pedem-me encarecidamente para lhes jogar a literatura para o lixo. Passa-se mais ou menos assim:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Bom dia jovem (gosto), importa-se de nos fazer um favor e jogar este exemplar do &lt;i&gt;Despertai!&lt;/i&gt; para o lixo?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Com certeza – Respondo educadamente, e imbuído de um espírito escoteiro que nunca tive lá carrego o panfleto até ao balde de lixo mais próximo. É uma sensação boa, esta de ajudar as pessoas logo pela manhã.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Agora para algo completamente diferente; &lt;i&gt;Despertai!&lt;/i&gt;? A sério? Para acordar já tenho dois dispositivos lá em casa: um que me assusta, outro que me deixa em pânico, ambos são irritantes. Minhas senhoras, do que eu preciso de manhã é de um balde de café forte, mas como o médico me cortou a cafeína finjo que desperto com o sucedâneo descafeinado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Como declaração de interesses devo ainda esclarecer que a única crença que me move é a do &lt;b&gt;Unicórnio Cor-de-Rosa Invisível&lt;/b&gt;, como é atestado no frontispício. Gosto de seres místicos e alados. Ainda não o vi porque é invisível, tenho fé no seu poder porque consegue ser cor-de-rosa ainda que invisível, acredito que criou o mundo porque ainda não me provaram o contrário.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-8296803745329021613?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/8296803745329021613/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=8296803745329021613' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8296803745329021613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8296803745329021613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/10/despertemos.html' title='Despertemos!'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-2204617505932167128</id><published>2011-10-14T19:55:00.002+01:00</published><updated>2011-10-14T19:55:43.990+01:00</updated><title type='text'>A Escolha</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O senhor Hermenegildo Bagarrão não sabia se havia de comprar o bilhete para o jogo ou de almoçar. Era uma chatice cada vez que se punha a pensar no assunto, e, como o jogo estivesse quase no início, ponderou. O que é o dinheiro se não uma mera formalidade envolvida na troca de bens e serviços; o jogo é um serviço. A comida é uma satisfação... necessária? Perguntou-se. Segurou a barriga com ambas mãos e apertou os pneus -  A Zubaida passa a vida a dizer que tenho que perder isto – Posso começar agora. A ideia da mulher trouxe de arrasto a imagem dos filhos, há que pensar neles, é imperativo. - Os putos comem na escola! - Assunto arrumado. Como era um católico fervoroso às vezes, veio-lhe à ideia, à laia de alívio de consciência,  frases soltas que o senhor prior proferia aos domingos -  a carne é fraca, o espírito é eterno, a salvação da alma é mais importante que a do corpo – frases que o incomodaram, é certo, no passado mas que agora se revestiam de alento. Que mais poderia ele fazer se não esquecer o corpo e alimentar a alma? Que melhor colírio para o espírito do que assistir aos golos do seu clube do coração.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Além disso, quantos dias pode um homem passar sem comer, trinta? Quarenta? Dava para assistir a pelo menos quatro jogos. É sabido que sem bebida é que um indivíduo não pode passar, é fatal dizem eles,  mas quanto a isso estava garantido: tinha o frigorífico carregado de minis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-2204617505932167128?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/2204617505932167128/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=2204617505932167128' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2204617505932167128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2204617505932167128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/10/escolha.html' title='A Escolha'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-3818290976343947079</id><published>2011-09-21T16:47:00.002+01:00</published><updated>2011-10-05T16:03:10.664+01:00</updated><title type='text'>#259</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Na cidade pequena confunde-se a grandeza com prédios altos. Descaracterizada, a cidade cresce para cima. As pessoas pequenas da cidade pequena sobem ao topo dos prédios altos e julgam-se grandes; olham para baixo e para a frente, abarcam o horizonte com gestos largos e dizem: - tudo isto é meu! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;As pessoas pequenas da cidade gostam de usar frases grandes para dizer pouca coisa; na sua avaliação constante da grandeza julgam-na intimamente ligada ao comprimento da gramática. É tudo uma questão de métrica dizem uns, ou mesmo quilométrica apressam-se a afirmar outros. O progresso na cidade pequena faz-se na periferia em abandono do centro. As pessoas pequenas têm horror ao centro onde toda a gente anda a pé. Andar a pé não é progressivo, dizem gramaticalmente quilométricas: -&amp;nbsp;Como pode ser isso então? Se assim fosse Deus nunca teria criado os automóveis. Antigamente no centro, as casas eram pequenas e singelas e nisso residia toda a sua grandeza; depois vieram as pessoas pequenas e elevaram construções grandes para poderem lá do alto ver melhor as luzes da periferia. A periferia, que é onde está o progresso assemelha-se a uma feira. Para as pessoas pequenas o progresso, as luzes brilhantes e a algazarra andam de mãos dadas com progresso. Se Deus não quisesse ruído não tinha inventado as buzinas – dizem eles- e buzinam noite fora, cheios de progresso e grandeza.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Outro sinal de indefectível grandeza das pessoas pequenas, são as estradas. As estradas são a seiva que corre nas veias das pessoas da cidade pequena. É na estrada que comem bebem e convivem. É na estrada que riem e choram. O indivíduo pequeno na cidade pequena só se sente definitivamente grande quando está junto a uma estrada ou em cima dela, e, como se sentia incompleto por nunca ter estado debaixo de uma, foi alcatroado o cemitério. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;As pessoas pequenas da cidade pequena, sentem-se orgulhosas da sua obra e dizem: somos uma cidade grande – somos uma grande cidade. Dizem isto porque não compreendem o conceito de relatividade. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-3818290976343947079?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/3818290976343947079/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=3818290976343947079' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3818290976343947079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3818290976343947079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/09/260.html' title='#259'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-2866320277610628224</id><published>2011-09-19T21:23:00.000+01:00</published><updated>2011-09-19T21:23:58.885+01:00</updated><title type='text'>...A Sul</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;…Tenho saudades da chuva. De andar de botas de água a chapinhar nas poças, admirar os girinos e apanhar agúidas. De patinar na lama e ver os outros atascados como se afundassem em areias movediças. Uma vez um amigo meu, cujo nome já não me lembro, num desses concursos de &lt;i&gt;atolance, &lt;/i&gt;ficou de tal forma atolado que quando o puxámos, as botas ficaram lá, e ele teve que ir em meias para casa e da rua ouviram-se os gritos da sua mãe.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Mas aqui já não chove e agora já não há terra para fazer lama para os miúdos se poderem atolar. Há no entanto, muitos prédios que fazem sombra e carros que passam muito depressa, e jardins que nunca o foram senão em projecto, por isso os miúdos, podem não brincar na lama nem apanhar agúidas, mas podem engordar à sombra ou ser atropelados, o que é muito mais excitante.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Tenho saudades do frio. De dormir aconchegado por debaixo de mantas e &lt;i&gt;edredons&lt;/i&gt;. Lembro-me de ir para a escola, a bater o queixo, com a roupa vestida por cima do pijama, de usar cachecol, luvas e gorro, acessórios que hoje me parecem um tanto estranhos quando me falam deles. Hoje durmo nu, o que também é divertido, mas há um tempo para tudo na vida de um indivíduo. O bafo quente que sopra do&lt;i&gt; Sahara&lt;/i&gt; avança de dia para dia, como uma maré silenciosa de areia e mistério. Os meus olhos mudam de cor; do azul do mar para o castanho das dunas. As dunas são vagas que avançam silenciosas, áridas, desérticas, altas como &lt;i&gt;tsunamis&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Na televisão, de vez em quando, falam do sul; o sul isto, o sul aquilo…Mas o sul onde eu vivo é outro: é um sul que fica a sul do sul. Para lá disto não existe mais nada, só o deserto, que é o norte de coisa nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Queixo-me de barriga cheia. Sou um ingrato. Dormir nu não é mau. Costumo acordar e espreguiçar-me longamente na varanda aproveitando o fresquinho da manhã. Os meus vizinhos é que não gostam nada, ficam logo mal dispostos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-2866320277610628224?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/2866320277610628224/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=2866320277610628224' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2866320277610628224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2866320277610628224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/09/sul.html' title='...A Sul'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-4697517062974906795</id><published>2011-09-05T11:48:00.001+01:00</published><updated>2011-09-05T11:49:45.225+01:00</updated><title type='text'>O Mar Cruel, O Mar Cruel...</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- O que fazer quando não temos um livro para ler?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Podes sempre escrever um.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- É uma ideia mas não saberia por onde começar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Começa pelo princípio, é sempre um bom começo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- No princípio era o verbo, depois apareceram os surfistas. Eram dois. Dois mais a assistente da praxe a acompanhar. Podia ser irmã, namorada, prima, escolhe tu, o parentesco não interessa aqui. É engraçado como o idílio da maioria das pessoas reside na proverbial praia deserta, com os coqueiros a abanar ao vento e o mar azul, mas se reparares bem, as pessoas na praia gostam é de estar amontoadas em grupos enormes muito colados uns aos outros; mesmo que exista ali ao lado um areal imenso para desbravar, &amp;nbsp;vão colocar a sombrinha onde estiver mais gente…&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não respeitam a distância higiénica.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Exacto, nem a física, nem a mental. Dizia eu que os surfistas eram dois, mais a rapariga para impressionar claro está. O mar? Estava raso. Raso digo-te eu. Parecia um tapete azul muito esticado, sem um vinco, sem uma ruga que fosse. No entanto os moços vestiram os fatos de pinguim e fizeram-se ao mar na mesma. A miúda despediu-se deles emocionada, de lágrima fácil no canto do olho, como que antecipando uma viuvez anunciada; porque isto de um homem ir para o mar já se sabe…&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E eles lá foram, com a água pelos joelhos; rasinha, &lt;i&gt;flat&lt;/i&gt; como eles dizem, porque um homem nunca não desiste, não é?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Montaram-se nas tábuas, com o elástico preso ao artelho, e ali ficaram, a mirar o horizonte. Passado um bocado remaram para a esquerda e quedaram-se a olhar para o horizonte mais um bocadinho. Depois remaram para a direita e lá estava o horizonte no mesmo sítio, e eles olharam para ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A rapariga também fitava o horizonte, ansiosa; quando voltariam os seus homens? E chegariam salvos? De fundo ouvia-se, não sei vinda de onde, a Canção do Mar, versão Dulce Pontes, como se fosse o vento a assobiar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A páginas tantas, os moços saltaram das tábuas e, com a água pelos joelhos, assim como entraram, saíram do mar. Estavam estafados, moídos, que isto de olhar o horizonte também cansa, porra.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A moça, qual Penélope, ao ver chegar não um Ulisses mas dois, não se conteve mais, ajoelhou-se a beijar a areia e agradeceu a Deus e à Nossa Senhora dos Navegantes e a Poseidon e a Neptuno, que se não me engano são a mesma pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eles, finalmente em terra firme, espetaram as tábuas na areia, abancaram de encontro às dunas e comeram &lt;i&gt;croissaints&lt;/i&gt;. Estranhamente pareceram-me mais loiros do que quando chegaram.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Então, o que é que achas?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- A próxima vez que fores para a praia não te esqueças do livro em casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-4697517062974906795?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/4697517062974906795/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=4697517062974906795' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4697517062974906795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4697517062974906795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/09/o-mar-cruel-o-mar-cruel.html' title='O Mar Cruel, O Mar Cruel...'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-22789264672885077</id><published>2011-09-02T14:35:00.001+01:00</published><updated>2011-09-02T17:57:03.144+01:00</updated><title type='text'>#256</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Gervásio, o Cruel, mastigava furioso um naco de carne em sangue, o maior da travessa, porque era o chefe. Levava a comida à boca com as mãos e limpava-se com as costas das mesmas, por isso a gordura espalhava-se-lhe pela barba comprida e escorria-lhe dos pulsos. Gervásio, o cruel, era o chefe, o líder da tribo, e, por isso tudo lhe era permitido, desde o comer com as mãos ao soltar flatulências sonoras em pleno banquete. Quando isso acontecia, os convivas quedavam-se num silêncio completo, atemorizados só de pensar na ira anunciada de Gervásio, o cruel. Este no entanto começava por exibir um sorrisinho cínico que nascia no canto direito da bocarra e alastrava-se como um tremor de terra por toda a cara até se transformar numa ribombante gargalhada. Os bobos e outros saltimbancos, mais atentos às &lt;i&gt;luas&lt;/i&gt; do líder, largavam aos saltos e pinotes cantando em falsete e batendo em latas. Era o sinal de que tudo estava bem, que a situação não era incómoda nem de terror, antes de alegria e celebração, então toda a corte largava numa saudável salva de palmas, o que muito agradava a Gervásio, o Cruel. A interpretação dos arlequins podia salvar vidas, ou acabar com elas. Um sorriso mal colocado, ou a falta dele logo a seguir a uma anedota sem piada do líder podia ser o suficiente para um indivíduo se auto-sentenciar à morte.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Gervásio, o Cruel, não era o mais forte, nem o mais inteligente, nem sequer o mais hábil membro da tribo, era sim o mais Cruel, e por isso se tornara chefe, e por isso era temido.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um dia, um caixeiro-viajante de outro reino, ao jantar na corte com Gervásio, o Cruel, reparou que este comia com as mãos. Então lembrou-se como gesto de cortesia e de apreço pelo anfitrião oferecer-lhe um conjunto de talheres de prata.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Para que serve isto? – Inquiriu curioso Gervásio, o Cruel.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- É para comer majestade! – E como se o outro apresentasse um ar de ignorância bovina, apressou-se a demonstrar-lhe com a faca e o garfo cortando-lhe um perfeito filete de lombo assado. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Gervásio, o Cruel, segurou o garfo com espanto, passou-o de uma mão para a outra, observou-o atentamente, e, com um gesto relâmpago espetou o utensílio no olho direito do viajante. Acto contínuo arrancou-lho da órbita e meteu-o na boca. Na sala era o vácuo, os saltimbancos há muito que se haviam escondido debaixo da mesa.&amp;nbsp; Depois de mastigar vagarosamente, Gervásio, o Cruel sentenciou:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- O olho é bom! – E nisto peidou-se ruidosamente. Os bobos largaram de imediato aos saltos e aos gritos na barulheira habitual e toda a gente na corte fez o que habitualmente fazia quando o líder se peidava, bateu palmas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-22789264672885077?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/22789264672885077/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=22789264672885077' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/22789264672885077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/22789264672885077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/09/256.html' title='#256'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-4874836907832106578</id><published>2011-08-07T21:22:00.002+01:00</published><updated>2011-08-08T18:07:09.668+01:00</updated><title type='text'>2 de Agosto</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os amigos. Os amigos são as pessoas mais estranhas do mundo.  Estes amigos não são os meus. Os meus amigos eu conheço de pequenino, e não são estes. Estes riem-se comigo e de mim (a maior parte das vezes), empurram-me e pregam-me partidas, fazem-me cair e aleijam-me nos joelhos. Quem são estas pessoas que tendem a seguir-me? Metem-me canecas de cerveja na mão e pagam-me whisky, e pedem que cante ou toque guitarra ou declame poemas. Mas eu não sei nenhum poema de cor, a não ser aquele do Fernando Pessoa que diz que o poeta é um fingidor e eu finjo que sei o poema mas nunca o declamo porque na realidade não o sei, como aquele do Alberto Caeiro que diz que o menino Jesus vem a descer pelas encostas do monte e que o Espirito Santo é uma pomba que suja as cadeiras;  esse também não sei, pronto: há dois poemas que eu não sei de cor e são os dois do Fernando Pessoa, se bem que um seja do heterónimo; e por isso desvio a conversa e pedem-me para tocar guitarra. Mas  de onde é que veio esta mania que eu sei tocar guitarra? Se fossem meus amigos sabiam que eu não sei sequer quantas cordas tem uma guitarra, a não ser que a mais grave é o mi e a mais aguda é o mi também e que pelo meio tem o lá, o ré, o sol, o si e o mi outra vez, já tinha dito é mais aguda, e por isso disfarço, sou um artista do disfarce isso sim, disfarço que sei tocar guitarra mas nunca toco, e quando me apresentam uma, dou socos na parede e desculpo-me que com a mão dorida que não consigo tocar. E então  dão-me &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;baldes&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; de whisky e cerveja, é para celebrar, dizem eles, e  eu conto piadas, porque as celebrações dão-me vontade de rir, e as piadas agradam a uns mas desgostam a outros, mas a vida é assim, não se pode agradar toda a gente, e se eu os conhecesse ao menos,  até podia tentar, mas a noite já vai longa e não me apetece,  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;não há amor que não dê em ódio nem ódio que não dê em amor&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, como diz o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Matador. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Quando estou bêbado penso que sou ele, e disse-lhes: Sou o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;El Matador. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Assim mesmo, de repente. Eles riram-se muito porque não fazem ideia de quem seja tal personagem, e eu também não lhes expliquei porque também não sei. Às vezes vejo-o, no reflexo das águas ou nalgum espelho mas nunca o consigo discernir e por isso esqueço-o. Recebi beijinhos de duas loiras, uma que era ruiva e passou a loira ou talvez o  contrário e outra que era mesmo loira e agora tem o cabelo preto. Não me lembro da conversa mas sei que cantei porque me pediram, embora eu não saiba cantar mas tenha esta queda para palhaço. Quando me visto de palhaço gosto que me chamem de Anacleto, mas todos me chamam por outro nome, porque não me conhecem. Aos domingos visto-me de mulher e passeio de ressaca com os saltos altos que eram da minha mãe, que já não tenho. Às vezes, para dar um toque mais andrógino coloco uma gravata do meu pai, que também já não tenho. Sou orfão, como a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Annie &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;e talvez devesse pintar o cabelo de ruivo. A Annie tinha um cão e uma banda sonora do Kid Creole &amp;amp; the Coconuts, mas eu não tenho cão e quando é de manhã e tou de ressaca, na minha cabeça passam sempre os &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Einstürzende Neubauten&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; que tocam com berbequins e cantam em alemão e que eu não percebo nada porque me baldei às aulas no segundo ano para jogar snooker. Hoje tenho um diploma de snooker que não me serve para nada. Se falasse alemão citava aos meus amigos frases célebres do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Nietzsche&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, na lingua original, o que impressiona sempre muito, como aquela do abismo a olhar para nós. Assim não digo nada, porque não sei alemão e porque não vejo os meus amigos desde pequenino, desde a adolescência vá lá&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-4874836907832106578?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/4874836907832106578/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=4874836907832106578' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4874836907832106578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4874836907832106578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/08/2-de-agosto.html' title='2 de Agosto'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-1819073303679430533</id><published>2011-08-07T20:06:00.000+01:00</published><updated>2011-08-07T20:06:50.422+01:00</updated><title type='text'>Estranho Lugar, Aqui.</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;...&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Estranho lugar, aqui. Onde a mais singela beleza e hedionda feiura cruzam a paisagem de mãos dadas, como duas amantes. Não há bela sem senão, ensinam-nos de pequeninos.Há até contos de fadas que nos preparam para essa fatalidade. Como quem nos vai mentalizando para  o que há-de vir: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Olha que a vida não são só gelados de chocolate, meu menino, também tens que apanhar muita chapada nessa fronha.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; E os meninos crescem sem estranhar as chapadas na cara que a vida lhes dá. Não reclamam; ficam à espera dos gelados de chocolate. São os acomodados: os felizes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Há os que se apercebem,  no entanto, que a distribuição de estaladas e gelados de chocolate, não é equânime. São inconformados:  infelizes. &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;As mulheres tem parte igual nesta tragédia, se não a pior parte. Entre a opção de felicidade e infelicidade escolhem livremente a segunda; porque foram cerebralmente lavadas desde pequeninas a se tornarem numa versão urbana da Branca de Neve; ainda que às vezes o príncipe não venha de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;cavalo &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; mas sim &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;agarrado&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; a ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;É esta a sensação que tenho ao ver os prédios na praia. Uma profunda tristeza na assumpção de que todo o amor vem carregado com uma generosa dose de ódio. Dose esta que alimentamos de bom grado; acarinhamo-lo, regamo-lo e falamos com ele, como se duma planta se tratasse, até que cresça forte e viçoso. Por outras palavras, o nosso olhar não recai no belo mas no horrível, é o seu ponto de fuga, é onde descansa mais sossegado, como os prédios na praia: é o preço de sermos civilizados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-1819073303679430533?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/1819073303679430533/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=1819073303679430533' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1819073303679430533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1819073303679430533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/08/estranho-lugar-aqui.html' title='Estranho Lugar, Aqui.'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7240828788627381121</id><published>2011-07-12T22:26:00.001+01:00</published><updated>2011-07-12T22:27:30.098+01:00</updated><title type='text'>Os Dias</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os dias passam e a caravana passa. Não, não é bem assim. Os cães ladram e os dias passam. Não! Também não me parece que seja assim o adágio!? &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Havia já alguns dias que Labregoísio se debatia com o dito popular, como se dum enigma se tratasse; um quebra-cabeças, uma adivinha. O que ele sabia era que os dias pareciam passar mesmo, indiferentes a qualquer polémica pareciam sair ilesos das disputas entre cães e caravanas. &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os dias passam, em catadupa, uns a seguir aos outros, sem travão, sem vergonha, a despeito de rugas e cabelos brancos que com eles se arrastam. E as artroses e artrites e reumáticos e flebites, de quem é a culpa? Do tempo, depurado em dias, que passa mesmo, parece já não haver dúvidas. Ora bolas! Suspirou Labregoísio. Haverá alguma forma de impedir a passagem arrebatadora dos dias, a sua fúria, a sua erosão? Um dia lembrou-se e saiu à rua, logo de manhãzinha para que os dias percebessem a mensagem, e plantou-se em frente de casa, de cartaz na mão, com uma mensagem clara para os dias: &lt;b&gt;Não Passarão! &lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Mas passaram na mesma, os cabrões. Passam sempre. Quem? Os dias ou os cabrões? Os dois. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;O que fazer? Labregoísio pesquisa uma forma de enganar os dias; um meio de atenuar a sua passagem pelo menos. É que a esta velocidade acabamos por não ter tempo para nada, nem sequer para apreciar os dias – Explicava Labregoísio aos vizinhos quando estes o encontravam na rua de pijama e cartaz na mão logo pela madrugada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Um indivíduo um dia acorda e zás!!! Já passaram uma mão cheia de dias, sem que ninguém avissasse. Um dia andamos a correr à sua frente, na maior das despreocupações, e no dia a seguinte já voamos esbaforidos atrás deles,como se não houvesse amanhã. 'Como se não houvesse amanhã' - quem é que inventou esta? Há sempre amanhã! Quando não há para uns há para outros, já se concluiu: eles passam dê lá por onde der.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Em Marte os dias são mais longos; talvez devêssemos viajar para lá. Não os podemos contrariar mas podemos percepcioná-los mais devagar. Imaginem: Uma pessoa de 40 anos, se tivesse nascido em Marte teria agora sensivelmente 20. Um jovem portanto. E em Júpiter, mais além, o indíviduo cheio de experiência e sabedoria teria apenas 3 aninhos, e em Saturno, no meio de tanto anel, apenas 1.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;A resposta parece portanto residir na viagem.  No movimento para a frente e para  longe. Pegar na relatividade e domesticá-la. Eles passam, já sabemos, o importante é o que fazer com eles. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Labregoísio estalou os dedos como quem grita &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;eureka&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;. Tinha solucionado o puzzle. O ditado afinal era simplicíssimo: &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Os dias ladram e a caravana passa.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7240828788627381121?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7240828788627381121/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7240828788627381121' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7240828788627381121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7240828788627381121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/07/os-dias.html' title='Os Dias'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-6974739477334843020</id><published>2011-07-06T22:05:00.000+01:00</published><updated>2011-07-06T22:05:08.436+01:00</updated><title type='text'>Móce, ò Moody's: Vai Cagar!