#345

| segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013 | 5 comentários |

Foi só depois de ter batido com a cabeça pela segunda vez que me apercebi que já não sou uma pessoa normal. Insociável desde cedo; vivo para o consolo de não comunicar com ninguém: único sobrevivente dum Apocalipse autista.  
Nas viagens constantes que faço ao passado lanço a âncora no fundo da memória. Atolo-me quase sempre na escuridão do lodo reminiscente enquanto chafurdo na ânsia de imagens felizes. As lembranças comportam-se qual areias movediças; afundo tanto quanto me inquieto.
Agora quero bater com a cabeça outra vez, a terceira, que oblitere para sempre a recordação do tempo passado. Limpo e vazio viajo para as Ilhas Trobriand. Nasço ali um homem novo, sem pecado, puro como Adão. Convivo jovial com os argonautas do sul e nado à solta com os tubarões. Sem dor, sem memória, sem passado. 

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| sábado, 2 de fevereiro de 2013 | 5 comentários |