</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Só lhe apetecia mandá-la à merda: à agência de rating, à colega de trabalho já só pensava em matá-la. Era automático, sempre que ela abria a boca e desatava numa daquelas verborreias que sugavam o ar todo da sala, era inevitável que as ideias homicidas surgissem. Durante muito tempo eram ideias suicidas as que primeiro lhe chegavam às franjas do cérebro sempre que ela se punha com aquela litania «ai eu trabalho muito, ai eu tou muito cansada, ai o meu marido isto, ai o meu cão aquilo, ai eu é que sou a coordenadora...», viu-se muitas vezes a regar-se com gasolina e imolar-se pelo fogo, como aquele monge no Vietname ou o puto na República Checa. Mas depois punha-se a pensar e chegava à conclusão que ela provavelmente nem daria pelo o sacrifício e continuaria a falar &lt;i&gt;ad aeternum. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Na rádio, a TSF transmitia em &lt;i&gt;loop &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;que o Pedro Palhaço Coelho tinha apanhado um soco estômago. Bem feita, pensou Romualdo. O rapaz sentiu-se traído pelos liberais selvagens que tanto admira: que desilusão! Já estou a vê-lo a chegar a casa, olhos marejados de lágrimas, a mulher envolta em trapos, os filhos muito magrinhitos, a lareira quase apagada, e o pobre coitado, vergado a uma crise que muito mais que o quebrar, deixou-o de rastos, exausto, famélico, a ter que dar a má notícia:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;- Crianças,  mulher, o pai apanhou um soco no estômago; este ano não vai haver  outra vez prendas de natal.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;E a outra não se calava, com aquela loiritude platinada, maquilhada de Rute Marlene num dia não, a falar, a falar: blá, blá, blá,blá, blá, blá,blá, blá, blá,blá, blá, bláblá, blá, blá,,blá, blá, blá,blá, blá, blá,blá, blá, blá,blá, blá, bláblá, blá, blá,,blá, blá, bláblá, blá, blá. Era nestes momentos que chegavam a Romualdo os primeiros instintos assassinos.  Primeiro tentava evitá-los, atirá-los para a parte detrás do cérebro; refugiava-se na rádio para se distrair mas esta não calava com o soco no estômago do outro e da agência de filhos da puta que nos andam a tentar foder, e então não conseguia fintar mais a  natureza e entregava-se ao desejo reptilário, como se dum casaco quente numa noite de inverno se tratasse. Imaginava-se a atirar com o rádio contra a parede, só para lhe chamar a atenção, chegar-se ao pé dela  e arrancar-lhe os olhos com um x-acto, mijar-lhe para o cérebro e no fim dar-lhe um soco no estômago como aquele que a agência deu ao Coelho. Era um pensamento doce que o embalava naqueles momentos difíceis, e por minutos conseguia esquecer-se de tudo: da crise, do FMI, da Moody's, e da colega irritante. Mais droga nenhuma consegue acalmar um indivíduo com a mesma intensidade que o poder da imaginação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Mas como qualquer droga, em que a &lt;i&gt;pedrada &lt;/i&gt;acaba&lt;i&gt; &lt;/i&gt;por desvanecer e extinguir-se, também Romualdo acabava por descer à terra e ter que enfrentar as suas crises: a da rádio e a outra. Nessas alturas rangia os dentes e martelava as teclas do computador com muita força,  como se quisesse fugir pela internet adentro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Para a &lt;a href="http://www.fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/"&gt;Fábrica de Letras&lt;/a&gt; - Segredo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-6974739477334843020?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/6974739477334843020/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=6974739477334843020' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6974739477334843020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6974739477334843020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/07/moce-o-moodys-vai-cagar.html' title='Móce, ò Moody&apos;s: Vai Cagar!'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-643035217411918587</id><published>2011-06-10T19:22:00.002+01:00</published><updated>2011-06-20T00:00:59.872+01:00</updated><title type='text'>5 de Junho</title><content type='html'>-É como te digo, esta situação faz-me lembrar aquela história do urologista. - Abrenúncio exclamava em gestos largos para um Labregoísio atento ainda que um pouco desconcertado. &lt;br /&gt;- Depois de um longo dia de trabalho deu-se conta de que lhe faltava a aliança de casamento. Analisou rápida e criticamente a situação e concluiu que tinha perdido o anel durante um dos inúmeros toques rectais que havia feito durante o dia. Podia ter seguido para casa e explicado à mulher o incidente e a coisa resolvia-se por ali sem mais delongas, na verdade e sinceridade que haviam jurado um ao outro perante deus. Mas o médico escolheu o caminho mais longo, como tantas vezes na vida todos fazemos. Agarrou nos processos e telefonou a cada um dos pacientes a quem tinha feito o exame. «Procure nas fezes» dizia ele, «remexa bem com atenção, que ele há-de aparecer». Os doentes, na ânsia de ajudar o doutor, quando iam à casa de banho lá se punham a remexer o fundo da retrete com o intuito de subitamente verem aparecer no meio da merda um brilhante anel de ouro. Ao fim e ao cabo é o que todos desejamos. &lt;br /&gt;A um outro, que sofria de prisão de ventre, pediu-lhe que com o dedo indicador, procurasse pelo reto, o precioso anel. «Insira bem para dentro o dedo, em movimentos circulares» e o homem, por respeito ao médico lá ia fazendo tudo o que este lhe pedia. Era a segunda vez naquele dia que tinha um dedo espetado pelo cu acima. A situação, que até podia ser cómica se não fosse já trágica desde o começo, tomou proporções surrealistas quando a mulher do paciente entrou de repente na casa de banho e deu de caras como marido, calças pelos tornozelos, telemóvel encostado à orelha, olhos esbugalhados e a mão direita já quase toda dentro do cú. &lt;br /&gt;- E o médico, chegou a encontrar o anel? - Inquiriu Labregoísio. &lt;br /&gt;- Encontrou, encontrou – Suspirou Abrenúncio – Estava no lavatório da casa de banho do consultório. &lt;br /&gt;- Tchhhh!!! &lt;br /&gt;- Pois é – concluiu Abrenúncio depois de mais um gole de cerveja – há dias em que também eu me sinto assim. &lt;br /&gt;- Como se tivesses perdido um anel? &lt;br /&gt;- Não, como se me tivessem a meter o dedo no cú.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-643035217411918587?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/643035217411918587/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=643035217411918587' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/643035217411918587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/643035217411918587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/06/5-de-junho.html' title='5 de Junho'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-4251008549212080975</id><published>2011-06-09T23:01:00.002+01:00</published><updated>2011-06-09T23:11:15.672+01:00</updated><title type='text'>O Passeio</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;span style="color: #cccccc; font-weight: normal;"&gt;"Poente, fogo na Ria,&lt;br /&gt;Sete cores desiguais.&lt;br /&gt;Chilram aves morre o dia&lt;br /&gt;E vertem sangue os sapais..."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333;"&gt;&lt;b style="font-size: 12px;"&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px;"&gt;&lt;b&gt;Raul de Matos&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Labregoísio sentiu a chapada forte que Abrenúncio lhe deu no cachaço e voltando-se lentamente perguntou: &lt;i&gt;era mesmo necessário?&lt;/i&gt; Abrenúncio fez tenção de abanar a cabeça afirmativamente quando foi interrompido pelo real chapadão que Romualdo lhe espetou na testa, parecendo-lhe ter ouvido o eco dentro da cabeça.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;-&amp;nbsp;Temo que isto não tenha acabado aqui! -&amp;nbsp;Declarou Romualdo com ar zangado. Abrenúncio mordia o lábio de irritação quando surgiu Anacleto, que tinha ficado para trás a apertar os atacadores dos sapatos, e, sem pré-aviso, começou a distribuir chapadas por toda a gente: na testa de Abrenúncio, na cara de Romualdo no braço de Labregoísio, que se tentava defender a todo o custo. A situação era tensa e os presentes miravam-se com desconfiança e cautela. As marcas por todo o corpo começavam a dar um ar rosáceo de sua graça e a fazerem-se sentir no incómodo que eram para os seus portadores.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Depois de mais uma chapada de mão aberta que lhe apanhou parte da testa e parte do olho direito, Romualdo, que era o mais pragmático do grupo, resolveu por os pontos nos&amp;nbsp;&lt;i&gt;ii&lt;/i&gt;. Largou um estaladão na orelha de Anacleto e declarou:&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&amp;nbsp;- Irmãos! Receio que tenha chegado a hora de partirmos. A situação torna-se insustentável.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- É verdade! Pois claro! - Concordavam os outros, que agora se auto-flagelavam com os olhos postos em Romualdo.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Como nota futura sugiro que para a próxima vez alguém se lembre de trazer repelente para mosquitos. Isto de andar à estalada é muito bonito mas começa a ser cansativa esta batalha contra as&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: black;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: black;"&gt;melgas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Tem razão! – Concordaram todos, e ao som de chapadas secas a ecoar nos corpos, de lástimas e pruridos, abandonaram apressadamente o sapal. Na Ria, como no poema, o sol incendiava o horizonte em&amp;nbsp;&lt;i&gt;sete cores desiguais&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Para a&lt;a href="http://www.fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: magenta;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Fábrica de Letras&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;i&gt;Os Problemas Resolvem-se À Chapada&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-4251008549212080975?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/4251008549212080975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=4251008549212080975' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4251008549212080975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4251008549212080975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/06/o-passeio.html' title='O Passeio'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-319282853613000025</id><published>2011-05-30T15:16:00.002+01:00</published><updated>2011-05-30T15:20:14.454+01:00</updated><title type='text'>#248</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: #555555; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: 10pt;"&gt;"Mares convulsos, ressacas estranhas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #555555; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Cruzam-te a alma de verde escuro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;As ondas que te empurram&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;As vagas que te esmagam&lt;/span&gt;…"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;b&gt;Xutos e Pontapés&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Abrenuncio, por vezes, sente-se encurralado entre dois mundos. Um sentimento crescente que agora lhe dá para analisar. Do ponto de vista romanesco-literário situa-se entre Kafka e Pedro Paixão. Vive o absurdo de um no meio da extrema solidão do outro. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A angústia tem a forma de duas espirais, pensa; uma que sobre outra que desce. Abrenúncio percorre a segunda com um extremo sentimento de não compreender o rumo da sua própria vida; o como e porquê de se encontrar nesta ou naquela situação, nem como ali chegou. A ignomínia é um fardo de chumbo que carrega sobre os ombros. Assim como a incompreensão e a culpa. Mais que tudo é a vergonha que o puxa para baixo, como vagas gigantescas no mar bravo. Não é moço de remar contra a maré, nem só com um braço como se vivesse sob o signo de Camões. Sente o peso e deixa-se ir; cansado. Os olhos pedem descanso , o corpo pede repouso, a alma implora por silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No fim de contas é tudo o que precisa: silêncio. Um pouco de silêncio para dormir, um&amp;nbsp; silêncio que dure dez anos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-319282853613000025?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/319282853613000025/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=319282853613000025' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/319282853613000025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/319282853613000025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/05/248.html' title='#248'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-4849661064325804197</id><published>2011-05-02T21:17:00.001+01:00</published><updated>2011-05-02T21:22:56.439+01:00</updated><title type='text'>Ó Mãe, Ó Mãe,  Os Outros Meninos Dizem Que Eu Tenho a Cabeça Grande...</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;Mother! You had me&lt;br /&gt;I never had you...&lt;br /&gt;&lt;i&gt;John Lennon&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Quando a senhora Laden soube da morte do seu filho estava a untar de manteiga uma forma para fazer um bolo. Entraram-lhe as vizinhas aos gritos pela casa adentro, como era de costume sempre que havia uma desgraça, e lançaram-lhe a má-nova à cara sem qualquer aviso ou preâmbulo: &lt;i&gt;ai mulher és uma desgraçada, mataram o teu filho! &lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;A senhora Laden deixou cair a travessa ao chão e acto contínuo desatou a chorar. &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Cabrões dos americanos, &lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;invectivou entre soluços; jogou as mãos ao ar numa expressão de dor que só quem é mãe é que pode entender e parafraseou o Cristo: &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Eli, Eli, Lama Sabachthani? &lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Que quer dizer mais ou menos, &lt;/span&gt;&lt;i&gt;meu deus, meu deus porque me abandonaste?&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; As outras entreolharam-se incrédulas com a erudição da vizinha e com o despropósito da citação bíblica, e logo ali perderam a coragem de lhe perguntar onde havia ela aprendido o aramaico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Na América, os americanos que conseguiram sair à rua, saíram. Os outros, a maioria, ouviu a boa nova pela televisão, de hamburguer de três andares numa mão e copo de 2 litros de coca-cola na outra. Entre um arroto e um refluxo, limpavam a gordura que lhes escorria dos queixos à bandeira nacional enquanto ruminvam o hino. As mães americanas também festejaram muito. É sempre uma alegria quando são os filhos dos outros a morrer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Algures em  Portugal a senhora Sócrates estremeceu. &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Ai meu deus e se o próximo for o meu filho? &lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Apertou inquisidora as mãos da vizinha que ouvia a radio-novela com ela. &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Nã se preocupe vizinha, que eles aqui nã matem ninguém, atã nã viu o 25 de Abril? Mais a mais, já se sabe que cá  em Portugal quem charinga toda a gente é o sê filhe.&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;De onde veio o sotaque algarvio da vizinha da mãe do Sócrates, não sabemos. Nem sequer podemos atestar da originalidade da conversa. Uma coisa sabemos porém: num mundo governado por cabrões, somos todos filhos da mãe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Para a &lt;a href="http://www.fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/"&gt;Fábrica de Letras&lt;/a&gt; - Mãe&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-4849661064325804197?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/4849661064325804197/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=4849661064325804197' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4849661064325804197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4849661064325804197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/05/o-mae-os-outros-meninos-dizem-que-eu.html' title='Ó Mãe, Ó Mãe,  Os Outros Meninos Dizem Que Eu Tenho a Cabeça Grande...'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-2287036318107806825</id><published>2011-04-15T22:54:00.001+01:00</published><updated>2011-04-15T22:54:50.110+01:00</updated><title type='text'>A Esmola</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;A primeira vez que Romualdo viu o homem foi como se tivesse apanhado um soco no estômago e dois nos rins. O ar rareou-lhe nos pulmões e o vómito subiu-lhe à garganta num refluxo de repugnância e dor. O que era aquilo? O homem-elefante sem pernas? Não sabia se o pedinte era baixo ou alto uma vez que as pernas lhe estavam cortadas por alturas do joelho. As rótulas apresentavam feridas vivas, talvez causadas pelo rastejar do homem como forma de locomoção, e outras já antigas, viam-se pela cor arroxeada que desenhavam uma espécie de mapa de sofrimento por todo o corpo da criatura. A cicactriz que exibia no pescoço deixava a advinhar que talvez tivesse sido vítima de algum ataque com arma cortante, ataque esse que lhe custou as cordas vocais: o homem não falava, esticava a mão, rojava-se pelo chão e soltava abafados: Ahhh! Ahhh!&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Como era cego de um olho, e do outro parecia sofrer de um caso grave de zona, o homem contorcia o pescoço de um lado para o outro na direcção das sombras que se lhe cruzavam.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Romualdo estava sentado na esplanada do café Aliança e não aguentou ver tanto sofrimento sem intervir. Chamou o empregado de mesa e mandou-o arranjar um pequeno almoço em estilo de farnel. Ele próprio o entregou ao mendigo, juntamente com uma generosa esmola. Um homem que se diz humano não pode passar ao lado de situações deste calibre sem que nada faça; temos que ser solidários – é o que nos distingue dos animais. Eram Estes os pensamentos de Romualdo enquanto satisfeito consigo próprio deixava que o homem lhe agarrasse a perna das calças e a beijasse em forma de agradecimento: Ahhhh! Ahhhh!&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Passados meses deste episódio, estando Romualdo e os seus colegas do Banco na esplanada do Aliança, a tomar um copo no meio de uma acesa dicussão sobre a crise e o FMI e toda a conjuntura vigente, quando se ouve, como que arrancado das profundezas do inferno, um som cavo e arrepiante: Ahhhh! Ahhhh!&amp;nbsp;Era o pedinte que rastejava rua baixo. Romualdo já mal se lembrava do homem e os seus colegas fizeram cara de enojados. O que é isto? Perguntavam. Já não se pode beber um copo descansado sem que apareça uma criatura destas?&amp;nbsp;O pior foi quando o indigente se agarrou aos beijos às calças de Romualdo sempre com  aqueles latidos mal paridos: Ahhh! Ahhh! Ahhh!&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Romualdo demonstrou um embaraço proporcional à repugnância dos colegas, mas como era um espírito sagaz, rápido largou de uma nota de cinco euros, e, magnânimo mais uma vez entregou-a à criatura: Tome lá homem, agora vá à sua vida que nós estamos a discutir assuntos importantes. Ahhh! Ahhh! Respondeu o entulho que era aquela pessoa e saiu a rastejar pela calçada, deixando atrás de si um trilho escarlate que todos deduziram ser o sangue que lhe escorria das rótulas em carne viva.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY"&gt;Sempre que ia tomar o pequeno almoço, Romualdo dava de caras com o homem; Ahhhh! Ahhhh! Fazia ele ao mesmo tempo que uma pasta ramelosa e brilhante lhe escorria pelo canto do olho bom, isto é, daquele que ainda conseguia ver, apesar da zona. Romualdo considerou ser aquela pasta pustulenta  o resultado das lágrimas do homem.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY"&gt;Com o passar dos dias começou a sentir-se gradualmente nauseado. O pequeno almoço começou a saber-lhe &amp;nbsp;mal e cada vez que mastigava era como se estivesse a provar daquela mistela ranhosa que caía do olho do homem. Sempre que ouvia: Ahhhh! Ahhh! Era como se um berbequim lhe furasse os tímpanos, e sempre que alguem lhe tocava ou lhe agarrava pelo casaco reagia bruscamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY"&gt;Um dia não aguentou mais; levantou-se da esplanada do café Aliança, foi direito ao homem  quando este já grunhia excitado, Ahhh! Ahhhhh!, sempre com aquele ar agradecido, sem dentes, de lágrima empastada no olho, e deu-lhe um valente pontapé com toda a força. Ahhhh! Ahhh! Soluçou o homem com sangue a saltar-lhe pela boca. Pára!!! Ordenou Romualdo e deu-lhe um soco na cara que o deitou por terra. Ahhh!!! Continuava o homem. Mas tu não aprendes? Perguntou Romualdo e nisto desatou aos pontapés com o empecilho, aleatoriamente, na cabeça nos rins, no estomâgo, na cara... Uma multidão que por sinal também tinha estado sentada na esplanada rodeou Romualdo. Força! Dê-lhe mais! Assim, agora outro! Até que enfim que aparece alguém com coragem. E Romualdo, galvanizado com o apoio da multidão, desferiu pontapés a torto e a direito com toda a raiva que  encontrou no âmago do seu ser.  O homem acabou por deixar-se dos Ahhh, Ahhhh, limitando-se apenas a encaixar os chutos que Romualdo lhe dava, abanando a cada impacto como se de um boneco de trapos se tratasse.  Quando Romualdo parou de aviar, suava copiosamente. Um senhor de aspecto aristocrático que fumava cachimbo e assistira a toda a cena com um certa lassidão, sancionou o acto com verborreia filosófica: O sofrimento do próximo quando é moderado, é bom de se ver, até porque nos transmite dó e alívio ao mesmo tempo; mas mais que isso não, quando se insurge aos nossos olhos, todos os dias, como um despertador irritante, torna-se repulsivo – há portanto que eliminá-lo. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-2287036318107806825?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/2287036318107806825/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=2287036318107806825' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2287036318107806825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2287036318107806825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/04/esmola.html' title='A Esmola'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7497663695528418110</id><published>2011-04-06T19:20:00.003+01:00</published><updated>2011-04-07T21:21:23.865+01:00</updated><title type='text'>Click</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O homem que escreve com luz passa na rua sempre de mansinho, como que temendo que o barulho dos seus passos afugente a claridade do dia, aquela luz ténue da manhã que tão gentilmente se desenha nos seus retratos. É todo um jogo complicado de aritmética que se balança no seu olhar; as aberturas, as velocidades, a sensibilidade do sensor, a sua própria sensibilidade que muitas vezes não se coaduna com as medições exactas da máquina..  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Há uma nova realidade para ser criada ou re-criada todos os dias, disserta o homem quando encontra um amigo que a páginas tantas, olha para o relógio, desculpa-se com o trabalho e segue a sua vida; uma realidade que só depende de quem olha, de como olha e para onde escolhe olhar primeiro, uma realidade que se constrói, acaba por dizer o homem para si mesmo quando o amigo já vai longe. Tudo depende da luz! Conclui. Há que saber manuseá-la, acariciá-la e torná-la nossa amiga: só desta forma conseguiremos desenhar com ela.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Os retratos do homem eram simples como ele. Possuíam no entanto uma espécie de encanto que ninguém conseguia decifrar. Seriam as cores? Podia ser, argumentavam alguns, no entanto como explicar o mesmo factor nas fotos a preto e branco?  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O homem olha para o que não está à vista; através do silêncio dos movimentos, da discrição dos modos, duma solidão que de tão modesta é quase impossível de ser vista.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;A ternura do homem só,  não é fácil de se observar nos seus contornos. É como a relação entre a noite e o escuro. O homem é invisível na sua solidão: aí está! Clamaram alto como quem grita &lt;i&gt;eureka, &lt;/i&gt;o segredo do homem, o factor X,  é a sua invisibilidade.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O segredo porém, não é nada de especial, comenta o homem em conversa consigo mesmo enquanto espera que chegue a hora de sair à rua. O segredo, a haver algum, é a forma como se comove com as coisas e com as pessoas; a forma como a luz as envolve, a geometria que as enquadra, os ângulos que as subjectivam;  a ternura, já que se falou nela, está na forma como olha para o mundo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;para a &lt;a href="http://www.fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Fábrica de Letras&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; - Ternura&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7497663695528418110?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7497663695528418110/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7497663695528418110' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7497663695528418110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7497663695528418110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/04/click.html' title='Click'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-3101487523511439674</id><published>2011-03-24T20:34:00.001Z</published><updated>2011-03-24T20:40:52.408Z</updated><title type='text'>O Cansaço</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&amp;nbsp;Foi desde muito cedo que começou a sentir-se cansado. Um cansaço existencial, que carregava na alma como um fardo, como uma mula de carga. Chegou a questionar-se se não teria já nascido cansado e, toda a sua vida não fosse apenas um consciencializar-se desse facto: um recordar do peso que lhe tinha sido imputado à nascença, como se tivesse nascido já velho; de cansaço, não como o outro do filme. Os budistas acreditam que carregamos no presente o peso cósmico de outras vidas passadas, mas ele não era budista.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;O peso do cansaço que trazia na alma reflectia-se-lhe no corpo e toda a sua imagem era uma anúncio ao desalento. Passava na rua com os ombros descaídos, a cabeça baixa fixando a calçada, como se tivesse recebido uma má notícia ou alguém lhe tivesse batido. Quem o via podia sempre dizer: Olha! Ali vai um homem cansado.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Não raras vezes pensou numa forma eficaz de se matar. No entanto, tudo lhe pareceu complicado e doloroso; eram tantos os preparativos e os trâmites a cumprir  que, de tão minuciosos lhe tiravam a vontade e cansavam-no ainda mais; por isso sempre que pensava na morte acabava sentado. Foi num desses dias que reparou em algo curioso. Um ambiente pesado gerara-se à sua volta sem que tivesse dado por isso. Havia uma atitude cinzenta nas pessoas que se cruzavam com ele; um mau estar,uma azia, um desgosto; uma cinzentitude que ele conhecia bem e que se podia traduzir numa única palavra: cansaço! Levantou-se e sem saber porquê desenhou um pequeno sorriso de felicidade; começou a andar e seguiu o mesmo caminho de todos os dias, desta vez porém não se sentiu sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-3101487523511439674?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/3101487523511439674/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=3101487523511439674' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3101487523511439674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3101487523511439674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/03/o-cansaco.html' title='O Cansaço'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7779230763814913974</id><published>2011-03-14T12:00:00.000Z</published><updated>2011-03-14T12:00:48.509Z</updated><title type='text'>12 de Março</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Às 15h30 a confusão já é grande, o que sempre acontece quando se agregam tantas pessoas num espaço tão exíguo; as sub-reptícias cotoveladas são inevitáveis. Há um nervosismo miudinho que ameaça tornar-se adulto num curtíssimo espaço de tempo. Começam os desabafos, soltos como quem não quer a coisa, mas em voz alta, para que sejam perfeitamente ouvidos «o estado a que isto chegou» ou «isto é uma vergonha». &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Embora lá fora o sol expluda em todo o seu esplendor, saudando um dia primaveril antecipado, na sala de espera a luz amarelada projecta sombras castanhas nas cinzentas pessoas que aguardam. Quem espera também é paciente. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Numa parede desfazem-se mitos e dúvidas sobre as doenças crónicas. Ao alto, duas placas em azul e branco indexam os variados serviços: da cardiologia à obstetrícia, passando pela nefrologia até à pneumologia. Sob a autoridade tácita das placas, a multidão (des)organiza-se em duas filas onde se empurram e afastam como numa pequena batalha campal. São quase quatro horas, a impaciência cresce com o aproximar da hora da visita; uma mulher baixinha, mais afoita, corta a fila e decidida dirige-se à porta de acesso; é barrada pelo segurança ao mesmo tempo que um clamor de protestos se levanta «Ó minha senhora, onde é que pensa que vai?» grita uma mulher do meio da fila. «Tem que esperar como toda a gente, minha senhora, aqui não há cunhas» grita outra quando os empurrões começam como forma de protesto. Vista de fora a multidão faz lembrar os ajuntamentos à porta duma qualquer livraria em dia de lançamento do último &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Harry Potter&lt;/i&gt;, ou o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Harrods&lt;/i&gt; em dia de saldos, ou qualquer loja americana durante a &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Black Friday.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um homem enraivecido, visivelmente &amp;nbsp;magoado no seu sentido de dever cívico, rasga o cartão de dador de sangue quando se apercebe que não tem livre circulação e que tem de aguardar na fila como toda a gente. Desfaz o cartão em mil pedaços em frente das auxiliares lívidas e grita para toda a sala que neste momento é a sua audiência, «&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Vaiem&lt;/i&gt; vocês dar sangue que a mim já não me apanham mais» e depois acrescenta, a confirmar o que todos os outros já tinham concluído «isto é uma vergonha!»&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;16h00: A multidão ansiosa avança desarvorada pela escadaria acima. O rosto dos visitantes denuncia o estado dos visitados. A euforia bem disposta dos que visitam um recém-nascido ombreia com a desolação velada de quem procura o doente terminal. Para os que esperam lá dentro, a hora das visitas é sagrada, &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;como a manhã de natal.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Lá fora, a multidão em protesto desce a avenida de volta ao Largo de S.Francisco. A Luta Continua.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7779230763814913974?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7779230763814913974/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7779230763814913974' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7779230763814913974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7779230763814913974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/03/12-de-marco.html' title='12 de Março'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7928022928465144525</id><published>2011-02-28T14:08:00.000Z</published><updated>2011-02-28T14:08:28.655Z</updated><title type='text'>#243</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perguntaram a Romualdo se era capaz de escrever uma &lt;i&gt;estória&lt;/i&gt; só com uma linha. Ele disse que sim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7928022928465144525?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7928022928465144525/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7928022928465144525' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7928022928465144525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7928022928465144525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/02/243.html' title='#243'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7468916490200823739</id><published>2011-02-22T20:17:00.000Z</published><updated>2011-02-22T20:17:11.436Z</updated><title type='text'>A Desilusão</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Zubaida decidiu divorciar-se no dia em que se convenceu que o marido, Labregoísio, era homossexual. Foi uma ideia que se lhe escarrapachou na mente, e por muito que as suas amigas e os amigos do marido dissessem o contrário, nada a demovia. O seu homem era gay e acabou-se.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Já há tempos que ela vinha sentido uma certa apatia da parte de Labregoísio pela sua pessoa. O ar de enfado com que ele se punha quando ela se apresentava de &lt;i&gt;negligé&lt;/i&gt;, o desinteresse total pelas suas coxas roliças, não enganava: tinha um &lt;i&gt;homem-sexual&lt;/i&gt; em casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O raio do homem, só pensa em jogar playstation com os amigos – reclamava Zubaida a quem a quisesse ouvir, ou seja, quase ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Labregoísio confrontado com as acusações que punham em causa a sua macheza latina, limitou-se a responder com a bonomia e indolência característica dos &lt;i&gt;maconheiros&lt;/i&gt;:&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- Oh mulher, tu ‘tás doida.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Mas Zubaida não ia em conversas, e sabia muito bem quando o marido estava a esconder algo, ou não estivessem juntos há mais de 6 meses. Um dia, depois de ler o correio sentimental da revista Maria, as suas fervorosas suspeitas, que já de si cresciam exponencialmente, depressa se tornaram em certezas absolutas, que por sua vez escalaram o monte Everest do preconceito. Saiu alvoroçada do trabalho e seguiu decidida para casa. Pelo caminho treinou cuidadosamente o que diria a Labregoísio, de forma a que este percebesse e não houvesse margem para mais desentendidos. Rejeitou mentalmente várias abordagens até ter chegado àquela que lhe pareceu ser a fórmula perfeita:&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- Homem! Tu és guei e eu quero um divórcio.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Chegou a casa e dirigiu-se ao quarto «ainda deve estar a dormir, o calão». Abriu a porta de rompante e deparou-se com um quadro que não correspondia bem ao que ela tinha imaginado. Labregoísio praticava selvaticamente o sexo com a vizinha do 3º andar que era uma moça jeitosa, estudante de Biologia Marinha. Zubaida, desiludida, não com a cena em si, mas por não poder jogar-lhe à cara a tirada que tanto trabalho lhe dera a compor, exclamou em forma de desabafo:&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- Ai homem, homem! As coisas que tu fazes só para me contrariar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7468916490200823739?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7468916490200823739/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7468916490200823739' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7468916490200823739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7468916490200823739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/02/desilusao.html' title='A Desilusão'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-6192282963850904715</id><published>2011-02-18T20:04:00.000Z</published><updated>2011-02-18T20:04:50.387Z</updated><title type='text'>25 Por Segundo</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="en-US"&gt;&lt;i&gt;Frame by frame (Suddenly)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="en-US"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="en-US"&gt;&lt;i&gt;Death by drowning (from within)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="en-US"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="en-US"&gt;&lt;i&gt;In your, in your analysis&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="en-US"&gt;&lt;i&gt;King Crimson&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div lang="en-US" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Abrenúncio olha para os dias que passam como quem olha para um filme. Sentado em silêncio. Desejando que os dias passem céleres, anseia ao mesmo tempo que não acabem tão cedo. Um paradoxo temporal portanto. E assim se sente; angustiado e ansioso. Padece de um mal peculiar; a avidez pelas coisas que passam depressa demais, antes mesmo de chegarem a acontecer. Abrenúncio observa a vida como uma passagem acelerada de imagens em câmara lenta.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;E no entanto,  entre um café e outro meio whisky, contempla admirado a exaltação das pequenas coisas. Das miudezas, das frases curtas, das abreviaturas, dos acrónimos. Não existe poesia nenhuma no tédio e a vida passa, agora, tão rapidamente, mesmo quando em câmara lenta. Já não há tempo para mais de duas linhas&amp;nbsp; de conversa, e para os parágrafos então – meu deus- não há paciência.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;É toda uma arte – pensa Abrenúncio – quase uma religião. Uma nova forma de comunicação; onde não se diz nada, afirma-se tudo, e evita-se de livre vontade essa necessidade incómoda que é pensar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-6192282963850904715?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/6192282963850904715/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=6192282963850904715' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6192282963850904715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6192282963850904715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/02/25-por-segundo.html' title='25 Por Segundo'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-2700817674926528207</id><published>2011-02-03T21:39:00.003Z</published><updated>2011-02-03T22:59:03.322Z</updated><title type='text'>São Pipocas ao Almoço...</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;i&gt; Depois de ler o &lt;a href="http://blog-do-otario.blogspot.com/2011/02/divagacoes-5-injecta-me-com-tua-libido.html"&gt;Blog-do-Otário&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que ele queria era fazer pipocas no microondas. Nada de especial. Sentar-se, relaxar e comer pipocas. O contacto com os outros humanos tornara-se doloroso em demasia. Algo que, a pouco e pouco ganhara contornos de função; melhor, de obrigação. &lt;br /&gt;A tirania da normalidade no decorrer dos anos obrigara-o a uma congregação de costumes e decências que ele abominava.&lt;br /&gt;Detestava a mentalidade de rebanho, aquela que rapidamente se transforma em mentalidade de matilha, e se volta contra nós, se não seguimos a direcção do pastor. E isso era uma das coisas que  o empurravam para a solidão; o não ser como os outros, o não gostar, nem  de fazer, nem de falar como os outros; não por espírito de contradição, apenas por não lhes reconhecer nenhuma originalidade. A falta de originalidade, lá está, era para ele, o oitavo pecado original, o mandamento que faltava nas tábuas da lei: &lt;i&gt;Não serás trivial!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;O que a sociedade entendia por filtros; entendia-os ele como grilhetas. Sentia-se um prisioneiro dos  pensamentos e opiniões, um agente da &lt;i&gt;pide&lt;/i&gt; de si mesmo. Patrulhava o cérebro de um hemisfério ao outro, escolhia cuidadosamente as palavras e adoptava o ar mais polido antes de afirmar isto ou aquilo. No fim acabava sempre por anuir nas maiores atrocidades só para agradar a este e aquele.&lt;br /&gt;No fim da primeira guerra mundial, contavam-se entre os loucos, uma minoria de homenzinhos vestidos de camisa e calções castanhos, que patrulhavam as ruas insultando e lançando o seu ódio aos sete ventos. Eram os pobres coitados da altura; os tristes; os delirantes, como podia haver quem os aturasse? Durante a segunda guerra mundial, era louco quem não seguisse os homenzinhos de camisa e calções castanhos,&amp;nbsp; com o seu líder enfezado, de bigode à&lt;i&gt; Charlot&lt;/i&gt;, que insultava e lançava o seu ódio ao mundo, como podia haver quem não os amasse? Era tudo muito normal; e as pessoas sentiam-se confortáveis nessa normalidade, porque eram muitas, e já se sabe que muitas pessoas não podem estar erradas. A multidão é um organismo vivo acéfalo. Uma máquina de triturar individualidades afoitas; o maior crime é o de não estar inserido no circulo das conveniências, daquilo que deve de ser, da decência, da normalidade, da superioridade moral. Um dia crucificamos um homem porque o achamos louco; no dia seguinte queimamos os adversários da ideologia do homem crucificado.&lt;br /&gt;Por isso um dia o homem não pensou mais no seu futuro. Aprendeu a fazer uma coisa que segundo o Günter Grass, os portugueses não sabem fazer: dizer não. A partir daí todos os seus impulsos, ou a falta deles, se libertaram e foi como se lhe tirassem o maior peso de cima. Dizer não pode ser das coisas mais libertadoras que um homem pode fazer. Diz a sogra: então, não quer vir jantar cá a casa? Não! - responde o homem – e com uma satisfação estampada na alma, senta-se de cerveja na mão a ver o futebol.&lt;br /&gt;E foi isso que o homem fez desde então. Nunca mais jantou com a sogra. Nunca mais trabalhou como um louco, como um condenado, insaciável,  para arranjar dinheiro, muito dinheiro, para comprar coisas, muitas coisas, para ter muitas coisas para mostrar. Um homem tem que ter coisas para mostrar senão não é um homem decente: quem é aquele? Não tem nada? Então é um ninguém. Não pode ser, não podemos ser ninguém, temos que ser alguém, para podermos mostrar que somos alguém; mostrar a quem? Aos outros. É muito importante que os outros saibam.&lt;br /&gt;O homem levantou-se, ignorou os outros, foi à cozinha e  pôs as pipocas no microondas. E esse foi um dos maiores prazeres que teve na vida, e por isso o chamaram louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;small&gt;Para a&lt;a href="http://www.fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/"&gt; Fábrica de Letras&lt;/a&gt; - Loucura&lt;/small&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-2700817674926528207?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/2700817674926528207/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=2700817674926528207' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2700817674926528207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2700817674926528207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/02/sao-pipocas-ao-almoco_03.html' title='São Pipocas ao Almoço...'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-5743156914387540667</id><published>2011-01-24T19:24:00.000Z</published><updated>2011-01-24T19:24:14.929Z</updated><title type='text'>O Ataque</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Abrenúncio admirou-se quando Romualdo não compareceu na escola primária à hora marcada. Sempre fora um indivíduo pontual e não gostava de esperar nem de se fazer esperado. Era um anti-Sebastianista nato. Passada uma boa meia hora ao frio e à chuva miudinha, que diz-se só molhar os parvos, Abrenúncio cansou-se e entrou para votar.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O acto em si, não tinha nada de especial. Uma cruz dentro de um quadrado e já está. Todo o peso do futuro da nação resolvido em menos de um minuto. O curioso era toda a multiplicidade de comportamentos que se acotovelavam no pequeno hall de entrada.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Romualdo havia de gostar disto, pensava Abrenúncio ao reparar nas senhoras com as suas roupas mais domingueiras, algumas muito pintadas, demonstrando um porte altivo, quase superior. Outras havia, que demonstravam claramente o corriqueiro que havia naquele gesto, apresentando-se quase de pijama. Também havia os que nunca sabiam qual era a sua mesa, os eternos perdidos, e ainda os que  se posicionavam como se fossem as estrelas principais do acontecimento. Eram estes que irritavam Abrenuncio e enfureciam Romualdo: os chico-espertos. Há sempre um em qualquer ajuntamento. O que calhou a Abrenúncio naquela tarde, não se cansava de exibir ao seu vizinho de fila, a caneta com que ia votar. Como se fosse uma espécie de Excalibur a que só ele tivesse acesso. Depois desatou a papaguear uma qualquer conversa de comentador político e anunciou em voz alta, mais que uma vez, a sua intenção de voto. Era preciso que toda a gente soubesse. Volta e meia atendia o telemóvel e falava para toda a escola ouvir, como já&amp;nbsp; era de esperar. &lt;i&gt;Esta fauna…Não é muito diferente de uma ida ao Jardim Zoológico.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;No regresso, perto de casa, parou num café para beber a proverbial bica do dia de eleições. O sítio estava apinhado; &lt;i&gt;o café é o fórum do povo&lt;/i&gt; – reflectiu.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;-A abstenção é que é uma merda – dizia alguém numa mesa perto do balcão.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;-Pois – retorquia outro – É por isso que eu não sou abstémio. Risos&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Encostou-se ao balcão numa ponta de onde podia observar todo o estabelecimento. Era um hábito seu, beber café e observar. Em pé junto ao balcão tinha uma vista privilegiada das gentes. O balcão era o seu púlpito, os clientes, o seu eleitorado. &lt;i&gt;O povo não vota porque está farto de ser enganado. Cada ida à urna é como se lhe fizessem uma colonoscopia; ou talvez não, talvez seja apenas preguiça e apatia.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Estava nesta doce letargia a sorver demoradamente o café quando é sacudido violentamente por Labregoísio:&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- Atão pá, já sabes o que aconteceu ao Romualdo?&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- Não, ele não apareceu para votar.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- &lt;i&gt; &lt;/i&gt;Pois pá&lt;i&gt;, &lt;/i&gt;foi atacado por um Lyonce.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- A sério???&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- Diz que sim,  diz que foi horrível.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Os ataques de Lyonce tinham vindo a subir muito nos últimos anos, especialmente entre as camadas mais jovens. Era um flagelo aparentemente imparável, nenhuma das acções de prevenção até à data tinham surtido algum efeito. As vítimas caracterizavam-se por entrarem num estado de embrutecimento aterrador; fixavam catatónicas o aparelho de televisão e apresentavam uma lassidão generalizada, que se traduzia numa apatia aguda face a estímulos exteriores. Era uma visão realmente aterradora.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;Coitado do Romualdo,...um moço tão novo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-5743156914387540667?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/5743156914387540667/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=5743156914387540667' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5743156914387540667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5743156914387540667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/01/o-ataque.html' title='O Ataque'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-5582543451564318519</id><published>2011-01-17T21:26:00.000Z</published><updated>2011-01-17T21:26:04.646Z</updated><title type='text'>O Toque Rectal</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; Uma nova estética. Uma nova mentalidade. Algo que não se venda, algo que não se compre. Algo parido numa explosão que nunca se apaga. Algo efémero como a eternidade. Algo que ofusque mas não cegue, algo que nos encante e nos embale; uma ternura, uma partilha na multidão. Um braço levantado no ar, uma música, um quadro.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; Algo que seja de todos e não seja de ninguém; algo de que nos possamos orgulhar.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; Um dia todos os políticos serão substituídos por músicos de rock'n'roll, e todos os comícios por concertos e todos os votos por aplausos. Alguém precisa de ser governado e humilhado por quem o governa? Alguém elegeu alguém para se ver privado do essencial da vida? Os eleitos não são nossos funcionários? Que parvoíce é esta de mercados para aqui e para ali? Os mercados estão chateados, os mercados estão desconfiados, os mercados estão mal dispostos, não faças barulho que acordas os mercados: mas que merda é esta? E que tal um dedo no cu dos mercados? E que tal um dedo no cu do engenheiro parvalhão; e no cu do presidente com ar de mongolóide; e no cu dos candidatos que salivam com a hipótese de ocuparem o mais alto cargo da pirâmide dos chulos. E porque que se há de resumir tudo a pirâmides? Somos egípcios ou quê? O que é feito das planícies alentejanas e dos espaços abertos? E esta inércia, meu deus! De onde saiu esta pasmaceira, este cair de braços, este bocejar de tédio, este enfado? O único milagre que verdadeiramente se deu,&amp;nbsp; neste pedaço de terreno abençoado pelo demónio e desprezado por deus, foi o temo-lo arrancado à estalada aos &lt;i&gt;nuestros hermanos&lt;/i&gt;. Não se compreende portanto este amochar: de pé ó vítimas da inércia!  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; Há um &lt;i&gt;ovelhar&lt;/i&gt; geral que paira sobre as nossas convicções, sobre as nossas atitudes, sobre a falta delas. Há uma auto-mutilação intelectual que se pratica entre as hostes; uma pletora de mesquinhez, uma mediocridade constitucional, uma diarreia cívica. Nunca mais voltaremos a ser marinheiros: uma nau não se governa de cu para o ar. Nunca mais voltaremos a ser poetas: um poema não se escreve com os pés. Urge acordar. Urge criar uma nova estética, uma nova mentalidade...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-5582543451564318519?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/5582543451564318519/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=5582543451564318519' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5582543451564318519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5582543451564318519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/01/o-toque-rectal.html' title='O Toque Rectal'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-4535868775780802157</id><published>2011-01-15T20:48:00.000Z</published><updated>2011-01-15T20:48:11.973Z</updated><title type='text'>O Buraco Negro</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; A minha cidade é como um buraco negro. Será a minha cidade um buraco negro? Vários  estudos científicos apontam para tal eventualidade. Nada escapa à força gravitacional que é a parvoíce na minha cidade. Nada. Nem a luz dos olhos dos cidadãos, que por isso, deixam de ver. O próprio tempo retarda junto de um buraco negro, o que justifica o facto de as pessoas na minha cidade serem um pouco retardadas.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; Das forças que se esmagam sobre si próprias e se comprimem no núcleo da minha cidade feita buraco, nasce um nova &lt;i&gt;intelligentsia, &lt;/i&gt;cujo espectro se traduz numa variada gama de estupidez. Uma espécie de radiação maligna que corrompe e destrói toda energia artística e  beleza natural que por ela circunde. Não há fuga possível ao poder da sua ignomínia. Daí a escuridão. Daí o buraco.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; Os cientistas contam-me que certos buracos negros, foram em tempos, estrelas. Hummm! Suspeito que a minha cidade nunca tenha sido estrela: buraco sim, negro também, mas estrela, não.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; Agora que penso nisso, vem-me à lembrança um buraco negro que em tudo se assemelha à minha cidade. É um buraco escuro, malcheiroso e parece que também é &lt;i&gt;cego.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-4535868775780802157?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/4535868775780802157/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=4535868775780802157' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4535868775780802157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4535868775780802157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/01/o-buraco-negro.html' title='O Buraco Negro'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-54029306209202883</id><published>2011-01-04T19:18:00.001Z</published><updated>2011-01-04T19:18:01.148Z</updated><title type='text'>#237</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;- Há uma coisa que me aborrece.&lt;br/&gt;- O que é?&lt;br/&gt;- Os bombeiros.&lt;br/&gt;- Porquê?&lt;br/&gt;- São bonzinhos demais...apagam os fogos e mais não sei quê mas...&lt;br/&gt;- Mas?&lt;br/&gt;- Bebem leite sem chocolate.&lt;br/&gt;- E vai daí não gostas deles?&lt;br/&gt;- Irrita-me aquela história deles serem soldados da paz, como é que é possível, um antagonismo destes?&lt;br/&gt;- Bom... Parece-me que eles se denominam soldados porque funcionam na mesma lógica de comando e hierarquia que os militares.&lt;br/&gt;- Exacto: acho mal.&lt;br/&gt;- Como assim?&lt;br/&gt;- Acho que não deviam de haver hierarquias nenhumas: cada um apagava o fogo como lhe apetecesse e &lt;i&gt;prontes&lt;/i&gt;.&lt;br/&gt;- Isso era a anarquia não achas?&lt;br/&gt;- E tu achas que é preciso uma democracia para mandar baldes de água para cima dum incêndio qualquer? Não te parece que o sistema actual é igualmente desorganizado?&lt;br/&gt;- Bom...Sim... Talvez...&lt;br/&gt;- Em todo caso o que me irrita mesmo são as filarmónicas.&lt;br/&gt;- O quê??? Como?&lt;br/&gt;- Aquelas fardas estilo militar que algumas usam, arrghhh!!! &lt;br/&gt;- De certo modo seguem um mesmo estilo: têm o maestro que faz as vezes de capitão e toda  uma  tropa que lhe obedece tocando afinado e a tempo...&lt;br/&gt;- Não gosto!  Acho que cada um devia tocar aquilo que lhe dá na veneta.&lt;br/&gt;- Anarquia outra vez?&lt;br/&gt;- Não, Jazz!&lt;br/&gt;&lt;small&gt;&lt;br/&gt;Para a &lt;a href='http://www.fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/'&gt;&lt;i&gt;Fábrica de Letras&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; - Preconceito&lt;/small&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-54029306209202883?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/54029306209202883/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=54029306209202883' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/54029306209202883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/54029306209202883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/01/237.html' title='#237'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7770178005714074138</id><published>2011-01-03T21:41:00.000Z</published><updated>2011-01-03T21:41:37.780Z</updated><title type='text'>Valsa a Quatro Tempos</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; &lt;i&gt;Não existe maior solidão que aquela que sentimos no meio duma multidão&lt;/i&gt;. Alguém disse isto. Este tipo de máximas são sempre ditas por alguém, como é lógico, não se pronunciam sozinhas. São como as leis da física que gerem o universo: existem e apenas precisam de ser enunciadas. Quem as enuncia é quase sempre portador de voz grave e ar pesaroso, como quem diz: &lt;i&gt;Olhem! Aqui estou eu: Ouçam só o que eu vou dizer - &lt;/i&gt;tossicam um pouco, clareiam a garganta e depois lá cagam a sentença.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; Para Romualdo, que se encontrava no centro da multidão em êxtase, a frase, embora fizesse todo o sentido, carecia de complementos circunstanciais, como por exemplo: &lt;i&gt;Não existe maior solidão do que aquela que sentimos no meio duma multidão quando não temos dinheiro para o táxi e estamos com frio e ninguém fala connosco&lt;/i&gt;.  O centro de uma bebedeira é como o centro de um furacão: vazio.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; O que angustiava Romualdo não era a solidão, nem o abandono, nem o estar sozinho. Isso sabia ele ser parte da condição humana, tendo em conta as dimensões minúsculas do planeta em relação ao sistema solar, e do sistema solar relativamente à galáxia, e da galáxia  ao seu agregado, e de todos os agregados juntos, ainda assim ínfimos quando comparados com a vasta extensão do universo. Não. Para Romualdo nada o fazia sentir-se mais pequenino do que ver a luz dos olhos dela extinguir-se lentamente; do intenso ao baço, do lusco-fusco à total escuridão, de supernova a buraco negro. Era essa a ferida que desatinava e fazia doer.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; Sem ela sentia-se desequilibrado; como se estivesse bêbado, o que efectivamente estava, mas dum desequilíbrio diferente; como que desajeitado numa valsa a quatro tempos.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; E assim era a solidão que chavão nenhum deixava entrever mas que ele sentia nesse momento. Em suma: tinha saudades.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; &lt;i&gt;Ai saudade que me prendes os pés ao soalho &lt;/i&gt;– suspirou, sem encontrar tradução para estrangeiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7770178005714074138?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7770178005714074138/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7770178005714074138' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7770178005714074138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7770178005714074138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/01/valsa-quatro-tempos.html' title='Valsa a Quatro Tempos'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-6931067021666809647</id><published>2011-01-01T20:09:00.001Z</published><updated>2011-01-04T12:12:20.585Z</updated><title type='text'>O Homem é Bom?</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Que manifesto orgulho o de um pai: assistir ao filho  a cumprir algo de grandioso na vida. Um deleite para os olhos, um bálsamo para a memória. O jovem guerreiro, arrastando a presa pelos pés à volta da aldeia como era de costume a título de exibição;  esquartejou-a e colocou os quartos de carne ao lume. Um lume brando só para dar uma corzinha: &lt;i&gt;a boa carne come-se a sangrar - &lt;/i&gt; era um dos cânones cravados nas Tábuas da Lei.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Ofertou simbolicamente uma das partes do animal aos deuses, que eram quatro como os elementos e&amp;nbsp; lançou outra à multidão esfaimada. Um gesto magnânimo. Ouviram-se hurras de excitação e o pai do jovem guerreiro abanou a cabeça em sinal de aprovação: o protocolo estava a ser seguido como devia, não havia dúvidas que o rapaz era filho de um chefe. O melhor pedaço do animal ofereceu o mancebo ao pai, que também era o seu líder e sumo pontífice. O cheiro do holocausto agradou-lhe de tal forma que,  abocanhou o cadáver com toda a pujança e autoridade que o &lt;i&gt;status&lt;/i&gt; lhe conferia. A turba urrou uma vez mais de excitação; o dia era de festa: o menino tornara-se homem.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Quando o chefe da tribo sentiu algo a prender-se-lhe entre os dentes, a multidão deixou de respirar em suspenso. O jovem guerreiro pensou  ver ali o fim da sua glória, uma nuvem negra na sua iniciação. Mas eis que o grande líder sorri, e extrai de entre o canino e o incisivo, um objecto brilhante e luminoso.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;Ah! Meu rapaz, és sem dúvida filho do teu pai: de todos os sacerdotes que nos aborrecem com a Palavra, escolheste o mais gordo e suculento - &lt;/i&gt;Eram os pensamentos do Grande Chefe enquanto lambia os beiços e admirava orgulhoso a cruz de ouro que lhe tinha saído em brinde. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-6931067021666809647?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/6931067021666809647/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=6931067021666809647' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6931067021666809647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6931067021666809647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2011/01/o-homem-e-bom.html' title='O Homem é Bom?'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7814926607337187940</id><published>2010-12-31T21:05:00.001Z</published><updated>2010-12-31T21:05:25.848Z</updated><title type='text'>Strangers in The Night</title><content type='html'>&lt;ul&gt;&lt;div style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: left;"&gt;- ...Então ele disse-me que ia passar o ano ao estrangeiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;- A sério?   &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;- Sim.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;- Ena!&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;- Também gostavas de ir?&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;- Muito.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;- Para onde?&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;- Não sei... O estrangeiro é tão grande.&lt;/div&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7814926607337187940?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7814926607337187940/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7814926607337187940' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7814926607337187940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7814926607337187940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/12/blog-post.html' title='Strangers in The Night'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-1658725322117644598</id><published>2010-12-25T21:54:00.002Z</published><updated>2010-12-27T19:42:21.933Z</updated><title type='text'>Toca O Sino</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;O último jingle que ouviu antes de se apagar foi o de uma instituição bancária. &lt;i&gt;Jingle bells, jingle bells, já há não há papéls, &lt;/i&gt;murmurou&lt;i&gt; &lt;/i&gt;baixinho e deixou-se ir&lt;i&gt;. &lt;/i&gt;Não há pior quadra que o natal quando se está sozinho. O aspecto desertificado que as ruas tomam na véspera a contrastar com a azáfama dos dias anteriores é irritante para quem não embarca na loucura consumista da época da “paz”. Mas qual paz? pensou Labregoísio; se pudessem comiam-se uns aos outros, e não era só no natal. O sorriso imbecil e estupidificado dos donos das lojas, que olham para os clientes como se fossem patos a depenar; a repetição constante do mantra das boas festas, no café, no quiosque, na repartição de finanças, era algo com que Labregoísio não conseguia compactuar; toda aquela hipocrisia, a bondadezinha lamecha, a felicidade plástica dos outros, arrrghhh...&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Celebramos em Dezembro o nascimento de um Deus que matamos por alturas de Março. Fartamo-nos depressa, e é por isso que pelo meio há o futebol. Daqui a dois dias começa a guerra de novo: o mundo cão que nos domina todo o ano. À pessoa a quem arreganhámos a fronha e desejámos um santo natal, mostramos agora as garras, como quem diz: se te aproximas muito corto-te o pescoço. O natal traz ao de cima o que de melhor há em nós: gastar dinheiro que não temos e enfardar comida como se não houvesse amanhã.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Como tal, e por ser natal, Labregoísio auto-ofertou-se com uma garrafa de &lt;i&gt;single malt. &lt;/i&gt;Não esperou pela noite para a abrir, não, que álcool desta categoria bebe-se a qualquer hora do dia. Brindou a si próprio e emborcou numa sessão que terminou, como sempre, com ele a desfalecer no sofá, em frente da televisão, sem saber muito bem se estava triste ou contente, se era dia ou noite. &lt;i&gt;Jingle bells, jingle bells, invista num PPR, &lt;/i&gt;dizia a televisão quando Labregoísio apagou.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Acordou estremunhado com duas ideias fixas coladas ao pensamento. A primeira: ir à casa de banho mijar. A segunda: Caçar. Caçar? E era época para isso ao menos? Não sabia. O que é que se caça em Dezembro, perguntou-se a si próprio enquanto desalugava o whisky que tinha bebido durante a tarde: Renas! Ho Ho Ho, riu-se alto enquanto os vapores do malte lhe saíam  pelo nariz confirmando que o álcool ainda estava activo no organismo. Foi à despensa buscar a sua &lt;i&gt;ligeirinha&lt;/i&gt; semi-automática com mira telescópica, pôs as munições no camuflado que entretanto vestira e saiu resoluto; &lt;i&gt;Hoje é um bom dia para morrer! &lt;/i&gt;Disse em voz alta. A sentença era dos índios americanos, que têm tanto direito a participar nas festividades como o velho finlandês. &lt;i&gt;O que é preciso é seguir as setas.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Subiu à torre do sino da igreja da Sé, que ainda estava danificada desde o terramoto, acocorou-se e esperou pela meia-noite.  A pouco e pouco iam chegando as famílias para a missa do galo. Nas suas melhores farpelas desfilavam pelo largo como numa passagem de modelos. Reinava um silêncio sepulcral, como se de um enterro  se tratatsse e não a celebração de um nascimento.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;À meia-noite em ponto o sino anunciou o novo dia: &lt;b&gt;BELLS, BELLS, BELLS, BELLS. &lt;/b&gt;Um zumbido estonteante percorreu a cabeça de Labregoísio acentuando-lhe a embriaguez: &lt;i&gt;Prontes, já nasceu o menino...&lt;/i&gt;E nisto desatou aos tiros, de cima para baixo, indiscriminadamente: &lt;i&gt;jingle bells cabrões, jingle bells - &lt;/i&gt;berrou furioso. A multidão aos gritos corria descontrolada de um lado para outro em pânico.&lt;i&gt; Finalmente temos animação digna de um rei -&lt;/i&gt; pensou Labregoísio. Os que caíam abatidos tingiam a calçada de vermelho. Era o vermelho do manto papal;  o vermelho da capa dos legionários romanos; um vermelho vivo, muito parecido ao da farda do pai natal, que por sua vez assemelhava-se ao rótulo da gasosa americana. Era o vermelho do capote dos matadores. &lt;i&gt;Eh lá! &lt;/i&gt;- exclamou Labregoísio – &lt;i&gt;Que grande tourada que p'raqui vai&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-1658725322117644598?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/1658725322117644598/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=1658725322117644598' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1658725322117644598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1658725322117644598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/12/toca-o-sino.html' title='Toca O Sino'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-43707901416007139</id><published>2010-12-16T20:40:00.001Z</published><updated>2010-12-17T19:40:49.172Z</updated><title type='text'>A Prenda</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Estrupício soube logo que a vida lhe ia correr mal quando em miúdo, na manhã de natal, descobriu no sapatinho uma bola de futebol em vez do lança-chamas que tinha pedido. Um rancor profundo que o acompanharia para o resto da vida nasceu ali, numa fria manhã de inverno, sentado no chão junto à árvore de natal.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;São coisas que não se fazem a uma criança, um desapontamento destes. Cerrou os punhos franziu os sobrolhos e foi para o quarto, não sem antes lançar um olhar de profundo ódio aos pais que, sentiram o sangue gelar como se acabassem de ser  violados por um icebergue. Poucos dias após o incidente, já o natal se esvaía em sais de frutos, quando a mãe do pequeno Estrupício encontrou o gato Nicolau congelado na arca frigorífica. Seria o primeiro de diversos animais de estimação que morreriam em condições misteriosas. Os anos passavam e o lança-chamas continuava sem se produzir. O natal em casa do pequeno Estrupício deixou de se celebrar e começou a ser visto como um tormento, algo que quanto mais depressa passasse  melhor; como quando arrancamos um dente.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Os pais do pequeno Estrupício acabaram por se divorciar e foi uma batalha dura nos tribunais por causa da custódia do miúdo: ninguém queria ficar com ele. Estrupício foi enviado para a adopção.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;A família que acolheu o pequeno Estrupício era do melhor e mais gentil que se podia encontrar numa família respeitadora e cristã, e talvez por isso estranharam, mais do que o desaparecimento do cão, a mutilação indiscriminada dos ícones religiosos que ostentavam por toda a casa.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Apesar de tudo educaram Estrupício o melhor que sabiam, na bondade e compaixão, dentro das suas limitações católicas. E, mesmo sem o saberem, conseguiram desvanecer a antiga obsessão de Estrupício pelo lança-chamas.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Hoje Estrupício é um jovem normal, bem educado, bem apessoado, brincalhão e gentil. Quando lhe falam no natal, assunto que ele desgosta mas que não consegue evitar, uma prenda apenas lhe vem à ideia: &lt;u&gt;&lt;b&gt;serra-eléctrica!&lt;/b&gt;&lt;/u&gt; O olhar gela-se-lhe por uma fracção de segundo mas depois sorri com os dentes todos, e é isso que encanta as pessoas.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-43707901416007139?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/43707901416007139/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=43707901416007139' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/43707901416007139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/43707901416007139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/12/prenda.html' title='A Prenda'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-116343372568695222</id><published>2010-12-08T21:01:00.001Z</published><updated>2010-12-08T21:08:46.786Z</updated><title type='text'>#230</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;O poeta é um fingidor&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;finge tão completamente,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;que chega a fingir que é dor&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;a dor que deveras sente.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Fernando Pessoa&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;O poeta é um bandido, um vagabundo preguiçoso. A dor é a sua arte. Gosta de embalá-la, à noite, entre copos e fumaça. Rega-a como se duma planta se tratasse; fala com ela. Recita-lhe versos de Rimbaud com música erudita. A dor tem pouca auto-estima e gosta de ser mimada.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;O poeta finge que é dor a dor que deveras sente porque é assim que consegue criar: em sofrimento, no caos mais sentimental a sul de todas as emoções; na cave. O poeta agarra na dor e muda-se  para a cave, para o escuro, para a humidade, para a frieza; a dor é um cobertor que o poeta usa para agasalhar o cérebro entorpecido.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;O poeta é preguiçoso, já se disse, deita-se no sofá com a dor e passa-lhe a mão pelo pêlo. Os dias passam-se em ociosidade e delírio surrealista.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;A questão primordial que se impõe com o decorrer do tempo é: quem veio primeiro, o poeta ou a dor?&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Habitua-se a este ritmo de sofrimento barra rambóia barra fingimento e um dia, um belo dia de tempestade (a dor gosta de chuva), entre uma enxurrada e outra que se anuncia, eis que o sol se imiscui no edifício de mágoa, moléstia e estupidez que o poeta criou a partir da dor alicerçada. O sol e o seu espectro de sete cores e mais as ondas de rádio e os raios x e tudo o  que sol acarreta, entra de rompante pelas masmorras de um indivíduo e ilumina as sombras que se esvanecem e levanta o pó da arca das tristezas. A dor, que não gosta nada do sol, qual vampiro barato da sétima arte pop, sai de mansinho, mirrada e enfraquecida, sem se despedir.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;O poeta acorda sobressaltado como se lhe tivessem jogado uma toalha encharcada em cima. Vê a claridade e sente uma espécie de alívio. Há uma dualidade na mente do artista. Agarra-se ao bloco de notas e tenta enaltecer o sentimento. Não consegue. O motor da dor foi-se abaixo, afogou-se. O poeta sorri perante a incapacidade da criação, a dualidade, lá está, e não sabe o que fazer. Foi-se a dor, foi-se o fingimento, foram-se os recantos de obscuridade; o cabrão do astro iluminou tudo. Restam as cinzas.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;O ex-poeta levanta-se e vai tomar o pequeno almoço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-116343372568695222?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/116343372568695222/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=116343372568695222' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/116343372568695222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/116343372568695222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/12/230.html' title='#230'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-8705279630831545062</id><published>2010-12-02T11:01:00.001Z</published><updated>2010-12-08T21:03:09.862Z</updated><title type='text'>A Segunda Vinda</title><content type='html'>&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5quufvQUCfA/TPd68RXV9dI/AAAAAAAAAUA/CfN9JtwXkLM/s1600/100_0466.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="295" src="http://4.bp.blogspot.com/_5quufvQUCfA/TPd68RXV9dI/AAAAAAAAAUA/CfN9JtwXkLM/s400/100_0466.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Praga 2009&lt;/b&gt; - &lt;i&gt;El Matador&lt;/i&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Para a &lt;a href="http://fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/"&gt;Fábrica das Letras&lt;/a&gt; - Uma Cidade&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-8705279630831545062?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/8705279630831545062/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=8705279630831545062' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8705279630831545062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8705279630831545062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/12/segunda-vinda.html' title='A Segunda Vinda'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5quufvQUCfA/TPd68RXV9dI/AAAAAAAAAUA/CfN9JtwXkLM/s72-c/100_0466.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-8817376275860724179</id><published>2010-11-23T19:58:00.000Z</published><updated>2010-11-23T19:58:48.812Z</updated><title type='text'>Eis A Questão</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- Ainda vais gostar de mim quando eu for gorda e careca? – súbita questão feminina.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Era Zubaida quem inquiria. Labregoísio estremeceu: seria esta uma pergunta armadilha? Daquelas artilhadas para pensarmos que o desarmamento é possível; daquelas que nos levam a pensar que a resposta é só cortar o cabo vermelho no último segundo e estamos safos.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;A última vez que cortara esse cabo vermelho à confiança, todo o mau feitio de Zubaida explodira-lhe em cheio na cara. Ficou um mês a pão e água, no sofá, com os cães e um cobertor. Agora que tudo voltara à normalidade, que os tratados de paz conjugais haviam sido assinados, que nada de novo havia a oeste do quarto de dormir; eis que Zubaida larga um engenho de consideradas dimensões no hall de entrada.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- Estou à espera – Insiste Zubaida. A contagem decrescente inicia-se. Labregoísio olha para o relógio digital preso ao dispositivo da questão, que presumia ser explosiva, e também ele se liquefaz em rios de suor. Avaliando rapidamente o tamanho e peso da coisa, Labregoísio chega à conclusão que é todo o prédio, senão mesmo o bairro, que está em perigo. Não existe portanto, margem para erros de linguagem, gaguejos ou evasões floreadas.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Do painel principal da bélica interrogação, Labregoísio sabe que tem que evitar a todo o custo os fios vermelhos da gordura e os castanhos da calvície, restando apenas os azuis de neutralidade incógnita. Que fazer? A contagem decrescente, em vermelho implacável, parecia acelerar:  8,7,6,5…Labregoísio descarna os cabos azuis e dá-se conta que a única solução será executar um&lt;i&gt; bypass&lt;/i&gt; de charme…4,3,2,1…&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- Minha flor! Quando fores gorda, se isso chegar a acontecer, o que não me parece possível, haverá nesse caso mais mulher para amar. E então, como careca já eu sou, seremos o casal perfeito: duas almas gémeas em dois corpos espelhados.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; …0  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-8817376275860724179?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/8817376275860724179/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=8817376275860724179' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8817376275860724179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8817376275860724179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/11/eis-questao.html' title='Eis A Questão'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-3385151805237884416</id><published>2010-11-11T23:17:00.000Z</published><updated>2010-11-11T23:17:01.794Z</updated><title type='text'>De Pé Ó Números da Terra</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Abrenúncio entrou na sala dos contabilistas enfurecidos sem se fazer anunciar. Planta-se no meio da repartição sem que ninguém dê pela sua presença. Os contabilistas matraqueiam, com os dedos já em sangue, as teclas das calculadoras e dos computadores; e gritam alto com as máquinas como quem fala com uma planta. As plantas no entanto crescem mais bonitas se falarmos com elas, já os números não. São obtusos e teimosos, e, quanto mais os contabilistas se enfurecem mais os números se mostram desagradáveis, recusando-se mesmo a mudarem de cor. A matemática é calculista e infalível e não é com gritaria que a levam, toda a gente sabe disso.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;Os contabilistas enfurecidos são pessoas rancorosas e nem olham para Abrenúncio quando este se senta numa cadeira ao lado da fotocopiadora.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;A guerra entre os contabilistas enfurecidos e os números rebeldes é antiga, já não vem de hoje. Começou quando a certa altura os números em revolta se recusaram a multiplicar. &lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Depois fizeram greve da fome e, cada vez mais magros, deixaram também de somar. É por isso que hoje em dia só sabemos fazer contas de subtrair. Subtraímos aqui e ali e às vezes somos subtraídos também.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Na presente conjuntura, as contas de somar  e de multiplicar deram lugar a uma nova operação: as contas de filosofar. Contas que se fazem, tendo como base uma aritmética filosófica que se traduz em perguntas como: &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;e se...?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;e se amanhã...?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt; ou ainda &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;que hei-de eu fazer se...?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;É com questões deste tipo que um povo filosófico-matemático-poeta constrói uma extensa ponte alicerçada de palavras. Palavras gordas e exuberantes, como esperança, que aguentem com o peso de uma debandada geral. &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;O último a sair do país apaga a luz &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;graceja um velhinho de bengala que se vê à rasca para aguentar a passada. Do outro lado está o deserto, a aridez. E assim é que tem que ser, pensa Abrenúncio: se tivermos que ser pobres terá que ser numa geografia desoladora. A pobreza dá-se mal entre os prédios altos e os carros de luxo e os comboios rápidos. Há uma paisagem típica para cada estado de espírito, e no nosso caso, o deserto é a que melhor se adequa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Abrenúncio segura um envelope fechado. Um envelope branco e frio, pesado como só os envelopes brancos e frios sabem ser. Até os envelopes podem pesar uma tonelada quando se está angustiado.  Os contabilistas enfurecidos ainda não deram pela sua presença e por isso Abrenúncio espera. Serão boas notícias? Serão más? Os envelopes fechados da burocracia são como o gato do senhor Schrödinger, enquanto não forem abertos, teoricamente são portadores de boas e más notícias simultaneamente. Enquanto não for aberto, o envelope não revelará a sua verdadeira e definitiva natureza. Entretanto ninguém parece preocupado; os contabilistas enfurecidos continuam com os dedos em sangue; a sala continua cinzenta e baixinha, sem música, sem poesia, sem plantas. E Abrenúncio continua sentado a um canto, à espera, embrutecido com a estranheza destas coisas.  &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-3385151805237884416?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/3385151805237884416/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=3385151805237884416' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3385151805237884416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3385151805237884416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/11/de-pe-o-numeros-da-terra.html' title='De Pé Ó Números da Terra'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-2032712953410377065</id><published>2010-11-04T22:23:00.000Z</published><updated>2010-11-04T22:23:59.498Z</updated><title type='text'>#226</title><content type='html'>- O que vale é que eu sou muito anacléctico!&lt;br /&gt;- Ecléctico, queres tu dizer.&lt;br /&gt;- Não, é anacléctico mesmo, por causa do meu nome: Anacleto.&lt;br /&gt;- Humm, fico feliz por não te chamares Epile.&lt;br /&gt;- Epile?&lt;br /&gt;- Porque se te chamasses Epile eras muito...Esquece.&lt;br /&gt;- É assim, gosto de muitas coisas e variadas, tudo diferente.&lt;br /&gt;- Como a salada de fruta?&lt;br /&gt;- Mais ou menos. Por exemplo, gosto de musica clássica e de heavy metal.&lt;br /&gt;- Os penteados são parecidos.&lt;br /&gt;- Exacto, e se às vezes adormeço a ouvir uns, acordo a ouvir os outros.&lt;br /&gt;- Espero que não adormeças a ouvir heavy metal, por mor dos teus vizinhos.&lt;br /&gt;- As paredes não deixam passar o som, o que é mau.&lt;br /&gt;- É mau?&lt;br /&gt;- Sim. Acho que tudo na vida deveria ser transparente e permeável.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Houve em tempos um homem que era totalmente transparente. Quando estava doente, não era preciso muito para chegar ao diagnóstico. Olhavam para ele, os médicos, e logo diziam: Olha! É daquilo que ele está doente. Pois claro, concordavam os especialistas, só pode. E até o próprio homem então, olhava para si próprio e comentava: Ah pois! Eu bem me parecia que aquela mancha não devia estar ali.&lt;br /&gt;- Interessante.&lt;br /&gt;- E mais: Os próprios pensamentos do homem eram transparentes e podiam ver-se a olho nu. Uma vez, estava ele a terminar o namoro com um certa rapariga e saiu-se com aquela clássica: Não és tu querida, sou eu! E nisto, ela olha-lhe para o cérebro e vê-lhe os pensamentos que diziam: Estou tão farto de ti, estás cada vez mais gorda. E logo ali lhe deu uma valente chapada.&lt;br /&gt;- E isso é bom porquê?&lt;br /&gt;- Por causa da sinceridade, homem. Então não vês? Imagina um político em campanha: vou fazer isto, vou fazer aquilo. E as pessoas olharem para ele e verem-lhe as verdadeiras intenções. No futuro, todos os políticos pensariam duas vezes antes de pensar.&lt;br /&gt;- Por outro lado os pensamentos deixariam de ser privados, seríamos uma espécie de&lt;i&gt; big brother &lt;/i&gt;transeunte.&lt;br /&gt;- Seríamos sim, condicionados ao pensamento puro, logo à acção pura, como aconselhava o Buda.&lt;br /&gt;- O Buda aconselhava isso?&lt;br /&gt;- Sim, o Buda também era transparente, lá à maneira dele.&lt;br /&gt;- E o homem, o que é que lhe aconteceu?&lt;br /&gt;- Qual homem?&lt;br /&gt;- O transparente.&lt;br /&gt;- Ah! Enforcou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Para a &lt;a href="http://www.fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/"&gt;Fábrica de Letras&lt;/a&gt; - Transparência &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-2032712953410377065?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/2032712953410377065/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=2032712953410377065' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2032712953410377065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2032712953410377065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/11/226.html' title='#226'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-6363121554946945972</id><published>2010-10-31T18:00:00.004Z</published><updated>2010-10-31T18:00:03.416Z</updated><title type='text'>Aqui No Deserto</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY"&gt;Quando chove é sempre motivo de festa. No deserto a chuva é bem-vinda. Saio da tenda e corro todo nu pelas dunas. Um costume beduíno? Não sei. Talvez seja o êxtase por tamanha oferta de um deus que se afirma pela secura, tanto climatérica como metafísica. Aqui a chuva não é boa para a agricultura, por não haver agricultura, mas é boa para os camelos; para eles é como se fosse bar aberto.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY"&gt;Aproveitamos o momento para sacudir de cima a poeira do deserto; uma poeira que nos cobre há séculos, camada sobre camada, como se fôssemos uma cebola, ou uma boneca russa. À noite, aquecemos o chá e celebramos a chuva com histórias que nos contaram os nossos bisavós, e rimo-nos muito com a boca desdentada. Os &lt;i&gt;slughis&lt;/i&gt; assustados uivam à lua; talvez porque nunca ouviram histórias da chuva contadas pelos seus bisavós. Os camelos roncam saciados.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY"&gt;Pela manhã o deserto já não está no mesmo sítio. Vogou com a chuva, como a via láctea, que flutua pelo universo afastando-se das galáxias irmãs sem dizer adeus. Levantamos acampamento e zarpamos com o deserto; nunca estamos sós quando fazemos novos vizinhos, o que interessa é a viagem.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-6363121554946945972?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/6363121554946945972/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=6363121554946945972' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6363121554946945972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6363121554946945972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/10/aqui-no-deserto.html' title='Aqui No Deserto'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-2904599263732373338</id><published>2010-10-30T01:52:00.001+01:00</published><updated>2010-10-30T01:52:50.038+01:00</updated><title type='text'>Não Comer, Não Rezar, Não Amar – Dormir Apenas</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;Um tristeza enorme abateu-se sobre os ombros de Romualdo. Os poetas situam geograficamente a tristeza no coração: um aperto, dizem eles. Os místicos colocam-na na alma, como algo de que se padece. Romualdo não sentia apertos de espécie alguma, nem exaltações febris no espírito; a sua tristeza pesava-lhe, era isso. Como se estivesse debaixo da roda de um camião TIR. Um peso enorme que lhe tolhia os movimentos. Quando se deslocava era como se se arrastasse, os ombros apontavam o chão, vergados ao peso da tristeza feita chumbo. A angústia sentia-a na barriga e a paixão nos olhos.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;A paixão sentia-a vermelha, como se o coração fosse rebentar de um momento para o outro; uma bomba relógio cardíaca.  Negra era a cor com que percepcionava a tristeza: como o chumbo, como as pedras de calçada, que embora as houvesse de outras cores, Romualdo só as via negras.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;Quando estava apaixonado e triste, via tudo vermelho e negro, como as bandeiras anarquistas. Nessas alturas saía à rua, gritava palavras de ordem e atirava pedras aos polícias. A seguir fechava-se em casa, deitava-se debaixo da cama e dormia.   &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;Romualdo admirava os budistas por causa do equilíbrio. Os budistas gostavam de Romualdo por causa da falta de equilíbrio. Esforçavam-se para o tentar equilibrar e riam-se muito dele quando caía desengonçado, como nos filmes antigos. Os budistas eram engraçados e queriam muito ajudá-lo, mas havia aquela coisa do tofu que se intrometia constantemente entre ele e o nirvana.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;E assim estava agora Romualdo: encurralado. Uma tonelada de ombros empurravam-no para baixo. Para debaixo da cama. &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Adormeceu a pensar na quantidade de pedras que ainda havia para atirar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-2904599263732373338?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/2904599263732373338/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=2904599263732373338' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2904599263732373338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2904599263732373338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/10/nao-comer-nao-rezar-nao-amar-dormir.html' title='Não Comer, Não Rezar, Não Amar – Dormir Apenas'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7025569243807936965</id><published>2010-10-26T20:04:00.002+01:00</published><updated>2010-10-27T14:15:11.603+01:00</updated><title type='text'>Uma Estátua Não É Uma Ilha</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;O homem-estátua da rua de Santo António nunca pára quieto. Faz adeus às pessoas, fala com as crianças e cumprimenta os turistas. O homem-estátua assemelha-se mais a um pantomineiro que está preso ao chão; como se tivesse criado raízes na calçada. Um pantomineiro também não será que estes não falam. O homem-estátua parece antes de mais estar perdido. E no entanto dá mostras de felicidade, não obstante a farpela branca e a cara mal pintada. A única semelhança entre o homem-estátua e uma estátua é que os pombos cagam-lhe em cima com igual desprezo.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;Dizem para aí que o homem-estátua, antigamente, seria um severo funcionário do Estado, de maus humores, nenhuns amores; sempre sério e estático. Um homem só portanto; não por opção.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;Um dia, ao ouvir falar do homem que largou tudo para se tornar artista de circo, uma luzinha branca bateu-lhe forte na parte detrás do cérebro. Uma luz que cresceu, ramificou-se pelas circunvalações da massa cinzenta e começou a piscar, qual árvore de natal, na parte de dentro da  cabeça. Foi então que decidiu tornar-se artista, homem-estátua mais propriamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;É um mau artista o homem-estátua e por isso às vezes passa fome, mas é muito bom nas relações públicas.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7025569243807936965?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7025569243807936965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7025569243807936965' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7025569243807936965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7025569243807936965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/10/uma-estatua-nao-e-uma-ilha.html' title='Uma Estátua Não É Uma Ilha'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7891125282210014501</id><published>2010-10-23T20:20:00.002+01:00</published><updated>2010-10-23T21:58:42.199+01:00</updated><title type='text'>#222 (o primo afastado da besta)</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;Era como que uma espécie de hipnose. Não! Era qualquer coisa como sonhar acordado. Também não era bem isso. Era algo na fronteira de ambos os estados, como se lhe tivessem injectado com uma droga benigna.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;Sentou-se em frente ao computador, desapaixonado, como sempre ficava quando tinha que elaborar maçudos relatórios,  pejados de estatísticas estranhas, que não interessavam a ninguém para além das maçudas pessoas a quem estes relatórios interessavam. &lt;i&gt;O que farias se a tua vizinha se tornasse num zombie?&lt;/i&gt; Era uma das perguntas colocadas aos inquiridos. A sério?  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;Acedeu à pasta&lt;b&gt; A Minha Música&lt;/b&gt; e escolheu um ficheiro ao calhas, que o que ele precisava era de música de fundo para concluir  uma empreitada que se previa longa e boçal.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;A canção começou com um contrabaixo, melancólico, suave, muito pachorrento que soltava umas bordoadas graves, como uma voz antiga que aconselha, que protege. Foi como se lhe tivessem colocado um cobertor quente por cima dos ombros numa noite fria. Depois veio o saxofone, com as notas bafejadas pelo vento, que saltitavam pelo tom cavo do baixo como as pedras de verão saltam pela crista das ondas quando são atiradas pelos banhistas. E foi assim que depressa chegou a um estado meloso e catatónico de puro deleite, que sempre atingia quando se punha a ouvir música em vez de trabalhar. Com os olhos fixos no ecrã do computador, estático, quem o visse admirar-lhe-ia a concentração. No entanto, por muito que quisesse dar início à actividade, não conseguia; tinha a sensação de estar íntimo com a harmonia do universo: todos aqueles sons eram verdadeiros e tocavam-lhe nas extremidades dos nervos.  Outra vezes, quando passava em frente da estante dos livros, se houvesse um que lhe despertasse a atenção; ou por se lembrar de ter gostado, ou por já não se lembrar muito bem do enredo, abria-o e logo atingia um transe igual ao provocado pela música ficando eternidades a ler, no meio da sala, em pé.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;Esqueceu-se das horas. O director ralhou-lhe por causa do atraso dos relatórios, dos prazos e de mais não sei mais o quê. Mas a ele, o que lhe interessava era um estado de contemplação, que depois de atingido já não se podia desfazer; uma felicidade que ia para além das medições e convenções e conceitos e preconceitos das gentes ditas normais.   &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;Encolheu os ombros e regressou pesaroso à estúpida realidade, que sempre o atingia na testa quando menos esperava,  como uma &lt;i&gt;bélinha.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7891125282210014501?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7891125282210014501/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7891125282210014501' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7891125282210014501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7891125282210014501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/10/222-o-primo-afastado-da-besta.html' title='#222 (o primo afastado da besta)'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-5740377022650074397</id><published>2010-10-13T19:53:00.000+01:00</published><updated>2010-10-13T19:53:35.014+01:00</updated><title type='text'>A Velha História do Homem Que Saiu de Casa Para Comprar Tabaco e Só Voltou Doze Anos Depois</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;O que fazer a um corpo quando não o reconhecemos ao espelho. Que espécie de prodígio é este? Uma possessão? Alguém acredita nisso? Pode-se viver parte da vida num invólucro ressequido, ressacado, ressentido e nem dar por isso? Quem és tu e porque estás em todo o meu redor? Pergunta o homem quando acorda num quarto de hotel, num corpo que não é o seu, ao lado duma mulher que não é sua. O meu corpo não tinha olheiras, nem este bigode nem a barba por desfazer. O meu corpo não estava cansado, nem tinha rugas, nem cabelos brancos salteados pelo crânio. A mulher abana a cabeça enquanto conta o dinheiro. Retoca o &lt;i&gt;baton&lt;/i&gt; e sai, deixando-o sozinho a falar com o reflexo, como se representasse um monólogo para si próprio; uma encenação numa casa de espelhos onde uma só alma comprou bilhete. Alguém viu o meu corpo seco, ligeirinho, limpo e vistoso? Grita o homem para o &lt;i&gt;barman,&lt;/i&gt; com os olhos raiados de sangue. O &lt;i&gt;barman&lt;/i&gt; enche-lhe o copo do seu veneno preferido e abana a cabeça. Ninguém tinha visto tal corpo.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;Ah! Deve ser isto a tal de solidão que toda a gente falava. Este vaguear incessante à procura de algo. Um indivíduo acorda e de repente está perdido e ninguém o reconhece; condenado a procurar algo que já não pode encontrar - o seu rasto. Pelo menos é o que dizem os físicos: não se pode viajar no tempo para trás, para o passado, por mor dos paradoxos.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-5740377022650074397?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/5740377022650074397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=5740377022650074397' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5740377022650074397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5740377022650074397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/10/velha-historia-do-homem-que-saiu-de.html' title='A Velha História do Homem Que Saiu de Casa Para Comprar Tabaco e Só Voltou Doze Anos Depois'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-1661716218668201407</id><published>2010-10-12T20:46:00.002+01:00</published><updated>2010-10-12T23:36:41.724+01:00</updated><title type='text'>A Lesão</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;Não era a inacção em si que o aborrecia. Com a indolência podia ele compactuar. Acordar tarde, passar o dia de boxers e pantufas; ler os livros abandonados na mesa de cabeceira, beber a cerveja que se amontoava no &lt;i&gt;frederico &lt;/i&gt;à espera de um qualquer jogo de futebol, não era algo que lhe causasse desprazer. Era a lesão que o tirava do sério. Um passo em falso, um tropeção, um esforço mal medido e a lesão que espreitava por detrás de um qualquer manual de fisioterapia saltou para a realidade e instalou-se-lhe no corpo pouco habituado a estas modernices. A lesão provocava dor. Uma dor circular, estúpida. Uma dor que ia e vinha e lhe rondava a lesão em movimentos concêntricos como os de um tubarão. Quando pensava já estar melhor, vestia-se, agarrava nas chaves e estando prestes a sair, eis que a dor saltava por detrás da porta e atacava-o como um meliante furtivo na calada da noite. Nessas alturas sentava-se e ligava a televisão, mas a dor agudizava-se de tal forma que logo desligava o aparelho. Era uma dor que não se compadecia com a programação nacional.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;A ansiedade era o pior de tudo. Estar à espera que lhe doesse era mais desagradável que quando lhe doía mesmo. A pessoa a quem a sua morte é anunciada sofre muito mais que o incauto, que ao sair de casa apanha com um piano de cauda em cima. A morte imediata acaba por ser mais musical que o longo silêncio da espera.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;Sentia-se encurralado. Como um animal preso numa gaiola. &lt;i&gt;Nota mental: Nunca mais ir ao jardim zoológico&lt;/i&gt;.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;Não conseguiu ler o jornal. As notícias do mundo causaram-lhe, mais que dor, tristeza. Entreteve-se então a catalogar os discos da colecção de jazz e descobriu que os analgésicos misturados com cerveja tornavam os solos do Dizzy Gillespie, numa palavra: flutuantes. Ruminou no porquê de os comprimidos para a dor chamarem-se analgésicos e não oralgésicos, uma vez que são tomados pela boca. E nisto a dor atacou-o traiçoeira. Uma pontada só, para lhe lembrar que ainda existia, não fosse ele esquecer-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;Foi para a varanda e acendeu um cigarro. Reparou no vizinho do andar de baixo, que se atarefava todo a prender à sacada, uma bandeira vermelha e verde com um manguito amarelo ao centro.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;Este é que a sabe toda&lt;/i&gt; – pensou.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-1661716218668201407?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/1661716218668201407/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=1661716218668201407' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1661716218668201407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1661716218668201407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/10/lesao.html' title='A Lesão'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-2930958945848008576</id><published>2010-10-09T20:52:00.000+01:00</published><updated>2010-10-09T20:52:17.499+01:00</updated><title type='text'>O Dedo</title><content type='html'>&lt;div align="JUSTIFY"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Em tempos de crise a inspiração escasseia. As ideias ficam presas no cérebro que padece de falta de oxigenação. O sangue deixa de circular, tal não é o aperto do cinto. A necrose instala-se. Era assim que se sentia Labregoísio diariamente. Sufocado. Como se tivesse a cabeça presa num torno mecânico. Ah! a imagem do operário oprimido pelo sistema. Um bom &lt;/span&gt;&lt;i&gt;leit motiv&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; para um mural. O homem preso à máquina. O homem servo da máquina. A máquina que rumina o homem. &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Fez as contas por alto, que a matemática nunca foi o seu forte, e descobriu que será um homem velho quando a situação der algum sinal de melhoria. A vida, tê-la-à passado em contenção, em esforço, em desassossego, miserável e com medo. &lt;/span&gt;&lt;i&gt;A sério? É isto que nos espera? A vida? É isto?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;Indignava-se com a falta de indignação. Deixou-se cair no cadeirão e abandonou de novo a tela; trocou os pincéis pelo cigarro e pôs-se a esfumaçar. Gostava da sala cheia de fumo - recordava-lhe outras praias e nevoeiros - amores e inocências numa época em que podia considerar-se feliz sem ter vergonha de si próprio. Tempos que já não voltam. Não por  a marcha do tempo ser linear na forma como a percepcionamos, mas por já não haver inocência uma vez que abrimos os olhos. E olhos foram abertos concerteza. Abertos para no-los encherem de areia e de promessas. Mentiras!&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;Que sentido de traição é este? Pergunta-se Labregoísio. Porque nos aconchegamos nesta tristeza?  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;Levantou-se e procurou os lençóis velhos com que resguardava os móveis quando viajava.  &lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;A sério? É só isto?&lt;/i&gt; Meia dúzia de banqueiros sem escrúpulos, uma classe política imbecil e dois &lt;i&gt;meninos&lt;/i&gt; que nunca trabalharam na vida a digladiarem-se mimados, como quem luta pelo último brinquedo da moda – nós! É por isto que se vão estragar gerações inteiras?&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY" style="font-style: normal;"&gt;Esquartejou o lençol e pintou as partes de vermelho e verde – a cor da tesão e do ciúme – desenhou-lhes em amarelo um punho fechado de dedo médio em riste e dependurou tudo da janela. Sim, porque não é só em dias de bola que devemos mostrar a nossa excitação. Era este o seu manifesto. Um dedo esticado. Um dedo que talvez se espalhe pelo bairro, pela cidade, pelo país inteiro, até que os senhores engenheiros de fim-de-semana, os senhores doutores de pacotilha e todos os outros de seriedade duvidosa, sintam um dia ao se sentarem nas suas poltronas, um forte ardor subir-lhes pelo ânus acima.&lt;/div&gt;&lt;div align="JUSTIFY"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-2930958945848008576?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/2930958945848008576/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=2930958945848008576' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2930958945848008576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2930958945848008576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/10/o-dedo.html' title='O Dedo'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-8577482862074104982</id><published>2010-10-06T22:17:00.005+01:00</published><updated>2010-10-07T23:52:43.266+01:00</updated><title type='text'>Questões de Química</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;Abrenúncio gostava de ir à mercearia. O facto de as compras serem mais caras que nos outros sítios era compensado por um ambiente único que só na mercearia encontrava. Conhecia algumas na cidade, cada vez mais escassas, e tinha a certeza que em cada uma delas havia um mundo de personagens únicas retumbantes nas suas idiossincrasias. Cada mercearia é uma rede social. Todos os clientes sabem da vida uns dos outros e daqueles que não  se conhece, fica-se a saber  através dos amigos dos amigos. Antes de ser um espaço de comércio é um sítio de partilha: de conhecimentos da vida alheia, das notícias do bairro, das viagens organizadas pela junta de freguesia, de mezinhas várias, enfim...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Abrenúncio gostava da mercearia tanto quanto detestava supermercados grandes - perdia-se quase sempre, e nunca sabia onde estavam as coisas - ali não, na mercearia era tudo perto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Na sua mercearia, gostava particularmente da senhora de cabelo ralo, pintado de cor-de-laranja que andava sempre de pantufas. Quando chegava a sua vez na caixa fazia questão de agarrar num produto ao calhas e afirmar em voz alta, como quem não quer a coisa, &lt;i&gt;Este shampoo é muito bom! Eu sei porque a minha filha é Química e ela disse-me que este era um bom shampoo&lt;/i&gt;. Noutros dias era a manteiga. Noutros ainda o detergente da loiça, o amaciador da roupa, o creme para as mãos, a pasta de dentes, e tudo quanto possuísse um ph. Nunca se coibia  de aconselhar outros clientes, ou não fossem estes meros vitelos no matadouro que era o marketing agressivo dos mass-media. &lt;i&gt;Esse não vizinho, esse não presta, leve antes este que a minha filha que é Química diz que é muito bom&lt;/i&gt;. E Abrenúncio levava, para ele era tudo igual, não lhe fazia a mínima diferença; o que ele  gostava  era de ver a mulher com o peito cheio de orgulho por ter uma filha que, não era nem mais nem menos do que: &lt;i&gt;Química&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;A dona da mercearia abanava a cabeça numa concordância pachorrenta, &lt;i&gt;diz que sim, diz que sim. &lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; Ela que só queria vender, não lhe interessava quem fazia a publicidade: se as televisões, se a mãe da Química.&lt;/span&gt; Registava as discussões entre clientes com  malabarismos diplomáticos que a permitiam ficar sempre de acordo com as partes envolvidas, como convinha a uma dona de mercearia. Se as indicações da filha Química iam de encontro às do filho doutor daqueloutra cliente, a dona da mercearia encontrava facilmente um ponto de intersecção comum às duas, qual sabedoria salomónica.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: normal; text-align: left;"&gt;Do seu filho não falava. Era tabu e todos os clientes sabiam-no. Era como se não existisse, ainda que tivesse pedido clemência por ele, ao doutor juiz, no dia da sentença. O marido, que orientava o negócio, também nunca dava parte de fraco quando começavam os concursos para ver quem tinha o filho mais bem sucedido. Nem pestanejava.  &lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: normal; text-align: left;"&gt;Ainda não tinha sido há muito tempo que o filho se levantara a meio da noite, e,&amp;nbsp; por qualquer razão, com uma faca de cozinha, atacou primeiro o pai e depois a mãe, desferindo golpes aleatórios que acertaram ora num ora noutro. Como estavam às escuras e não viam o agressor, gritaram por socorro e chamaram pelo filho, que só não veio porque já lá estava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Sempre que ia às compras Abrenúncio não conseguia deixar de notar na &lt;span style="font-style: normal;"&gt;enorme cicatriz que a mulher trazia ao pescoço desde a lúgubre noite. Com o homem passava-se o mesmo. Os cortes agora sarados notavam-se-lhe na cara e nos braços. Cortes profundos que doíam menos à superfície que no seu âmago. Marcas de Caim que ficam para sempre e que não se podem remover. A resignação só era comparável com o que tinha sido a surpresa.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Até tu meu filho!&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; - diria Júlio César. &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Até tu minha filha que és Química!&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; – diria a senhora de cabelo cor-de-laranja.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-8577482862074104982?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/8577482862074104982/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=8577482862074104982' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8577482862074104982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8577482862074104982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/10/questoes-de-quimica.html' title='Questões de Química'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-1571891252583614452</id><published>2010-10-01T21:34:00.000+01:00</published><updated>2010-10-01T21:34:30.714+01:00</updated><title type='text'>A Hard Day's Night</title><content type='html'>&lt;i&gt;It's been a hard day's night&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;And I've been working like a dog &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;The Beatles&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou com o cheiro da chuva. Mais concretamente com o cheiro da terra molhada. A cabeça doí-lhe como se tivesse marrado numa bigorna. Um espirro  de vodka estremeceu-lhe nas narinas e o sabor do álcool voltou-lhe à boca num enjoo matinal. Estava prestes a dar à luz uma ressaca monumental. Pelo aspecto molhado da sala deduziu que tivesse chovido a noite inteira. Desde que ela se fora que ganhara o hábito de dormir de janelas abertas, todo nu, na esperança vã que uma noite ela regressasse e se deitasse com ele na vasta cama que aumentava de tamanho todos os dias.     Vestiu o roupão cor-de-rosa e de caminho para a cozinha agarrou na garrafa de vodka meio cheia. Ora aí está uma imagem positiva que os gurus da auto-ajuda nunca se lembraram de usar: um indivíduo acorda ressacado depois de uma noite perdida e mesmo assim consegue ver a garrafa de vodka meio-cheia. &lt;br /&gt;Quando a má-disposição começou a tomar proporções montanhosas, tomou uma decisão radical: &lt;i&gt;Bloody Mary&lt;/i&gt;. Deitou uma porção generosa de vodka num copo alto, juntou-lhe uns restos de tabasco fora de prazo, uma pitada de sal, sumo de tomate, pimenta, e, como não tinha molho inglês juntou-lhe mais vodka, que isto dos cocktails matinais o segredo está no improviso. Bebeu o composto de um só trago e pouco depois sentiu o sorrisinho da noite anterior aflorar-lhe de novo os lábios.&lt;br /&gt;Agora sim, estava pronto para o trabalho. Acendeu um cigarro e voltou para a sala que também era o quarto e fazia as vezes de hall de entrada. Ligou a aparelhagem e pôs um cd do Coltrane; aos primeiros acordes soltou um passinho de dança.  &lt;br /&gt;Sentou-se em frente ao computador que ficara ligado da noite anterior e enterrou os pés nus no tapete árabe, única recordação duma viagem que tinham feito juntos, noutra vida. Na secretária, por debaixo da montanha de rascunhos, ainda guardava a carta que ela lhe deixara em cima da cama num envelope agora amarelo. A frase, por ser tão singela, ficou-lhe atarrachada na memória: &lt;i&gt;Deixo-te o tapete, levo o cão&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;Sacudiu a cabeça e tentou concentrar-se no trabalho que já estava mais que atrasado. Tinha ficado de escrever um livro para crianças, encomendado pela editora, mas todos os dias ruminava á volta do tema e não passava do título:&lt;i&gt; Pai Natal ou Menino Jesus? – Eis a Questão!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Acendeu outro cigarro. Não conseguia conter a inspiração: era-lhe permeável. A dita atravessava-lhe o corpo como o sangue dominical por um cálice partido; como a chuva que lhe entrava pela janela. Os dedos passeavam pelo teclado mas o resultado era sempre o mesmo: reminiscências duma tristeza. Uma tristeza que se prolongava ao longo do dia. Um dia que demasiado cedo se fazia noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Para a &lt;a href="http://www.fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/"&gt;Fábrica das Letras&lt;/a&gt; -&amp;nbsp; O Cheiro da Chuva &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-1571891252583614452?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/1571891252583614452/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=1571891252583614452' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1571891252583614452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1571891252583614452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/10/hard-days-night.html' title='A Hard Day&apos;s Night'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-5421905351241975069</id><published>2010-09-29T21:39:00.000+01:00</published><updated>2010-09-29T21:39:17.505+01:00</updated><title type='text'>#215</title><content type='html'>Romualdo pasma-se. O ódio está de volta. A perseguição ganha terreno: alimenta-se  da intolerância e da ignorância e mais que tudo, duma estupidez conhecida entre nós por ser ambundante e ambundantemente disfarçada.&lt;br /&gt;Romualdo isola-se, não compreende os outros. Não tem medo; queda-se perplexo. Descobre-se numa pele que não é a sua, como se representasse um papel. Não quer ser vítima. Não quer ser carrasco. Olha-se ao espelho e vê os traços da vetusta humanidade esvanecerem-se como poeira ao vento.  &lt;br /&gt;&lt;i&gt;Um dia vêm-me buscar a mim&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;Eliminamo-nos por ordem crescente do ódio. Eliminamo-nos porque ajuda a passar o tempo e a frustração. Somos frustrados porque não somos felizes; entregámos a felicidade aos outros para que cuidassem dela, como um penhor. Ficou a promessa de voltar um dia para a resgatar,  numa manhã de nevoeiro, qual Sebastião, mas nunca voltamos. Esquecemo-nos dela, é só.&lt;br /&gt;Os outros estão no fulcro das nossas vidas, sabem de nós, decidem por nós. Comandam-nos, como titereiros. O centro gravitacional da massa humana que forma os outros assemelha-se em tudo a um buraco negro: capaz de nos sugar a luz dos olhos. &lt;br /&gt;&lt;i&gt;Um dia vêm-me buscar a mim&lt;/i&gt;. Quando não houver mais ninguém. Os que vierem não serão os monstros abomináveis que as nossas mães nos falavam, não. Serão os nossos vizinhos, sorridentes, entre um bom dia e um como tem passado; os nossos colegas com quem acabámos de almoçar; os nossos amigos sempre a quererem o nosso bem. Quem vier, trará um beijo na face em mente. Ter inimigos identificados é um luxo. &lt;br /&gt;Romualdo não está só, todos os loucos o acompanham. Os loucos são unidades móveis de felicidade esquecida. Não têm medo; quedam-se sim, perplexos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-5421905351241975069?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/5421905351241975069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=5421905351241975069' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5421905351241975069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5421905351241975069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/09/215.html' title='#215'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-3576289436923340706</id><published>2010-09-27T21:13:00.000+01:00</published><updated>2010-09-27T21:13:09.770+01:00</updated><title type='text'>Os Cães</title><content type='html'>Os cães deitam-se aos meus pés, depois de uma revolução de saltos e alegria, típica dos cães sempre que chego a casa. Dou-lhes de comer e o agradecimento está-lhes no olhar. Conseguem dizer tudo com aqueles olhos, os cães. Se aprendêssemos alguma coisa com os cães, poupávamos os maiores equívocos provocados pela linguagem, invenção que se diz do diabo. Responderíamos às carícias com um abanar do rabo e à má disposição com um rosnar; ladrávamos se estivéssemos zangados e tudo era mais simples. Este passo evolutivo ainda está longe de quem para tudo precisa de mil reuniões e mil formulários e mil protocolos; de quem se desfaz em carimbos e segundas vias e cópias em triplicado.&lt;br /&gt;Quando falamos dum mundo cão, esquecemo-nos que é um mundo de roupa lavada, comida a horas certas e passeios diários na companhia de alguém que se gosta - como pode ser isto ruim?&lt;br /&gt;Às vezes apetece-me ser como os cães: morder as canelas das pessoas que não gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Diário de Abrenúncio&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;25/09/2010&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-3576289436923340706?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/3576289436923340706/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=3576289436923340706' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3576289436923340706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3576289436923340706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/09/os-caes.html' title='Os Cães'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7884862361158279860</id><published>2010-09-23T20:15:00.000+01:00</published><updated>2010-09-23T20:15:43.318+01:00</updated><title type='text'>Areia Fininha</title><content type='html'>É como areia fininha que se escapa por entre os dedos. A vida. Escapa-se-lhe às mãos cheias por muito que cerre os punhos. Não. Reformula o pensamento: talvez escape precisamente porque cerra os punhos. E os dentes, também cerra os dentes. Tudo em si é encerrado.&lt;br /&gt;Um dia o poeta acordou e viu que tinha a vida toda desarrumada. Os dias por cima das cadeiras, os meses debaixo da cama e largos anos amarfanhados de qualquer maneira num cesto de roupa suja. As pessoas chamavam-lhe poeta mas havia muitos anos que não rimava; não conseguia encontrar a musicalidade nas palavras que faziam eco umas com as outras. Ainda seria poeta? Pode ser-se poeta sem escrever uma simples quadra, um verso que seja? &lt;br /&gt;Era um poeta do silêncio. E isso existe? Poetas mudos? &lt;br /&gt;Tinha um amigo pintor que não pintava, o que para si era um consolo. Passavam muitas tardes juntos, sentados no sofá, a embebedarem-se. O amigo falava-lhe dos quadros que não tinha pintado, das cores vivas e quentes, cheias de paixão, que enchiam a sala de luz numa cascata multicolor. O poeta acendia cigarros e mimava aos saltos os poemas que não tinha escrito, que por serem duma forma maior de lirismo silencioso, emocionava ambos. Aos fins-de-semana juntava-se-lhes Anacleto, o músico, que era surdo e não tocava nada.&lt;br /&gt;O que ele queria era agarrar a vida em todo o seu esplendor. Queria deixar de escrever lugares comuns como:&lt;i&gt; a vida em todo o seu esplendor&lt;/i&gt;. Queria amar. Amar com as mãos e a boca e os dentes. Queria escrever sobre o amor. Queria escrever sobre o amor de pernas para o ar. Amor ao contrário lê-se Roma. Queria ir a Roma. Queria agarrá-la em Roma e em todo lado. Em todo o lado é onde fica o mundo. O mundo escapa-se-lhe como areia fininha por entre os dedos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7884862361158279860?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7884862361158279860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7884862361158279860' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7884862361158279860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7884862361158279860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/09/areia-fininha.html' title='Areia Fininha'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-6317142641821065467</id><published>2010-09-17T15:25:00.002+01:00</published><updated>2010-09-17T22:25:04.485+01:00</updated><title type='text'>Metamorfose</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Labregoísio, que sempre fora um indivíduo calmo e ponderado, começou a sentir uma ponta de irritação descer-lhe pela espinha abaixo. Era a terceira vez que se cortava a fazer a barba e ainda mal tinha principiado. Não que a barba em si fosse um desafio. Essa desaparecia a golpes precisos de máquina de barbear que tinha seis lâminas electromagnéticas. O que o deixava mesmo desaustinado era a sua vizinha.  Mais propriamente a gritaria desta logo pela manhã.  A filha não dormia e a vizinha achava que esse martírio era algo que deveria de ser partilhado com o resto dos condóminos. &lt;br/&gt;Labregoísio era senhor de um sinal de nascença na face, daqueles que são muito bonitos até que ao mínimo corte desatam numa sangria bíblica. E quando digo bíblica refiro-me ao antigo testamento. No novo também há sangue, mas é só no fim quando (spoiler alert) o Cristo morre. &lt;br/&gt;Naquela manhã,  estava  Labregoísio a executar a tarefa minuciosa de contornar o sinal com o sexteto de lâminas afiadíssimas; manobra que exige a concentração dum cirurgião senão a frieza dum talhante, quando começa a vizinha num pranto &lt;i&gt;O QUE É QUE EU FAÇO A ESTA MOÇA MEU DEUS???&lt;/i&gt;. A vizinha gritava numa voz fininha e irritante como se não houvesse amanhã, e quanto mais a vizinha gritava mais a criancinha chorava, e quanto mais a criancinha chorava mais a vizinha se exasperava &lt;i&gt;MAS O QUE É QUE TU QUERES? JÁ NÃO TE POSSO OUVIR MOÇA DO DEMÓNIO!!!&lt;/i&gt;.&lt;br/&gt;Ora a mão de Labregoísio que se queria firme, largava numa dessas danças desengonçadas ao ritmo da gritaria da outra, o que se traduzia em lacerações várias. O sangue escorria qual praga do Egipto e Labregoísio era um daqueles homens que não podia ver sangue. Não daqueles que ficam amarelos e depois desmaiam, não. Labregoísio transformava-se.  Desceu a escadas e bateu à porta da vizinha. A vizinha, de criança a chorar ao colo, abriu a porta e deparou-se com um homem estranho de máquina de barbear em punho. &lt;br/&gt;Com a cara coberta de pedaços de papel higiénico vermelho, e uns olhos que faiscavam  ódio visceral, já não era Labregoísio que ali estava, era Romualdo, e este só tinha uma dúvida: carótida ou jugular?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-6317142641821065467?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/6317142641821065467/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=6317142641821065467' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6317142641821065467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6317142641821065467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/09/metamorfose.html' title='Metamorfose'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-5215098775989146353</id><published>2010-09-13T14:34:00.000+01:00</published><updated>2010-09-13T14:34:54.331+01:00</updated><title type='text'>Lições de Física</title><content type='html'>O dia em que Abrenúncio perdeu o pivô estava cinzento e ameaçava chuva. É sempre nestes dias que tudo acontece; um céu escurecido, umas nuvens carregadas, o diabo à espreita e pronto, temos os ingredientes necessários para cozinhar uma desgraça.&lt;br /&gt;Neste dia em particular o diabo escondia-se por detrás de um poste. Abrenúncio já atrasado para o emprego, a correr desvairado pela calçada, não conseguiu evitar  olhar para uma bela moça loira de pernas até ao pescoço e saia pelo umbigo que se cruzou com ele. A uma determinada velocidade quando duas forças se confrontam, uma delas é forçada a ceder. Neste caso singular em que a boca de Abrenúncio se dispôs a medir forças com o poste da luz, o poste da luz levou a melhor. E como dois corpos não podem ocupar um mesmo espaço ao mesmo tempo, o pivô cedeu o seu lugar à pedra dura do poste e abandonou a boca de Abrenúncio. Como uma desgraça nunca vem só e o diabo nunca está contente, a moçoila calhou olhar para trás no exacto momento em que Abrenúncio abria a boca desdentado com o sangue a escorrer-lhe copioso pelo queixo. Depois começou a chover.&lt;br /&gt;O trauma foi tal que no espaço de tempo que mediou entre o acidente e o ir ao dentista, Abrenúncio foi assaltado pelos mais assombrosos pesadelos.  Uma noite sonhou com a loira sentada na sua sala de jantar rodeada dos outros dentes. Tomavam chá e comiam bolinhos. De semblante carregado exigiam de Abrenúncio a informação. Qual informação? A informação! Abrenúncio afundava-se no cadeirão e não encontrava respostas, não sabia de nada, estava completamente a leste do paraíso artificial. Encolhia os ombros e abanava a cabeça coberta por uma fina camada de suor frio. Não sabia de nada. A falta que o dente lhe fazia. Era o pivô que costumava ler as notícias lá em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-5215098775989146353?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/5215098775989146353/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=5215098775989146353' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5215098775989146353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5215098775989146353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/09/licoes-de-fisica.html' title='Lições de Física'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-589618688891186600</id><published>2010-09-01T21:22:00.001+01:00</published><updated>2010-09-01T22:13:15.345+01:00</updated><title type='text'>O Banquete</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;A festa ainda estava no seu estado embrionário mas os convivas encontravam-se já sentados à mesa. Uma mesa composta de outras mesas que formavam um círculo. Ninguém queria ficar de costas para ninguém, não por uma questão de educação, mais por instinto de sobrevivência. Miravam-se nos olhos constantemente e arreganhavam os dentes. Tiravam medidas, avaliavam-se. Havia quem salivasse. &lt;br/&gt;As divergências sobre a ementa, que não se podiam considerar supérfluas, eram muitas; os convidados haviam decidido, por uma qualquer vicissitude da época, comerem-se uns aos outros. Assim mesmo, sem apelo nem agravo. Ora, uma empreitada deste nível nunca é aceite de ânimo leve, assim, do pé para a mão. Impunha-se organização. Estas coisas só se decidem através de uma forte sentido de entendimento e comunhão.  Entretanto, se havia quem não se importasse de ser comido havia também aqueles que se recusavam veementemente a servir de repasto a qualquer um.&lt;br/&gt;Os de estirpe mais nobre, por exemplo, não lhes bastava a carne do seu vizinho mal passada a sangrar no prato, não. Queriam-na servida por criados de libré. Por outro lado, a malta da rambóia, não se ensaiava nada em comer a nobreza entre dois pedaços de pão depois de devidamente esturricada no fogareiro. Eram dois estilos diferentes que se confrontavam. Anuíam, isso sim, em  que era preciso era haver carne. E sangue. Disso não restavam quaisquer dúvidas. A incerteza residia precisamente no objecto dessa carne e desse sangue, que nenhuma das partes estava disposta a produzir. &lt;br/&gt;A certa altura a argumentação puramente filosófica subiu de tom para o debate religioso: Quem deve comer o homem? E como em todas as manifestações de cariz religioso, lá estavam os sacerdotes, de pé, à espera duma conclusão. Abençoavam uns e outros na certeza porém, de que fosse qual fosse o desenlace, uma terça parte lhes caberia por direito divino. &lt;br/&gt;Os magarefes, na sua eterna paciência, bocejavam aborrecimento perante tamanha polémica. Afiavam os cutelos com a desenvoltura típica do ofício, e como novidade, colocavam nos ouvidos tampões de silicone para abafar o ruído; que isto os homens quando  lhes toca a morrer gritam mais que os porcos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;small&gt;Para a &lt;a href='http://www.fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/'&gt;Fábrica de Letras&lt;/a&gt; - tema livre&lt;/small&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-589618688891186600?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/589618688891186600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=589618688891186600' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/589618688891186600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/589618688891186600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/09/o-banquete.html' title='O Banquete'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-4165135840963833643</id><published>2010-08-31T19:57:00.001+01:00</published><updated>2010-08-31T22:39:48.363+01:00</updated><title type='text'>A Estação</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Labregoísio não encontrava a saída da estação e havia já duas horas que andava às voltas. Parecia não haver portas naquele espaço; uma gigantesca redoma hermeticamente fechada. No entanto as pessoas continuavam a entrar. Por onde? Não sabia. Quando tentava sair era empurrado por um fluxo de seres em debandada que entravam por...Algures. Era como se se materializassem num qualquer ponto de elevada estranheza quântica. &lt;br/&gt;Estava outra vez no mar bravo; a bandeira vermelha, os salva-vidas a jogarem à cartas, ele a querer sair da água onde nunca deveria ter entrado e as vagas a negarem-lhe o intuito. As pessoas  movem-se como a correnteza, anónimas, força bruta que nos empurra para um lado e para outro, que nos esmaga ou nos traz ao de cima, em que praia irão rebentar?&lt;br/&gt;Perguntou a uma senhora pela saída e esta transformou-se num pilar de sal petrificado, mudo, olhar perdido no horizonte, como se tivesse visto algo que não devia. Deu duas voltas à estação, e depois mais duas e regressou sempre ao ponto de partida.&lt;i&gt; Estou sempre a voltar ao mesmo sítio, há anos que ando em circulos&lt;/i&gt;. Os comboios partiam e chegavam; mais gente, a corrente cada vez mais forte, a voz fanhosa do homem nos altifalantes fazia-lhe dor de cabeça. O que ele queria era sair dali, tinha pessoas à espera, pensava. &lt;i&gt;Como é que se sabe que estão pessoas à nossa espera?&lt;/i&gt;  A estação aumentava e contraía de tamanho, como um coração. &lt;i&gt;Preciso de encontrar uma aurícula urgentemente. Ou será um ventrículo?&lt;/i&gt; Estava perdido. Outra vez. A última tinha sido no supermercado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-4165135840963833643?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/4165135840963833643/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=4165135840963833643' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4165135840963833643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4165135840963833643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/08/estacao.html' title='A Estação'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-1512686619526964262</id><published>2010-08-20T21:29:00.001+01:00</published><updated>2010-08-20T21:46:31.890+01:00</updated><title type='text'>Mensagens Encriptadas do Coração para as Mãos</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Abrenúncio não se decidia quanto à posição para escrever: se sentado se de pé. Sentado não conseguia parar de bater o pé enquanto o coração lhe batia na ponta dos dedos; as letras aninhavam-se em palavras cadenciadas com o coração e por isso só escrevia: tum-tum, tum-tum, o que se lhe afigurava um tudo-nada estúpido. Gostava de escrever de pé, como o Pessoa. A verticalidade facilitava o escoamento das ideias da cabeça para as mãos. Também olhava pela  janela em busca de inspiração mas do outro lado não havia nenhuma tabacaria; havia sim um prédio, e a seguir, outro prédio e do outro lado, outro prédio. Toda a rua a bem dizer era formada por prédios e as outras ruas também, devia ser por isso que chamavam às ruas todas, cidade. De pé apetecia-lhe fumar enquanto assentava no papel as desventuras de mais um dia. Quando foi buscar um cinzeiro ouviu o Chico a cantar na rádio: &lt;i&gt;por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz&lt;/i&gt;. Era bem verdade, e veio-lhe outra vez à cabeça aquele beijo que lhe dera ao canto da boca. Ou teria sido na boca mesmo? Era para ter sido ao canto e calhou em cheio nos lábios ou era para ter sido na boca e resvalou para o princípio da bochecha? Já não sabia. Andava com esta dúvida havia dias e volta e meia lembrava-se disso só para se atormentar. Esta questão geográfica dos beijos tem muito que se lhe diga. Voltou com o cinzeiro mesmo a tempo de se lembrar que já não fumava há pelo menos dois anos. Olha que chatice. É que o fumo quando se enevoa pelo quarto também cria um certo ambiente. Sentou-se outra vez e jogou as mãos à cabeça. Isto hoje não sai nem a ferros. Os dedos  que lhe seguravam a testa tamborilavam mensagens em código morse que diziam: tum-tum, tum-tum.  Foi isso que escreveu e desta vez pareceu-lhe bem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-1512686619526964262?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/1512686619526964262/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=1512686619526964262' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1512686619526964262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1512686619526964262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/08/mensagens-encriptadas-do-coracao-para.html' title='Mensagens Encriptadas do Coração para as Mãos'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-5361004946692662165</id><published>2010-08-17T19:20:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T19:24:58.378+01:00</updated><title type='text'>O Fiscal</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;O fiscal fuça com o fácies da doninha e a curiosidade do abutre. O fiscal gosta de revolver no lixo. No lixo dos outros. Arranca o cascarrão e joga sal na ferida. Ri-se com a desfaçatez da hiena. O fiscal vê a doença onde deixa cair o olhar. Por detrás dos óculos escuros não existem olhos mas buracos negros, poços fundos que sugam a luz e a vida e a morte... Condicionado para só ver a ignomínia é um escravo que palmilha a terra lesionada pelos seus passos, pela busca incessante da podridão. É um servo de deus. Um condenado. O fiscal almoça e janta sozinho os restos da carne putrefacta. O fiscal vive na eterna ilusão de ser temido e respeitado, mas, o que toma por medo, é simples asco e por respeito, apenas desprezo. O fiscal insinua-se na vida como um amigo, mas não pode ter amigos. A amizade não pode ser fiscalizada; vive dessa liberdade que não pode ser escrutinada e que o fiscal não conhece. O fiscal não conhece a liberdade nem gosta dela. O fiscal tem uma única satisfação: a promessa de vida eterna. A vida do fiscal não pertence a este mundo. Este mundo não o enaltece.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-5361004946692662165?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/5361004946692662165/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=5361004946692662165' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5361004946692662165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5361004946692662165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/08/o-fiscal.html' title='O Fiscal'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-9118784466155335347</id><published>2010-08-17T08:38:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T08:41:27.583+01:00</updated><title type='text'>Pedro e o Lobo</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Pedro era uma criança irrequieta que gostava de correr pela rua e de atirar pedras aos cães e de rebolar-se pela lama. Às vezes chegava a casa com feridas nas pernas e nos braços. Não gostava da escola nem dos professores nem dos trabalhos de casa. Se era trabalho não era para casa. Era assim que a sua cabeça funcionava, através duma lógica que parecia escapar à razão das pessoas grandes. Um dia, como não lhe dessem atenção suficiente, pôs-se a gritar lobo: desvairado, inconsequente. Os pais, que dele só esperavam que fosse um génio, não gostaram mesmo nada do sucedido e atestaram-lhe com o medicamento mágico que se dá às crianças quando estas sofrem da falta de paciência dos pais. Pedro aterrou como se esperava: amorfo e desinteressado. Estava assim, a ver televisão, quando um lobo (o tal) se acercou por detrás dele, e cheio de falinhas mansas comeu-o. Desta vez não gritou nem pediu ajuda. Não valia a pena. A genialidade não era certa. Os pais sentiram um pouco a sua falta até que nasceram as gémeas. Depois, a memória dele cristalizou-se no tempo e no espaço, presa num limbo branco, sempre com a mesma idade, a mesma hipótese de futuro, o mesmo sorriso na porta do frigorífico.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-9118784466155335347?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/9118784466155335347/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=9118784466155335347' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/9118784466155335347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/9118784466155335347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/08/pedro-e-o-lobo.html' title='Pedro e o Lobo'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-1568816580005747139</id><published>2010-08-16T19:18:00.001+01:00</published><updated>2010-08-16T22:29:50.903+01:00</updated><title type='text'>No Canal</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;O barco deu em seco, apinhado de gente, a meio do canal. Uma multidão sacudida atemoriza-se. Romualdo conta-se entre estes mas não tem medo, a situação já não é original. A cidade ao longe cabe na palma duma mão, com os seus contornos amarelados e construções difusas; consegue-se tocá-la com a ponta de um dedo. Romualdo sabe que a nado facilmente chegaria ao cais, mas falta-lhe a coragem e é proibido. Falta-lhe a coragem para quebrar a lei. A lei é nova. Os corpos encharcados à soalheira roçam-se inquietos, insinuam-se, forçam-se nas narinas. O povo reclama alto e a algazarra navega em todos os canais auditivos. Somos um atentado aos sentidos. Em todos os sentidos. Somos verdadeiros, daquela verdade verdadeira que é feia e disforme e que incomoda o olhar como só a verdade o consegue fazer. A boniteza é falsa e de plástico, hermeticamente fechada, numa redoma algures, também ela de plástico. Os nossos túmulos têm a forma duma vida, moldados na pequenez e resignação. Romualdo balança-se na amurada com ganas de se atirar, mas não pode. É proibido. Proibiram-nos de nadar no canal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-1568816580005747139?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/1568816580005747139/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=1568816580005747139' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1568816580005747139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1568816580005747139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/08/no-canal.html' title='No Canal'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-8548049891806159713</id><published>2010-08-04T19:22:00.001+01:00</published><updated>2010-08-04T19:26:07.934+01:00</updated><title type='text'>O Eterno Regresso Adiado</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Temos que dar espaço às coisas de que gostamos. Tempo, para que as saudades possam germinar. O afecto constante pelo objecto amado provoca atrito nas emoções. As emoções movem-se como os pássaros; geram anticorpos, despertam o enjoo. O homem enjoado já não quer voltar ao mar: fica almareado em terra.&lt;br/&gt;Matar saudades é gostar outra vez do princípio; apaixonarmo-nos uma e outra vez e sempre, como o movimento elíptico dos planetas ou a rota fiel dos cometas. &lt;br/&gt;As estações sucedem-se: o outono – o inverno – a primavera. Voltar à praia no verão é um acto de amor que se repete sempre pela primeira vez. Olhar para ti, também.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;small&gt;Diário de Abrenúncio&lt;br/&gt;04/08/2010&lt;br/&gt;&lt;/small&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-8548049891806159713?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/8548049891806159713/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=8548049891806159713' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8548049891806159713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8548049891806159713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/08/o-eterno-regresso-adiado.html' title='O Eterno Regresso Adiado'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-6546753667107024578</id><published>2010-08-02T07:52:00.001+01:00</published><updated>2010-08-16T23:39:34.577+01:00</updated><title type='text'>O Cidadão</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;A grande aventura começou quando o homem se sentou. Tudo é possível quando um homem se senta, é todo um rol de possibilidades que se revela. «Somos um povo aventureiro e aguerrido...» é o locutor que o diz, o documentário começou agora: «...somos uma sociedade progressiva, reivindicadora dos direitos do ser humano, o mundo reconhece-nos o trabalho, reconhece-nos a aventura, as descobertas, o brio.» Foi quanto bastou ao homem para se sentir galvanizado. As palavras soaram-lhe como um toque a rebate, um despertar para a vida. Ele era um deles, fazia parte daquele povo valente, imortal, orgulhoso. Era a hora. Ele que sempre chorara quando o hino tocava antes dos jogos de futebol, sentia-se agora mais do que nunca, um cidadão. Era o mestre do seu cadeirão ao comando do seu comando; era o rei da sala, o treinador de sofá, o revolucionário de chinelos; campeão de pugilismo doméstico, com a unha mais comprida do mundo coçava a maior micose do universo. &lt;br/&gt;«Agora é que vai ser!!!» gritou irritado contra a placidez dos móveis. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Intervalo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Os gases nobres do plasma exortaram-no a uma outra vitória «compra, compra, compra...» em explosões de cores e compassos binários. «Hei-de comprar» vociferava o homem contra a pasmaceira da estante dos livros. «Hei-de comprar» tornara-se no novo hino. Ao mesmo tempo que abocanhava um pedaço de frango frito todo ele viajava boçal pela curvatura da cupidez. Abria muito os olhos quando mastigava, como se quisesse comer o mundo. Sorveu o balde de gasosa borbulhenta e lançou um arroto castanho que cheirava a amarelo. Convenceu-se que era um homem feliz, o mais feliz de todos. É para isso que servem as convenções sociais: para fingirmos que somos felizes.&lt;br/&gt;Um pequeno aglomerado de banha, recheada de carne podre injectada de alegorias oleosas acelerou pela auto-estrada femoral até atingir o túnel de acesso à grande válvula. O trânsito a principio ficou só congestionado mas depois toda a circulação cessou por completo.&lt;br/&gt;Foi uma longa viagem, a do homem. No fim, encontrou-se a si próprio: uma vez e outra e outra ainda. São duas as coisas às quais não se pode fugir: o destino e a comichão no escroto.&lt;br/&gt;&lt;small&gt;&lt;br/&gt;Para a &lt;a href='http://www.fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/'&gt;Fábrica das Letras&lt;/a&gt; - Uma Longa Viagem&lt;/small&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-6546753667107024578?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/6546753667107024578/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=6546753667107024578' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6546753667107024578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6546753667107024578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/08/o-cidadao.html' title='O Cidadão'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7471211789368598253</id><published>2010-07-28T22:48:00.001+01:00</published><updated>2010-07-28T23:44:13.887+01:00</updated><title type='text'>#203</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;O ar da sala era de tal forma abafado que o calor ganhava contornos e colava-se a Romualdo como uma segunda pele fervente e oleosa. «Este gabinete precisa urgentemente duma janela» queixava-se Romualdo de si para si. A velha ventoinha que rangia desengonçada com as pás tortas e o suporte oxidado, servia o seu propósito ao contrário quando espalhava o ar quente em vez de o refrigerar. Os processos empilhavam-se na secretária de Romualdo  desenhando uma estranha Torre de Babel. Uma onde todos falavam a mesma língua: desespero. &lt;br/&gt;&lt;b&gt;Ermelinda Bagarrão&lt;/b&gt;: &lt;i&gt;Analfabeta, desempregada&lt;/i&gt;;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Moradia&lt;/b&gt;: &lt;i&gt;Casa Abarracada em regime ilegal;&lt;/i&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Doenças e outros&lt;/b&gt;: &lt;i&gt;Não tem o braço direito, sofre de depressão.&lt;/i&gt;&lt;br/&gt;«Ai meu Deus que isto nunca mais vai acabar e ainda só vou na letra E». Era Romualdo quem se queixava. A miséria nunca acaba: relativiza-se. Os miseráveis acampavam na secretária de Romualdo como se estivessem num festival de verão, daqueles de três dias. Romualdo arrumava-os numa partição, entre bits e bytes, por ordem alfabética, até que a morte os reciclasse.&lt;br/&gt;«Uma cerveja! Dava o meu braço por uma imperial gelada.» O suor escorria-lhe em cascata e Romualdo sonhava com  esplanadas. O seu corpo era uma máquina: computava miséria e libertava vapor, mas a mente, essa já estava de férias: junto ao mar atirava pedras às ondas e rebolava-se na babuja.&lt;br/&gt;Na rádio, uma horda de energúmenos armava um cagaçal eclesiástico: &lt;br/&gt;-Porquê esta manifestação fervorosa em apoio do padre Bonifácio? - Indagava o repórter junto de uma acólita em avançado estado de rouquidão.&lt;br/&gt;-Porque o padre Bonifácio é que...É dele que a gente gosta... O padre Bonifácio não aleija as crianças na catequese quando as acaricia...&lt;br/&gt;A senhora Ermelinda tinha dois filhos. Um tinha a síndrome de Down, o outro  era toxicodependente. &lt;br/&gt;«Também me contentava com um mojito» sonhava Romualdo, «Com muito gelo e muita hortelã, hummm, marchava nas horas». Os dedos deslizavam ligeiros pelo teclado e a vida seguia o seu rumo. Segue sempre, mesmo quando não está ninguém a ver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7471211789368598253?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7471211789368598253/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7471211789368598253' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7471211789368598253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7471211789368598253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/07/203.html' title='#203'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-1184075837754392566</id><published>2010-07-19T19:52:00.001+01:00</published><updated>2010-07-19T21:38:54.559+01:00</updated><title type='text'>Levante</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Cirandava de um lado para o outro e volta e meia parava em frente ao espelho para se certificar que era mesmo ele que ainda ali estava. Abriu a janela por causa do calor. Um bafo quente e seco varreu-o na intimidade de alto a baixo mas o que sentiu foi um arrepio; suor frio, nas têmporas. Sentou-se, não sem antes lançar uma olhadela rápida ao espelho, confirmou a sua presença e decidiu escrever um postal. É preciso deixar estas impressões no papel, ou neste caso, no mundo digital; é preciso deixar impressões digitais, pegadas na areia cibernética. Encheu os pulmões do ar andaluz que o inspirava. Era ele que inspirava o ar ou era o ar que o inspirava? É preciso deixar tudo no papel, isto não é normal. Um fio de suor escorreu-lhe pela testa:glacial e salgado como o mar do norte. «Estou doente, é um facto, mas ninguém vai acreditar...» As artérias esticavam-se no cérebro como se se espreguiçassem. Que hora estranha para as artérias acordarem! As artérias dormem até tarde no Verão, e quando se espreguiçam, o sangue corre fininho pelo cérebro e as ideias circulam com dificuldade. Tapou as orelhas para as ideias não fugirem; levantou-se e foi ao espelho: ainda lá estava. Destapou as orelhas e tapou a boca, «Assim não consigo escrever». Destapou a boca e tapou o nariz; não há solução, as ideias hão-de encontrar sempre um sítio por onde fugir. Fogem por todos os lados e não se concentram nos dedos. Os dedos precisam de ideias. Os dedos estavam frios.&lt;br/&gt;Olhou pela janela: um tuareg passeava no seu dromedário descapotável. «É preciso escrever isto, depressa, antes que fuja...» O ar volátil, o delírio presente: era o levante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-1184075837754392566?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/1184075837754392566/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=1184075837754392566' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1184075837754392566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1184075837754392566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/07/levante.html' title='Levante'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-5397129071583450375</id><published>2010-07-11T20:26:00.001+01:00</published><updated>2010-07-11T20:31:27.209+01:00</updated><title type='text'>O Deserto</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;O sonho. As nuvens cinzentas que revolteiam e se colam ao asfalto. A paragem do autocarro. O deserto. Acorda.&lt;br/&gt;Levanta-se estremunhada com o fio do sonhos a escorrer-lhe ainda pelos olhos. Não sabe ainda se é uma sensação boa ou má, o acordar. Toma o pequeno-almoço como um sacrifício moderno. Um ritual que é preciso; a transição entre o mundo onírico e a realidade absurda. Precisamos de separadores na nossa vida, como os dossiers, senão já não sabemos onde estamos.&lt;br/&gt;A estrada. É sempre a mesma; os condutores à sua volta são sempre os mesmos. Cumprimenta-os, já os conhece. Não se mexem; o asfalto é que roda por debaixo deles. Sonham alguns, outros já estão mortos. No sonho está numa paragem de autocarro. No deserto. No deserto o asfalto não aborrece. O autocarro é conduzido por alguém que lhe desperta o desejo. Os passageiros são pessoas que nunca viu; cumprimenta-as, desta vez com um sorriso feliz. A viagem segue ondulada pelas dunas. O condutor pisca-lhe o olho e ela sente uma vertigem.&lt;br/&gt;O dia à sua volta passa como num filme. Em câmara lenta. As vozes são distorcidas, a banda sonora é má. O ruído branco das reuniões. A máquina do café avariada. O crocitar das gralhas que lhe pousam nos ombros. O almoço moído pela máquina de revolver comida. Marcar consulta no dentista – toma nota.&lt;br/&gt;A estrada. O regresso. Acena aos condutores; um adeus desta vez. Boceja. O asfalto rola e a caravana passa. &lt;br/&gt;Janta. Mais um separador. Temos que separar o trabalho da vida na cama. A vida na cama é importante; às vezes não há vida na cama. O chumbo. É o peso da cabeça. Fecha os olhos. As nuvens cinzentas, cada vez mais rasas, colam-se ao asfalto. Uma paragem; um autocarro. A cabeça, mais leve,  enche-se de deserto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-5397129071583450375?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/5397129071583450375/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=5397129071583450375' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5397129071583450375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5397129071583450375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/07/o-deserto.html' title='O Deserto'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-4505992765657801636</id><published>2010-07-10T18:05:00.001+01:00</published><updated>2010-07-10T18:40:36.919+01:00</updated><title type='text'>O Puto, O Puto</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;A caminho da mercearia, Abrenúncio sentiu que alguém o perseguia. Paranóia? Talvez. No entanto estugou o passo como quem não quer a coisa para se certificar que não era nada com ele. Os passos atrás dos seus aligeiraram-se também e agora começavam a ganhar terreno. Já sentia o arfar do seu perseguidor junto de si quando tomou  uma atitude: defender-se com tudo o que tinha. Deu uma  meia-volta repentina, ao velho estilo ninja, com as chaves de casa numa mão, um chinelo na outra, o pé direito levantado tanto quanto podia (que era muito pouco) gritou: Kiaaaiiiiiiiiii!!!! O efeito surpresa era meio caminho para desequilibrar o adversário. E foi com surpresa que se deparou com um miúdo de dez, onze anos talvez, com um cd do Tony Carreira na mãos. Toda a criança tremia de susto e quando tentou falar apenas gaguejou: &lt;br/&gt;- É..É...Para ajudar... as vítimas do terramoto no Haiti- Abrenúncio, envergonhado olhou em volta e como não havia ninguém a ver, não sentiu necessidade de ser caridoso, muito menos de comprar um cd do Tony Carreira.&lt;br/&gt;- Agora só tenho dinheiro para comprar pão, pá, talvez noutro dia - Mentiu. &lt;br/&gt;O miúdo foi-se embora e Abrenúncio foi comprar cerveja.&lt;br/&gt;Certo dia, voltava  Abrenúncio a casa, com um saco de cervejas na mão e eis que o esperava  à porta de casa: o miúdo. E desta vez não tinha um ar assustado. Apresentava sim, se é que é possível numa criança tão nova, o semblante de alguém sedento de vingança. Parou a uma distancia razoável, o suficiente para poder fingir que não tinha visto o infante e pôs-se a magicar «Vou fingir que não vi o puto, vou dar uma volta, ele entretanto cansa-se e vai embora». Rodou os pés na sua manobra favorita, a meia-volta, e seguiu na direcção contrária. A criança é que não se fez rogada e arrancou atrás dele, de cd esticado na mão, a gritar «Senhor! Senhor!». Mal deu conta que o miúdo não ia desistir facilmente desatou a correr. E o miúdo atrás dele. Abrenúncio corria com todas as forças que os pulmões de fumador lhe permitiam e mesmo assim não conseguia despistar a criancinha. «Cabrão do puto corre comó caraças» soluçava Abrenúncio enquanto se metia por uma rotunda. O puto não desistia, e, quem circulava de carro não queria acreditar na imagem: um homem de chinelos a correr na rotunda  e atrás dele, um jovem aos gritos «Senhor! Senhor!»&lt;br/&gt;À quarta volta,  já um pouco almareado, Abrenúncio fez sinal com a mão e saiu da rotunda.  Abrandou numa passadeira e por fim estacionou as cervejas junto a um poste. Se lhe tivessem tapado a boca naquele momento teria morrido. O miúdo chegou depois, com ar de quem fazia aquilo todos os dias. Irritado, Abrenúncio resignou-se:&lt;br/&gt;- Ganhaste!!! Quanto é que isso custa?&lt;br/&gt;- Dez euros, senhor, é para ajudar as vítimas do terramoto no Haiti.&lt;br/&gt;Deu uma nota de dez ao miúdo que se afastou-se todo contente com o ar de quem cumpriu uma missão.&lt;br/&gt;Abrenúncio contemplou o seu novo cd e pensou em como iria ficar destoado no meio da colecção de jazz. Ainda estava cansado. Tanta correria para quê? A culpa do terramoto não era dele; do Tony Carreira talvez, mas dele não. Cabrão do puto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-4505992765657801636?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/4505992765657801636/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=4505992765657801636' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4505992765657801636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4505992765657801636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/07/o-puto-o-puto.html' title='O Puto, O Puto'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-4222950910913705180</id><published>2010-07-09T19:15:00.001+01:00</published><updated>2010-07-09T19:21:28.860+01:00</updated><title type='text'>A Carta</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Há muito que ela adiava escrever a carta. Não podia ser, a carta tinha que ser escrita; é para isso que servem as cartas. Considerava ainda a hipótese de enviar um e-mail mas pareceu-lhe demasiado informal, frio mesmo, seco. Uma pessoa &lt;i&gt;clica&lt;/i&gt; no rato e zás! É atacada de chofre por  uma avalanche de informação que nos mina todo o campo visual, sem pré-aviso,  sem anestesia. As máquinas são assim, insensíveis, não pensam na dor que causam às pessoas. Executam ordens e mais nada, sendo a palavra chave: executar. As cartas por seu lado são muito mais compassivas. São fiéis ao ser humano, como os cães e a cerveja. Deixam-se manusear; correm mundo, recolhem pequenas impressões que mais tarde transmitem ao destinatário através do toque, do simples olhar, do selo, do carimbo. Abre-se a caixa do correio e lá está ela sentada, à nossa espera, logo aí começa a emoção. Abrimo-la com cuidado para não a rasgar, lemos as primeiras linhas, lemos mais um bocado  ansiosos e «Ah! Que alegria». Às vezes ficamos em silêncio de cenho carregado - más notícias – vertemos uma lágrima, duas, e a tinta começa a escorrer. A carta chora connosco, compartilha a nossa dor, o nosso luto.&lt;br/&gt;No presente caso não se sabia se eram boas ou más notícias. Ela ainda não tinha escrito a carta e ele ainda não a tinha recebido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-4222950910913705180?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/4222950910913705180/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=4222950910913705180' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4222950910913705180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/4222950910913705180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/07/carta.html' title='A Carta'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-2920476323953633277</id><published>2010-07-05T23:15:00.001+01:00</published><updated>2010-07-06T18:30:03.069+01:00</updated><title type='text'>A Anedota</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;E disparou. O projéctil saiu à velocidade de um quilómetro por segundo, pelo que Bonifácio já não ouviu o estampido da arma quando a bala, rodopiando frenética, fez a sua entrada pelo osso frontal e rasgou indiscriminadamente a massa cinzenta, zigzagueando pelos lobos conforme estes apresentassem mais ou menos resistência à sua fúria devastadora. Deu por fim com o parietal, o lobo e o osso, e como quem abre uma janela para o mundo, saiu em triunfo e foi alojar-se calma e secamente na parede de tijolos.&lt;br/&gt;«Uma piada? Uma anedota? Bem...» Os óculos de Bonifácio tremiam-lhe no nariz, acusavam o nervosismo perante o desespero da situação. Um passo em falso e já era. «Bom...» continuou ele «Não é bem uma anedota, é mais ou menos uma adivinha...Pode-se considerar uma anedota, há quem conte como anedota...». Gaguejava, suava em bica, queria chorar mas não conseguia; engolia em seco. Agora sabia como se sentia Dâmocles em relação à espada. «Então cá vai,...Era uma vez...Era uma vez não, que isto é uma espécie de adivinha,...Então é assim: Como é que se apanha um coelho?...Escondemo-nos atrás de uma árvore e imitamos o grito de uma cenoura...». O homem em frente de Bonifácio, que era a sua única audiência, não riu, não sorriu, não tremeu, não pestanejou sequer. Puxou a culatra da arma atrás...&lt;br/&gt;Mas o que ele gostava era do jogo, da perseguição, do toca e foge, da caça a bem dizer. O trabalho em si era rápido; um segundo e já está: missão cumprida. Por isso decidiu acrescentar-lhe um toque pessoal, algo que o distinguisse dos outros, algo magnânimo: uma segunda oportunidade. E como Bonifácio não era excepção, tratou de lhe explicar:&lt;br/&gt;-Ainda tens hipótese de te salvar. No entanto tens uma e só uma tentativa para o fazer. Não é nada de complicado apenas tens que me fazer rir. Se me fizeres rir, juro pela minha honra que te deixo ir com vida. Agora começa. Sugiro que contes uma piada, uma anedota.&lt;br/&gt;Otto Klism, o profissional, carregou a arma minuciosamente limpa, encaixou-a no coldre que trazia por debaixo do braço e saiu. Mais um dia de trabalho. Estavam cada vez mais escassos, era a crise. De vez em quando lá aparecia uma mulher enganada que queria ver o marido morto. Era um desses trabalhos que tinha agora entre mãos. Dirigiu-se para o sítio onde deveria encontrar o alvo: uma esquina ventosa em frente de uma loja de lingerie. As informações estavam correctas; o homem já lá estava. Chamava-se Bonifácio e ia morrer.&lt;br/&gt;&lt;small&gt;&lt;i&gt;&lt;br/&gt;Para a &lt;a href='http://www.fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/'&gt;Fábrica de Letras&lt;/a&gt; - Disparou&lt;/i&gt;&lt;/small&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-2920476323953633277?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/2920476323953633277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=2920476323953633277' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2920476323953633277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2920476323953633277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/07/anedota.html' title='A Anedota'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-8280326293916266646</id><published>2010-06-30T20:47:00.001+01:00</published><updated>2010-06-30T20:47:05.996+01:00</updated><title type='text'>O Rolo de Papel</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;A vozinha &lt;i&gt;vuvuzelante&lt;/i&gt; da senhora ainda lhe ecoava na cabeça quando Abrenúncio se barricou na casa de banho. Deus salve as casas de banho: último refúgio do mundo antropófago que são as repartições públicas.&lt;br/&gt;Tudo o que Abrenúncio precisava era de uma simples certidão, um atestado vá lá, uma coisa simples; um entrar na repartição, assinar o nome duas ou três vezes e sair à sua vida mundana. O que sucede é que as coisas não são assim tão simples «o que é que o senhor pensa?». Há todo um conjunto de minudências, hierarquias e protocolos que é preciso respeitar, é tudo muito «complicado». Depois de atravessarmos a barreira quase intransponível de seguranças - garbosos guardiões do templo burocrático – Há a inefável senha com um número que nunca bate certo com o do respectivo visor. Mais tarde, muito mais tarde, conseguimos então ter acesso ao sagrado recinto das deusas dos impressos em tripicado. A primeira frase que a senhora pronunciou, antes mesmo do bom dia ou de se apresentar foi «É complicado!». E  como Abrenúncio fez uma cara de quem não percebeu nada, complementou logo com um «não tenho feedback». A partir daqui as coisas complicaram-se mesmo e agora ali estava Abrenúncio, entrincheirado no WC. &lt;br/&gt;Sentou-se na retrete e acendeu um cigarro. Apreciou os círculos de fumo que se lhe escapavam da boca enquanto lá fora os seguranças encetavam um festival de stress que era de todo desnecessário. Que iam arrombar a porta, que iam chamar a polícia, o exército e sei lá mais o quê. Ora Abrenúncio, que só queria era sossego tentou demovê-los:&lt;br/&gt;- Não façam isso – advertiu – Estou armado. &lt;br/&gt;Foi pior a &lt;i&gt;ementa que o cimento&lt;/i&gt;. A única arma que Abrenúncio possuía era uma real dor de barriga que, talvez por causa do cigarro, talvez por causa dos nervos, talvez pelos dois, chegara de súbito e em força.&lt;br/&gt;As tropas especiais mais depressa chegaram e logo montaram o circo habitual de perímetros recuados e snipers em cima dos prédios e muita gente a correr de um lado para o outro.&lt;br/&gt;Abrenúncio urrava de dor, as entranhas revoltas pareciam querer explodir a cada espasmo. Cá fora, os policiais, também eles nervosos, ouviam toda aquela gritaria com apreensão.&lt;br/&gt;- Tem alguma exigência? - Perguntou o negociador através de um megafone, afim de evitar baixas de parte a parte.&lt;br/&gt;Abrenúncio, que naquela altura poderia ter resolvido todos os seus empecilhos burocráticos,  gritou com urgência: «&lt;b&gt;TRAGAM MAIS PAPEL!!!&lt;/b&gt;»&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-8280326293916266646?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/8280326293916266646/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=8280326293916266646' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8280326293916266646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8280326293916266646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/06/o-rolo-de-papel_30.html' title='O Rolo de Papel'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-3232829614122261124</id><published>2010-06-29T22:09:00.001+01:00</published><updated>2010-06-29T22:15:21.736+01:00</updated><title type='text'>O Exame</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Não era o exame em si que o enervava. Era a espera. Aquele compasso em suspenso que se traduzia em toda uma sinfonia de angústia e ansiedade. O adiar do sofrimento. A esperança de não ser chamado. O inevitável. Nunca queremos ouvir o nosso nome, mas quando chamam outro acusamos decepção, ansiedade.&lt;br/&gt;Um homem de bata branca, máscara vermelha e óculos escuros entra circunspecto na sala; percorre a extensa lista com o indicador - «É agora, é agora!» - centenas de cabeças esticam-se nos pescoços com as orelhas em modo de radar:&lt;br/&gt;- Euletério Bagarrão! - Invoca o homem; inexpressivo, monocórdico.&lt;br/&gt;Um Ahhhh! geral solta-se nos pensamentos de cada um, por isso ninguém o ouve. Aumenta a ansiedade. Aumenta sempre que alguém é chamado. «Ainda não foi desta» pensa. Resta-lhe esperar. Um dia há-de ser a sua vez, isso é certo. O universo é matemático. Não pode ficar eternamente à espera, está convencido disso. Sai para a rua e acende um cigarro. O ritmo cardíaco dispara; sente o pulsar na carótida, a vibração sincopada nos tímpanos. Lá dentro, a multidão contrai-se e dilata como se fosse um só organismo vivo; um tumor de resignação arfante.&lt;br/&gt;«Valerá a pena toda esta a espera?» pergunta-se. «O exame? Será uma coisa boa?»&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-3232829614122261124?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/3232829614122261124/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=3232829614122261124' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3232829614122261124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3232829614122261124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/06/o-exame.html' title='O Exame'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-236769141609641397</id><published>2010-06-20T19:55:00.001+01:00</published><updated>2010-06-20T21:18:11.618+01:00</updated><title type='text'>O Consolo</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;- Diz-me o que posso fazer para te animar?&lt;br/&gt;Bonifácio estava estirado no maple, de chinelos, cuecas e robe branco, que já não era branco mas amarelo devido ao fumo do tabaco. Já não fazia a barba há cinco dias e só se mexia para levar a cerveja choca à boca, apagar os cigarros num cinzeiro que se equilibrava perigosamente no braço do cadeirão, e mais importante que tudo, mudar os canais na televisão com o comando, que se aninhava confortável no seu colo como se fosse um canito de estimação. Era um dó olhar para ele, e ela tentava de tudo para o arrancar àquela letargia.&lt;br/&gt;- Mata-me com o teu amor! - Respondeu ele sarcástico como que a dispensá-la. Ela sem se fazer rogada atirou-lhe com o telemóvel à cabeça. Há muito tempo que o aparelho era o seu único consolo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-236769141609641397?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/236769141609641397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=236769141609641397' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/236769141609641397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/236769141609641397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/06/o-consolo_7.html' title='O Consolo'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-5075515366810887568</id><published>2010-06-18T22:54:00.001+01:00</published><updated>2010-06-19T01:09:07.119+01:00</updated><title type='text'>O Encanto</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;img height='131' width='175' src='http://lh3.ggpht.com/_5quufvQUCfA/TBvq9MNDXvI/AAAAAAAAATg/bKB6RGV_PjQ/%5BUNSET%5D.jpg?imgmax=800'/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Esmeraldina ficava a ver as horas do relógio passar e não dormia. Não que tivesse insónias, nada disso, olhar as horas era para ela um passatempo, uma espécie de encantamento. Em casa, na rua, na repartição de finanças, no banco e principalmente na praça municipal que tinha um relógio daqueles grandes, antigos, na parede da torre majestosa. Bastavam os seus olhos cruzarem-se com qualquer um desses medidores do tempo para ela estacar, em transe, como se o mundo à sua volta suspendesse a rotação, a translação, como se alguém carregasse no &lt;i&gt;pause&lt;/i&gt; de um qualquer comando perdido no sofá de Deus. A princípio pensou tratar-se do movimento circular dos ponteiros que a hipnotizavam, mas mais tarde, quando comprou um relógio-despertador digital deu-se conta que o feitiço era o mesmo; um segundo, dois segundos, meia-hora, um dia.&lt;br/&gt;Para ela decorriam apenas segundos do início ao termo do quebranto; vista de fora no entanto, assemelhava-se a uma estátua de carne e osso, catatónica, petrificada pelas horas. Certa vez, um homem, por acaso, ou por destino, ou por simples coincidência, deparou-se com a figura estática de Esmeraldina no meio da praça, e foi das coisas mais maravilhosas que viu na vida. Sem que desse conta disso quedou-se a admirar aquela mulher, de olhar vago, algo triste, algo esperançado, algo misterioso. E pareceu-lhe que isso era tudo o que havia a fazer na vida.  Quem frequenta os espaços comerciais da praça não consegue compreender(talvez por falta de imaginação, talvez por preconceito)aquela forma de amor à distância. Nem o dela pelo relógio, nem o dele por ela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-5075515366810887568?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/5075515366810887568/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=5075515366810887568' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5075515366810887568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5075515366810887568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/06/o-encanto.html' title='O Encanto'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_5quufvQUCfA/TBvq9MNDXvI/AAAAAAAAATg/bKB6RGV_PjQ/s72-c/%5BUNSET%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-5670137080238004630</id><published>2010-06-11T19:27:00.001+01:00</published><updated>2010-06-11T19:40:08.050+01:00</updated><title type='text'>Dolce Far Niente</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;-O melhor da vida é não fazer nada! - Declarava para quem quisesse ouvir, Labregoísio. Sentados numa esplanada solarenga bebiam imperiais e atacavam tremoços como se o segredo do mundo estivesse algures entranhado na casca daquela leguminosa.&lt;br/&gt;- Nada existe para além deste maravilhoso líquido - discorria efusivo sobre as qualidades da cerveja.- Melhor que uma é sempre outra, e melhor que outra é (fazendo sinal ao empregado) mais outra se faz favor. &lt;br/&gt;Quando estavam aborrecidos dava-lhes para ali: beber cerveja e filosofar.  A bebedeira era o primeiro sinal que estavam deprimidos; o segundo era andarem à porrada, que era como geralmente acabavam as diatribes filosóficas.&lt;br/&gt;- O homem não foi feito para trabalhar, foi feito para criar,...E não sou seu que o digo, é Santo Agostinho. &lt;br/&gt;- Agostinho da Silva – Corrigiu Romualdo.&lt;br/&gt;- Não interessa, até podia ter sido o Joaquim Agostinho, o que interessa é que a frase faz sentido e eu tenciono fazer dela a minha Manta.&lt;br/&gt;- Mantra!&lt;br/&gt;- Agora 'tás tu errado, é mesmo manta, porque quando me levantar daqui vou-me deitar e prontos...preciso de uma manta para me tapar e tal... Enquanto não faço nada.&lt;br/&gt;Calaram-se e beberricaram em silêncio. Labregoísio estava convencido que tinha deduzido o segredo da felicidade ocidental: beber cerveja, comer tremoços e não fazer nada. Romualdo era mais pragmático, sabia que o vazio contemplativo era necessário para se atingir uma certa atenção das coisas, uma claridade, o espaço que origina a criação; no entanto acreditava que a acção era a ignição de todo o motor criativo. Não podia por isso estar mais em desacordo com a visão laxista de Labregoísio.&lt;br/&gt;- Olha! - Recomeçou Romualdo – Tive um amigo que era como tu. Tinha exactamente as mesmas ideias disparatadas que tu.&lt;br/&gt;- Vês, eu sabia que havia mais como eu por aí.&lt;br/&gt;- Um dia decidiu não fazer mais nada para o resto da vida.&lt;br/&gt;- Um homem inteligente portanto, um criativo.&lt;br/&gt;- Muito – Continuou Romualdo -  Fomos dar com ele na cozinha da sua casa, pendurado pelo pescoço, e, sem contar com a sombra que projectava na parede quando o sol entrava de tarde pela janela, não fazia mais nada.&lt;br/&gt;- Isso é muito comovente e ao mesmo tempo...deveras inspirador.&lt;br/&gt;Romualdo rangeu os dentes e apertou o copo com raiva. Já não faltava muito, daí a pouco começaria a porrada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-5670137080238004630?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/5670137080238004630/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=5670137080238004630' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5670137080238004630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/5670137080238004630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/06/dolce-far-niente.html' title='Dolce Far Niente'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-2458220740192283195</id><published>2010-06-10T20:19:00.001+01:00</published><updated>2010-06-10T20:29:13.225+01:00</updated><title type='text'>De Costas Para a Nação</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;As costas doíam-lhe como se lhe espetassem facas devagarinho; ao mesmo tempo o Presidente da República, com aquele seu ar de quem comeu e não gostou, discursava sobre os sacrifícios da nação, da nacionalidade e das forças armadas. O Primeiro Ministro, com aquele seu ar de quem comeu, gostou e vai repetir, mostrava-se enfadado «Que merda pá!  Não se pode sair à rua  que começam logo a assobiar». É um facto. O povo não perdoa e os farenses muito menos. O povo gosta de caracóis, de futebol, de cerveja e de assobiar aos altos funcionários da nação. A Avenida Caloust Gulbenkian estava congestionada e na rotunda não se podia passar, mas isso não interessava nada porque ele não se conseguia mexer. Talvez ela tivesse razão, talvez não devesse ver televisão deitado; um músculo atrofiado como um chouriço retorcido atravessava-lhe as costas indo acabar nas 'cruzes'; não tinha posição de pé, nem sentado, nem deitado. Os soldados marchavam todos certinhos e bem ensaiados que era um gosto de se ver «Com uns soldados assim até dá gosto ir p'rá guerra» diria a dona da mercearia mais tarde num ataque repentino de patriotismo bacoco. Os para-quedistas caíam de cima para baixo e alguns há muito que tinham lugar cativo na tribuna de honra. «Se ela ao menos me fizesse umas massagens podia ser que isto passasse» Mas ela tinha ido ver o Sexo e a Cidade com as amigas e por isso tinha mais que fazer. «E eu?» resmungava ele «com estas dores: nem sexo, nem cidade». À entrada do Teatro, algumas pessoas (figurantes contratados) louvaram o primeiro ministro: «Ah! Até que enfim, portugueses de verdade» rejubilou o executivo. Mudou de canal ao mesmo tempo que a dor migrava para o meio dos costados; do Camões nem vê-lo, o que não era de todo importante porque o plantel da selecção já estava completo. Os “Alicópteres” voavam de um lado para o outro e ela nunca mais chegava; depois lembrou-se, como quem se lembra de algo que escapou à lista de compras, que havia mais de cinco anos que não estavam juntos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-2458220740192283195?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/2458220740192283195/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=2458220740192283195' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2458220740192283195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/2458220740192283195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/06/de-costas-para-nacao.html' title='De Costas Para a Nação'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-3802729284960804842</id><published>2010-06-08T17:57:00.001+01:00</published><updated>2010-06-08T18:01:06.114+01:00</updated><title type='text'>Vã Glória de Nadar</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Abrenúncio nadava sozinho num oceano frio e encrespado com o vento a salpicar-lhe a cara de pequenas agulhas salgadas. Não pôde deixar de pensar num dos seus heróis favoritos: o Luís Vaz. Também ele, afim de salvar os seus Lusíadas, teve que nadar; só com um braço, só com um olho, nos mares revoltos do sul, com o vento a esbofetear-lhe de vagas a valente barba ruiva.&lt;br/&gt;Hoje tudo seria diferente, pensa Abrenúncio. Hoje, talvez a Obra se chamasse “Os Imbecilíadas”e viesse guardada em suporte USB. O nosso Bardo traria então uma pen presa entredentes, ficando assim com os dois braços livres para nadarem pujantes. Para o olho, esse, é que continuaria a não haver remédio. &lt;br/&gt;Abrenúncio sai do mar a tiritar de frio com este e outros pensamentos a vogarem-lhe pelo espírito, na certeza porém de que: - Hoje não foi um bom dia de praia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-3802729284960804842?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/3802729284960804842/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=3802729284960804842' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3802729284960804842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3802729284960804842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/06/va-gloria-de-nadar.html' title='Vã Glória de Nadar'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-643943354603041118</id><published>2010-06-02T21:13:00.002+01:00</published><updated>2010-06-02T21:17:07.218+01:00</updated><title type='text'>À Deriva</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;img height='181' width='240' src='http://lh5.ggpht.com/_5quufvQUCfA/TAa56rqMGCI/AAAAAAAAATU/1kS5G-6r-zo/%5BUNSET%5D.jpg?imgmax=800'/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Estava vazio. O seu corpo, a sua alma, a sua casa. O seu copo, estava vazio. O taberneiro prontamente voltou a enchê-lo e por momentos, pairou a ilusão de que tudo era como antes. A euforia breve de se ter posto de lado a tristeza. O engano. O copo meio-cheio. O ardor da água de fogo, enquanto arranha a garganta, é arrasador. Leva memórias, lava lágrimas, seca o indivíduo. Estava seco. Não tinha amor, nem ódio, nem indiferença, nem nada; ser indiferente é ser qualquer coisa. O copo estava meio-vazio. A realidade. Mais um trago de fel e de novo a sensação de ter sido atirado ao espaço sideral, sem ar, sem rumo, sem banda sonora. À deriva. O espaço à sua volta era todo escuridão e silêncio. Estava morto? Estava vazio.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href='http://www.fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/'&gt;&lt;small&gt;Para a Fábrica de Letras - Estava Vazio...&lt;/small&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-643943354603041118?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/643943354603041118/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=643943354603041118' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/643943354603041118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/643943354603041118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/06/deriva.html' title='À Deriva'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_5quufvQUCfA/TAa56rqMGCI/AAAAAAAAATU/1kS5G-6r-zo/s72-c/%5BUNSET%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-1750262148027909734</id><published>2010-05-26T18:29:00.001+01:00</published><updated>2010-05-26T18:29:51.580+01:00</updated><title type='text'>O Pedinte</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;u&gt;&lt;img height="181" src="http://lh5.ggpht.com/_5quufvQUCfA/S_1ZjtvlMSI/AAAAAAAAATQ/CTVa9QboouU/%5BUNSET%5D.jpg?imgmax=800" width="393" /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Certa  vez, de visita a uma cidade do estrangeiro, Zeferino deparou-se com um pedinte que lhe despertou a atenção. Foi na escadaria que levava ao Castelo; prostrado de joelhos, com a testa  afundada nos antebraços e as palmas das mãos em concha viradas para cima. Não falava e não se mexia um centímetro que fosse, deixava-se estar apenas, em silêncio, como se pedisse clemência, num acto de tal abnegação que intrigava quem passava: estaria a pedir esmola, ou estaria a pedir perdão? As pessoas, intrigadas, seguiam caminho; receavam que ao deixar a esmola o pudessem despertar de tão profunda meditação. &lt;br /&gt;Horas depois, já na vinda para baixo, Zeferino foi encontrar o homem no mesmo sítio na mesmíssima posição, como se o tempo não tivesse passado por ele, como se duma estátua se tratasse, como se não estivesse vivo. Uma diferença apenas: na concha das mãos aninhavam-se algumas moedas, alguém já tinha feito a experiência e confirmado a tese, era mesmo um pedinte. &lt;br /&gt;Hoje, ao passar por uma esplanada, onde um grupo de senhoras trincava pastéis de nata polvilhados de canela, Zeferino, numa associação de ideias transviadas lembrou-se do mendigo estrangeiro:&lt;br /&gt;- Um dia destes havemos estar todos como o pedinte – pensou – Uns de joelhos, outros a pedir esmola.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-1750262148027909734?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/1750262148027909734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=1750262148027909734' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1750262148027909734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1750262148027909734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/05/o-pedinte.html' title='O Pedinte'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_5quufvQUCfA/S_1ZjtvlMSI/AAAAAAAAATQ/CTVa9QboouU/s72-c/%5BUNSET%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-8162856178701541189</id><published>2010-05-25T20:48:00.001+01:00</published><updated>2010-05-25T20:48:45.430+01:00</updated><title type='text'>O Primeiro Dia</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;- Vai-te vestir Adão! Olha a cacimba – avisava Eva com carinho e alguma preocupação.&lt;br /&gt;- Não me apetece! - Retorquiu ele com ar amuado – Apetece-me maçãs.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-8162856178701541189?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/8162856178701541189/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=8162856178701541189' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8162856178701541189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8162856178701541189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/05/o-primeiro-dia.html' title='O Primeiro Dia'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-3262856378113157458</id><published>2010-05-24T22:54:00.001+01:00</published><updated>2010-05-24T22:58:27.117+01:00</updated><title type='text'>A Sequência</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;Eram plácidos os domingos que passavam juntos. Iam para a praia e ele estava quase sempre de ressaca. Ela estendia-se ao sol e acendia cigarros enquanto ele sentia os miolos a fritar. O suor secava a meio caminho de lhe escorrer pelo corpo; os homenzinhos que lhe viviam no cérebro rebelavam-se. Atirava-se invariavelmente ao mar frio: gostava do choque nos sentidos, como se apanhasse um soco forte nas ideias. Ela tirava o top e mostrava-lhe as mamas dentro de água. São iguais, dizia ele, a audiência é que é maior. Riam-se e davam mergulhos. Ela queria arrebatá-lo à letargia dos domingos em que sempre o encontrava; levava-o a ver as esculturas na areia. Ele só queria vomitar: o fígado, as entranhas, o mundo. Olha um romano, dizia ele com indiferença embora adorasse os romanos. Parece estar a cagar, dizia ela, e riam-se muito, e as esculturas riam-se com eles. &lt;br /&gt;Ao fim da tarde ele começava a sentir-se melhor. Retornavam. Pronto, dizia ela, já estás em casa. Foi um Plácido Domingo, respondia ele e riam-se.  Pelo menos desta vez não te vestiste de mulher, sempre foi diferente – risos.&lt;br /&gt;No covil, ele, deitava-se na cama que não era feita desde uma vida anterior e sorria ao pensar nela. Depois pensava na segunda-feira e vinham de novo os vómitos à garganta. Era o defeito do domingo, assinalava o fim de algo bom e antecedia o começo de algo mau. A vida acontecia entre dois domingos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-3262856378113157458?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/3262856378113157458/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=3262856378113157458' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3262856378113157458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3262856378113157458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/05/sequencia.html' title='A Sequência'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-6715495458407013330</id><published>2010-05-19T18:24:00.000+01:00</published><updated>2010-05-19T18:27:02.594+01:00</updated><title type='text'>O Aumento Exponencial da Tristeza</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;- E agora pá, se não ganhamos este mundial...&lt;br/&gt;- A crise aumenta.&lt;br/&gt;- A crise aumenta sempre que estamos tristes.&lt;br/&gt;- Não podemos ficar tristes então.&lt;br/&gt;- Por outro lado, às vezes dou comigo a pensar que para sermos definitivamente um país do terceiro mundo, só nos falta   mesmo ganhar um mundial de futebol.&lt;br/&gt;- Não podemos ganhar o mundial então.&lt;br/&gt;- Se não ganhamos ficamos tristes...&lt;br/&gt;- E a crise aumenta.&lt;br/&gt;- A crise aumenta sempre que estamos tristes.&lt;br/&gt;- O que nós precisamos é de fazer algo em grande.&lt;br/&gt;- Uma feijoada.&lt;br/&gt;- Exacto.&lt;br/&gt;- A maior do mundo.&lt;br/&gt;- Ficávamos contentes.&lt;br/&gt;- Satisfeitos.&lt;br/&gt;- Ninguém dava pela crise enquanto houvesse feijoada.&lt;br/&gt;- E depois?&lt;br/&gt;- Depois cerveja.&lt;br/&gt;- Cerveja com quê?&lt;br/&gt;- Com o mundial.&lt;br/&gt;- E se não ganhássemos?&lt;br/&gt;- Ficávamos tristes.&lt;br/&gt;- E a crise aumentava...&lt;br/&gt;- Aumenta sempre que estamos tristes.&lt;br/&gt;- Vamos mudar de assunto, acho que já estou triste.&lt;br/&gt;- Olha, sabes quem é que morreu?&lt;br/&gt;- Quem???&lt;br/&gt;- O Alambáceo!&lt;br/&gt;- O que jogava matraquilhos?&lt;br/&gt;- Esse.&lt;br/&gt;- Ah!!! Morreu de quê?&lt;br/&gt;- Teve um ataque de whisky.&lt;br/&gt;- Morreu de bebida prolongada então...&lt;br/&gt;- Não, foi de &lt;i&gt;shot&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-6715495458407013330?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/6715495458407013330/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=6715495458407013330' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6715495458407013330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/6715495458407013330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/05/o-aumento-exponencial-da-tristeza.html' title='O Aumento Exponencial da Tristeza'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-1190721579448494510</id><published>2010-05-18T18:52:00.003+01:00</published><updated>2010-05-18T19:43:53.073+01:00</updated><title type='text'>O Desencontro</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;big&gt;&lt;big&gt;&lt;big&gt;&lt;big&gt;&lt;big&gt;&lt;big&gt;&lt;big&gt;&lt;big&gt;&lt;big&gt;&lt;big&gt;&lt;big&gt;&lt;big&gt;&lt;span style="font-size:small;"&gt;&lt;small&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/small&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/big&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/big&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/big&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/big&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/big&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/big&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/big&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/big&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/big&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/big&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/big&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/big&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;“...mas sobretudo a cidade&lt;br /&gt;é um som&lt;br /&gt;toca uma música boa&lt;br /&gt;p’ra que eu me esqueça da alma ausente&lt;br /&gt;que se perdeu pelas ruas&lt;br /&gt;que eu não me perca também.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Fausto Bordalo Dias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;Ela olhava para o relógio e batia o pé nervosa. Já era tarde; quase pôr-do-sol e ele nada, atrasado como sempre. Tinham acertado os relógios um pelo outro para nunca se desencontrarem, e agora ali estava ela à hora marcada, à espera, sempre à espera de continuar a sua vida com ele. Acendeu um cigarro com a beata de outro e bateu o pé. Pôs a mão na anca, tirou a mão da anca, soprou, bateu o pé.&lt;br /&gt;Noutra parte da cidade, ele, fumava e bebia cerveja. Ouvia jazz e escrevinhava no bloco de notas. Contava anedotas, pagava rodadas e fumava cigarros que acendia ininterruptamente. Para ele ainda era meio-dia; tinha o tempo todo do mundo, a banda principal ainda não subira ao palco. Acendeu outro cigarro, limpou o suor da testa, escrevinhou no bloco e mandou vir mais uma rodada.&lt;br /&gt;Bateram as oito horas no sino da igreja e ela ainda esperava. Apagou o último cigarro com o  salto do sapato como quem esmaga uma barata. Expirou o fumo como quem despeja o lixo, sem olhar para trás. Oito horas! A hora certa de ir para casa e fazer uma vida; com ou sem ele. Foi sem ele.&lt;br /&gt;Chegou ao lugar combinado pouco depois do último &lt;span style="font-style: italic;"&gt;encore&lt;/span&gt;. Ela já não estava. Sentiu-se sozinho e com frio. Escrevinhou no bloco versos de contrição. Bateram as oito horas no sino da igreja. Apagou o cigarro como quem apaga uma vida. Oito horas! Era de manhã. A hora certa  de ir para casa e mudar de vida; com ou sem ela. Foi sem ela.&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-1190721579448494510?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/1190721579448494510/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=1190721579448494510' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1190721579448494510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/1190721579448494510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/05/o-desencontro.html' title='O Desencontro'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-3585001474098588466</id><published>2010-05-17T18:18:00.000+01:00</published><updated>2010-05-17T18:23:30.078+01:00</updated><title type='text'>A Tempestade</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;img height='161' width='152' style='max-width: 800px; float: right; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px;' src='http://lh5.ggpht.com/_5quufvQUCfA/S_F5TPb7DeI/AAAAAAAAATM/lk86bN-YME4/%5BUNSET%5D.jpg?imgmax=800'/&gt;Soara a sirene em Zebulon 5. Era o aviso de que uma tempestade solar se avizinhava. Havia tempo suficiente para os habitantes da colónia acabarem os seus afazeres e se deslocarem-se para casa em segurança, sem pânicos. Anacleto – O Palhaço, arrumou os malabares, as bisnagas de água, os balões coloridos mas manteve o nariz vermelho. Era a sua imagem de marca; sem ele as pessoas não o reconheciam, e, mesmo em tempos de crise e tempestades solares, o marketing era uma mais valia no mercado circense. Apanhou o Subcolon, que era o comboio subterrâneo das colónias que tinha nome de clister. Toda a gente o reconheceu: «Olha! É o palhaço Anacleto»  gritaram uns «Ah! Ganda palhaço» sustentaram outros, e mesmo ali exigiram que fizesse um sketch – só para passar o tempo e animar a malta. Como não tinha nada preparado improvisou a velha pantomima do funcionário público, que enfia uma sonda rectal p'lo cu do utente acima, só para lhe avaliar o produto interno bruto. Foi um sucesso como sempre. Toda a gente aplaudiu: «Palhaço Anacleto, és o maior!» gritavam e davam-lhe palmadas fortes nas costas.&lt;br/&gt;Chegou a casa  dorido e cansado. O corpo já acusava a idade e a idade já acusava o excesso de palhaçada. Sentou-se no sofá em frente da televisão (há coisas que nunca mudam) sem desfazer as pinturas nem despir o fato de losangos amarelos e vermelhos. Abriu uma garrafa de whisky e deu um longo gole que lhe queimou suave a garganta. Na televisão, todos os canais mostravam as imagens da tempestade solar, que embora destrutiva, não deixava de ser um espectáculo exuberante. Tirou por fim o nariz vermelho quando o biológico já estava da mesma cor. Consultou o correio electrónico: não tinha mensagens novas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-3585001474098588466?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/3585001474098588466/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=3585001474098588466' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3585001474098588466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/3585001474098588466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/05/tempestade.html' title='A Tempestade'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_5quufvQUCfA/S_F5TPb7DeI/AAAAAAAAATM/lk86bN-YME4/s72-c/%5BUNSET%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-903640609778728686</id><published>2010-05-14T22:25:00.002+01:00</published><updated>2010-05-16T16:29:08.927+01:00</updated><title type='text'>Sexta-feira 14</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;img height='221' width='296' src='http://lh4.ggpht.com/_5quufvQUCfA/S-2-OgJAYNI/AAAAAAAAATI/qXsdtevKDyY/%5BUNSET%5D.jpg?imgmax=800' style='max-width: 800px;'/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;br/&gt;«Depois da festa vem a tempestade». Era um ditado inventado à pressão por Romualdo, depois de assistir na televisão ao desbocar deprimente do Engenheiro da Nação. Percorria as ruas sujas do desperdício de alegrias e êxtases, contratadas para exultar a estéril passagem do pescador de homens; sentia-se triste por aquela gente, sentia-se triste por si, por fazer parte daquela gente. “Só saímos à rua pelos motivos errados ”- Cogitava Romualdo e um vento frio despenteou-lhe o cabelo como castigo. O próprio tempo pusera-se cinzento e ventoso e frio como que a anunciar a ressaca que aí vinha. Mais valia que chovesse e as pessoas se fechassem em casa e escondessem a sua vergonha; «doem-me os ossos, o tempo está a mudar». Dobrou uma esquina e pontapeou uma pedra que rolou pela calçada, um pedaço de cão irritante latiu enfezado e feriu Romualdo nos nervos. «Se lhe dou um pontapé encolhe-se todo a ganir, se lhe faço uma festa esquece-se que lhe dei um pontapé». &lt;br/&gt;Cruzou-se com Esmeraldina e foram beber café. Estava ansiosa mas parecia radiante. Vestia de preto; a ansiedade ficava-lhe bem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-903640609778728686?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/903640609778728686/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=903640609778728686' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/903640609778728686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/903640609778728686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/05/sexta-feira-14_14.html' title='Sexta-feira 14'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_5quufvQUCfA/S-2-OgJAYNI/AAAAAAAAATI/qXsdtevKDyY/s72-c/%5BUNSET%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-9061519489490992751</id><published>2010-05-10T23:01:00.003+01:00</published><updated>2010-05-10T23:07:32.796+01:00</updated><title type='text'>Malditas Consoantes</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;"Purple haze all in my brain &lt;br /&gt;Lately things just don't seem the same&lt;br /&gt;Actin' funny, but I don't know why&lt;br /&gt;'Scuse me while I kiss the sky"&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Jimi Hendrix&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Abrenúncio acordou de uma sesta tardia, sobressaltado, com o barulho que a populaça fazia na rua. Era toda uma multidão que ora semi-nua, ora de rubras cores encasacada, alardeava pela via pública as suas consoantes preferidas. Três letrinhas apenas faziam a loucura de toda aquela gente. «Ah! Sim, chegou finalmente o dia» exclamou em voz alta Abrenúncio. Há muito que Abrenúncio esperava por aquela celebração, estivera quase para desistir, mas uma vozinha no canto do cérebro segredava-lhe que mais dia menos dia o Dia chegaria.&lt;br /&gt;Remexeu o velho baú de alto a baixo e logo deu com a t-shirt cor-de-rosa do Jimi Hendrix que, basicamente era a sua farda para dias como aquele; estava um pouco coçada, o que só atestava da sua militância naquelas ramboiadas.&lt;br /&gt;Saiu para a rua e deparou-se com um espectáculo mirabolante: no meio da celebração encontravam-se idosos e crianças, e também eles gritavam e pulavam para cima dos carros e buzinavam e agitavam-se ao som da música que era sempre a mesma. «Meu Deus!» pensou Abrenúncio «isto no meu tempo não era assim», mas depressa se desligou destes pensamentos e foi com alegria se entregou à festa – &lt;i&gt;Purple haze all in my brain, lately things just don't seem the same&lt;/i&gt; – Cantarolou Abrenúncio enquanto se preparava para &lt;i&gt;beijar o céu&lt;/i&gt;. De súbito a multidão, toda a uma voz, como se tivesse ensaiado durante anos desatou a berrar a plenos pulmões: &lt;b&gt;BENFICA! BENFICA! BENFICA!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Foi por esta altura que Abrenúncio foi atropelado pela realidade como se esta conduzisse um camião TIR. Um safanão popular fê-lo acordar do sonho em que estava prestes a embarcar; o que o povo afinal gritava era SLB, SLB e não LSD, LSD, como ele originalmente pensara. &lt;br /&gt;Cabisbaixo, com beicinho de amuo, retornou a casa arrastando os pés; «Pfff! Tanto barulho por causa da bola». Aquela não era definitivamente a sua festa. O Jimi Hendrix estampado na camisola cor-de-rosa voltou triste para o fundo do baú e Abrenúncio contentou-se com um cházinho de camomila que, assim como assim, também dá sono.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-9061519489490992751?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/9061519489490992751/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=9061519489490992751' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/9061519489490992751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/9061519489490992751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/05/malditas-consoantes.html' title='Malditas Consoantes'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-8957365072271394030</id><published>2010-05-06T20:42:00.000+01:00</published><updated>2010-05-06T20:42:08.014+01:00</updated><title type='text'>O Camelo e o Buraco da Agulha</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;O recinto estava polvilhado de vendilhões, como convém a qualquer templo que se preze.&lt;br /&gt;Um homem arrasta-se trôpego pelo pavimento. No fim, uma parede; o homem insere uma moeda na ranhura e uma lâmpada de 30 watts acende-se. Um minuto certo está a lâmpada acesa, e com precisão matemática extingue-se ao sexagésimo segundo, reclamando assim a sua fome de vil metal. Para o homem prostrado a missão chega ao fim; a sua prece seguiu para Deus, o seu dinheiro para a EDP.&lt;br /&gt;A multidão acotovelava-se, já não havia mais espaço, nem para a imaginação. Pessoas desmaiavam de pé; um helicóptero dos bombeiros sobrevoava a área e despejava uma carga de água em cima dos crentes, como se apagasse um fogo; a fé essa nunca se apagava e por isso eles continuavam ali, à espera; tinham pago a dízima, tinham cumprido a promessa, faltava a atracção principal.&lt;br /&gt;Por entre holofotes coloridos acompanhados por uma orquestra monumental, o Grande Padre surgiu numa plataforma elevatória, sentado imponente num trono debruado a ouro e tisnado com a mais  fina púrpura. Visto assim ninguém desconfiaria que o homem calçava as humildes Sandálias do Pescador; antes lembrava alguém que astuciosamente usurpara o ceptro de César – O Imperador. Era ele quem comandava a chusma naquela noite. Era o MC do momento. Estalou os dedos e milhares de velas acenderam-se a um tempo, dando conta do número de almas que por ali penavam; e o seu número era grandioso.&lt;br /&gt;Quando a Senhora, no alto do andor finalmente surgiu, foi acometida de uma profunda tristeza; a sua expressão não deixava dúvidas, era de pura angústia. O espectáculo não era para menos: os pobres coitados, de joelhos em sangue, batiam palmas e gritavam hossanas; as mulheres acenavam um lencinho branco com uma mão e com a outra seguravam um funil por onde urinavam. Pairava no ar uma toada digna do seu povo: lamuriante, mansa, mal paga. Sob as luzes fortes do palco principal sobressaía o Grande Padre; com um sorriso enjoado não conseguia mais do que chocalhar as jóias.  &lt;br /&gt;Cá fora, no mundo real, a miséria continuava na mesma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-8957365072271394030?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/8957365072271394030/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=8957365072271394030' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8957365072271394030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/8957365072271394030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/05/o-camelo-e-o-buraco-da-agulha.html' title='O Camelo e o Buraco da Agulha'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-565780083604927308.post-7665990153990686191</id><published>2010-05-01T21:45:00.000+01:00</published><updated>2010-05-01T21:47:47.445+01:00</updated><title type='text'>A Paixão Num Dia de Maio</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Amanhecera finalmente o dia em &lt;b&gt;Remulak – A Grande&lt;/b&gt;. Não era um dia qualquer; era o dia que iria definir a vida de toda uma geração. Um risco invisível havia sido traçado na Cidade e, ou se estava de um lado ou do outro; não havia meio termo. A época das indecisões acabara. A inércia há muito que vinha fazendo os seus estragos, e, aquela que um dia tinha sido uma das mais belas repúblicas do cosmos, jazia quase morta, de tão apática se tornara. Os tecnocratas haviam corrompido o poder. Governavam com a ajuda de andróides que fiscalizavam e faziam cumprir as suas leis. As leis eram de betão armado ou tinham a forma de microchips de silica. Os remulakianos eram cordeiros marcados para abate; peças de carne para sacrifício; tudo em nome da Grande Máquina. Eram absorvidos, mastigados e reciclados em humanóides sem espírito; que fiscalizavam e faziam cumprir...&lt;br/&gt;Pasquináceo agarrou na sua bandeira rubra e negra e dirigiu-se para o centro da Cidade. De todas as ruas, de todas as vielas e becos foram surgindo outros pasquináceos; remulakianos, que de tanto serem ofendidos e humilhados, caminhavam obstinados para o local marcado, puxados por uma força invisível que os unia a todos: a miséria.&lt;br/&gt;O centro da Cidade cedo se tornou numa massa informe, qual coágulo de sangue a espraiar os seus tons de vermelho escuro. O burburinho daquela gente depressa se transformou num clamor que de tão estrondoso foi confundido com trovoada; na agitação alguém comentou: - Porra! Até que enfim que acordámos – e nesse momento o Palácio foi tomado de assalto, e os andróides que o defendiam nada puderam contra uma multidão ávida de mudança, sequiosa de justiça;  reconheceram-se nela e abriram alas. &lt;br/&gt;O senhor Engenheiro(ideólogo da Grande Máquina) e seus sequazes foram arrastados das  faustosas poltronas dos seus gabinetes para a rua, puxados pela orelha, como se faz aos meninos mal comportados. E logo ali foram julgados por toda a população que exclamou a uma voz: &lt;b&gt;&lt;i&gt;Condemno!&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;O castigo foi aplicado de imediato a todos os meliantes e seus acólitos;  a todos os juízes que os justificaram,  a todos banqueiros que os sustentaram, a todos os sacerdotes que os benzeram. Foram atirados ao rio de pernas e braços atados. Não foi uma condenação à morte;  os remulakianos sabiam que a merda geralmente boiava.&lt;br/&gt;E era tal a paixão que vibrava naquele povo que até o céu começou a chorar de emoção. A chuva varreu das ruas os restos de ingnomínia, e sublinhou a necessidade de limpeza que a Cidade há muito exigia.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;small&gt;Para a &lt;a href='http://fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/'&gt;Fábrica de Letras&lt;/a&gt; - Paixão&lt;/small&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/565780083604927308-7665990153990686191?l=el-killer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://el-killer.blogspot.com/feeds/7665990153990686191/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=565780083604927308&amp;postID=7665990153990686191' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7665990153990686191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/565780083604927308/posts/default/7665990153990686191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://el-killer.blogspot.com/2010/05/paixao-num-dia-de-maio.html' title='A Paixão Num Dia de Maio'/><author><name>El Matador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17234767194000336960</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-IIHCg8BVSfQ/ToeTsJQ3aWI/AAAAAAAAAU0/WfJ06aa3qXM/s220/cube.jpg'/></author><thr:total>27</thr:total></entry></feed>
